06/04/2006
E porque uma continuação, mesmo ruim, mesmo massacrada pela crítica, sempre vende ingressos suficientes para garantir a sobrevivência de todos os executivos que aprovaram o projeto, não é preciso nem ter um super-herói ou superconceito para ancorá-la.
O caso de
Onze Homens E Um Segredo é típico - a releitura, em 2001, do sucesso de Frank Sinatra de 1960 rendeu tanto para todo mundo que rapidamente engendrou uma franchise insuspeitada até então. O
Onze virou
Doze Homens e Outro Segredo em 2004. E, em junho, Steve Soderbergh, George Clooney e toda a turma começam a filmar a terceira aventura do charmoso bando de ladrões liderado por Danny Ocean.
O irônico é que, de tanto roubar cassinos na tela, Clooney resolveu abrir o seu próprio estabelecimento de jogo - e
não conseguiu. Chegou a reunir um belo time de investidores - inclusive Brad Pitt e Randy Gerber, marido de Cindy Crawford - e um ambicioso projeto: construir um cassino no estilo fifties de Sinatra, Dean Martin e companhia. Mas no final das contas os investidores decidiram vender o terreno em Las Vegas em vez de construir o cassino. Sempre o bom moço, Clooney anunciou que vai doar os lucros da venda para o Fundo de Auxílio à Dívida dos Países Africanos.
George Clooney num comercial de Martini: mais uma de Danny OceanFoto: clooneystudio.com
06/04/2006
Mais sobre continuações daqui a pouco. Por enquanto, datas das estréias no Brasil:
X3: 26 de maio
Missão Impossível 3: 5 de maio
Super Homem 5: 14 de julho
Velozes e Furiosos 3: 11 de agosto
06/04/2006
Hollywood é viciada em continuações e outros derivativos desde que nasceu. Em outros tempos esses filmes eram chamados de seriados, e Spielberg e Lucas fazem parte da geração que se criou vendo
Flash Gordon,
Zorro e outros heróis salvando a mocinha e o mundo em série, no cinema do bairro, pelo preço de uma meia entrada. Dois dos maiores sucessos em série de todos os tempos -
Guerra nas Estrelas e
Indiana Jones - são tributos da dupla a essa generosa fonte de suas juventudes.
Portanto, a enxurrada de números 2, 3 e 4 que vem por aí este ano e ano que vem não se deve apenas à falta de bons roteiros, como o sempre antenado Tom Leão comentou no Globo, dias atrás, apresentando a matéria da revista
Entertainment Weekly que listava as piores e melhores
sequels de todos os tempos. A fórmula de fazer um filme que vai prender o espectador na cadeira comendo pipoca sem parar os estúdios sabem de cor e salteado. O problema é a escassez de boas idéias ou, no jargão da indústria, "conceitos", as espoletas que disparam a narrativa ponto-a-ponto que os roteiristas profissionais sabem fazer tão direitinho. E faltam idéias porque os estúdios criaram um sistema de acesso tão barroco e complicado que desestimula e impede que novos temas, enfoques e ângulos cheguem até eles. O chamado círculo vicioso.
Mas ainda tem mais: a "janela" - o período em que um filme apura sua renda - está se tornando cada vez menor, nos Estados Unidos, para títulos que não ambicionem mais que vender ingressos e pipoca. Na verdade, um arrasa quarteirão divertido tem apenas três ou quatro dias - o fim de semana da estréia - para dizer a que veio. Uma continuação funciona como um seguro: nem que seja por curiosidade, um número suficiente de pessoas vai com certeza aparecer na bilheteria para ver a nova aventura de x y ou z... Tal como George e Steve faziam nos idos tempos dos seriados...
Então, segura a onda que vêm aí, entre muitos outros
Missão impossível 3, X3,
Velozes e Furiosos 3 (veja o trailer
aqui) e o quinto filme do
Super Homem este ano; e, em 2007,
Homem Aranha 3,
Shrek 3, Piratas do Caribe 3,
Hora do Rush 3, mais uma aventura do
Bourne de Matt Damon, e um novo
Batman. Além de
Indy 4, é claro.
Brandon Routh como Super Homem: salvando o mundo (e Hollywood) pela quinta vez
06/04/2006

Sou só eu ou......?....
06/04/2006
Sean Connery vai voltar a ser o pai de Harrison Ford, ainda que temporariamente: um mes e meio depois de George Lucas e Steven Spielberg terem, finalmente, aprovado um roteiro para a quarta aventura da série
Indiana Jones, o nome do venerável ator escocês
apareceu nas internas como uma quase certeza para o elenco. Conhecendo o modo como Lucas & Spielberg trabalham juntos na série, o mais demorado já passou, e as filmagens devem começar dentro de uns três meses, a tempo de um lançamento em 2007. Apesar de M. Night Shyamalan e Tom Stoppard terem sido convidados a submeter argumentos, o roteiro final é mesmo do velho colaborador da dupla, David Koepp.
A pergunta que não quer calar: com aniversários em julho (Ford) e agosto (Connery), a dupla terá, respectivamente, 64 e 76 anos quando as câmeras começarem a rodar. Se essa paternidade aos 12 anos já era esquisita em 1989, quando Sean foi o Professor Jones Sr. pela primeira vez, ela fica positivamente bizarra agora... antecipando o primeiro filme de ação geriátrico do mundo! É claro que o charme dos dois compensa e explica tudo (isto é Hollywood!), mas a questão do envelhecimento dos conceitos cinematográficos é muito real, e fonte de muita dor de cabeça na indústria. Mais daqui a pouco...
