05/05/2006
Esta é uma época do ano muito interessante em Hollywood- interessante e estressante. Num mercado para lá de saturado como o americano, onde a venda de ingressos cai a cada ano, é agora ou nunca: ou os estúdios fazem caixa de hoje até meados de agosto ou cabeças vão rolar, contratos serão renegociados, orçamentos refeitos e muitos, mas muitos projetos cancelados.
É numa hora dessas que a indústria reavalia os cachês de seus astros - tá certo que, especialmente nestas circunstâncias, o nome e a presença de uma estrela funciona como o seguro de um projeto caro, mas se a delicada equação custo-benefício não se equilibrar.... começam perguntas como a que está na capa da nova edição da revista Entertainment Weekly: será que Tom Cruise vale o dinheirão todo que ele custa?
Na mesma edição, uma pesquisa estabelece uma espécie de bolsa de salários: quem ainda vale o que pede, quem pode pedir mais, quem está no risco, quem está supervalorizado? Will Smith e Reese Whiterspoon podem cobrar bem, Matt Damon e Angelina Jolie estão seguros, Cameron Diaz começa a ficar arriscada e Harrison Ford e Jennifer Lopez deviam por a bola no chão, são algumas das conclusões.
E Tom Cruise? Vai depender do faturamento final de Missão Impossível 3, concordam os especialistas. E, principalmente, do que ele escolher como seu próximo projeto...

Na bolsa de Hollywood, Will Smith vale o que pede...


mas Harrison Ford é um risco.

E Tom Cruise? Depende...

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04/05/2006
Missão Impossível III: presta?
Vai “cumprir seu papel”, diz Todd McCarthy, o crítico sênior da Variety, cujo mandato é, basicamente, analisar o potencial de um título no mercado. A estréia de J.J. “Lost” Abrams na direção tela-grande é “competente” e Tom Cruise “ parece determinado a criar a versão humana de uma Ferrari. E consegue, num nível alarmante.”
O sagaz Kenneth Turan, crítico top do Los Angeles Times, acertou na mosca – Abrams, homem de TV,pode ser o cara certo para dirigir uma série de filmes que, afinal, têm sua origem numa série de TV. “Talvez seja por isso”, Turan escreve, que MI3 “parece dois episódios de uma série de TV vistos em seguida”.

A segunda parte, Turan e McCarthy concordam, é a melhor.


Tom Cruise em MI3, que estréia amanhã em todos os mercados: "versão humana de uma Ferrari"
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03/05/2006
Nem demorou tanto assim: as tsunamis que devastaram as costas do Oceano Índico em dezembro de 2004 vão ter sua versão tela-grande, lotada de efeitos especiais. A produtora Scott Free, dos irmãos Ridley e Toy Scott, acaba de fechar com a Fox 2000 – divisão “autoral” da 20th Century