Harrison Ford & Sean Connery em 1989: em 2007 pai e filho, de novo
05/04/2006
Wolverine na Croisette!
X Men, The Last Stand foi confirmado (extra-oficialmente…. Coisas de Cannes) para uma das sessões (possivelmente não-competitivas) do Festival de Cannes. Será uma primavera provençal para Hugh Jackman:
The Fountain, filme pop-cabeça de Darren Aronofsky, também foi pré-selecionado – nele, Jackman vive múltiplos papéis numa saga de paixão e tragédia co-estrelada pela Sra. Aronofsky, Rachel Weisz.
O engraçado é que, entra ano sai ano, os franceses – mídia, cineastas, programadores- reclamam dos Estados Unidos, da indústria cinematográfica americana, dos filmes de língua inglesa que estariam lavando os cérebros das platéias mundo afora. E, ano após ano, Cannes escolhe um farto pacote de filmes anglofônicos, com uma boa dose de títulos cem por cento hollywoodianos como, agora, o terceiro
Xmen e
Código Da Vinci (com Tom Hanks e sua peruca “gatão de meia idade”). Para não dar muita pinta, vêm também os independentes de luxo como
Maria Antonieta de Sofia Coppola,
The Fountain,
Shortbus, de John Cameron Mitchell e
Fast Food Nation de Richard Linklater. E, é claro, os mais novos trabalhos de membros de carteirinha (ouro) do “Club Med Croisette”: Ken Loach, Aki Kaurismaki, Nanni Moretti e Marco Bellochio.
A seleção oficial de
Cannes 2006 sai dia 20 de abril, em Paris.
Jackman como Wolverine em X3 : em maio na Croisette
04/04/2006
Duas coisas gostosas no mega-sucesso de
Era do Gelo 2 – que, com quase 70 milhões de dólares apurados na bilheteria americana logo na estréia, tornou-se a salvação de um 2006 que até agora estava mais para cinema-catástrofe: um, o nome do diretor brasileiro Carlos Saldanha nos créditos; o outro, o
teaser-trailer do Filme dos Simpsons, que tem estréia marcada, afinal, para 27 de julho de 2007.
Gelo quente: sucesso e Simpsons
04/04/2006
Verde de inveja também é uma tonalidade que cai bem em Hollywood. E há algum tempo esta coloração tem sido provocada por uma estranhíssima série de eventos, um emaranhado de processos e contra-processos centrado numa figura tipicamente hollywodiana: o detetive particular
Anthony Pellicano. Há mais de 20 anos a eminência parda mais brilhante de uma cidade que adora as duas coisas – eminências pardas e brilho – Pellicano se especializou naquilo que ele chama de “investigação discreta” – o popular grampo.
Além de peludíssimos casos de divórcio – afinal, na Califórnia a partilha de bens, depois de um ano de vida conjugal, é meio a meio, o que lança nova luz sobre o pedido de divórcio que Tom Cruise iniciou exatamente no décimo primeiro mês de matrimônio com Nicole Kidman...- Pellicano se tornou o rei das escutas industriais, numa cidade em que saber quem está fazendo qual projeto com quem (e por quanto) vale muito mais do que saber quem está transando com quem...
Foi por causa dessas
escutas e contra-escutas envolvendo projetos, contratos e negociações milionárias que Pellicano acabou no olho deste furacão legal, que, hoje mesmo, arrastou o diretor Joh McTiernan no embalo. E que está causando esta estranha variação da inveja: estar nos arquivos sonoros dos grampos de Pellicano virou um super-símbolo de status....

O detetive Pellicano e o diretor McTiernan: símbolo de status
04/04/2006
Hollywood está verde. Por causa da grana, é claro, que sempre foi o motor desta engrenagem. Mas agora, graças à
revista Vanity Fair, também por conta da ecologia, uma paixão que passou de leve pela indústria na década de 90 do século passado (lembram quando Sting queria salvar a Floresta Amazônica?) e que agora está de volta, aparentemente com mais susbtância. A VF garante que sua "edição verde", nas bancas dos EUA esta semana, será apenas o começo de uma "cobertura regular das ameaças ao nosso precioso meio ambiente".É claro que o assunto, por mais sério e urgente que seja, não teria charme algum se não fosse salpicado de estrelas - a VF já começa colocando Julia Roberts bem no centro de sua capa, produzida como uma deusa primaveril de alguma pintura renascentista, com o onipresente George Clooney a seus pés. (Julia , que só usa fraldas ecologicamente corretas em seus bebês gêmeos, está construindo uma casa em Los Angeles abastecida unicamente por energia solar; e George é garoto propaganda da campanha Oil Change, que propõe o abandono gradual do uso de combustíveis à base de petróleo)Lá dentro, a revista saúda mais astros verdes, entre eles o governador Arnold Schwarzenegger, Edward Norton, Bette Midler e Daryl Hannah.
Hollywood bem verdinha:Julia & George na capa da Vanity Fair
04/04/2006
Prometido é devido: voltei. Bem-vindos à minha caverna secreta. Mais ou menos.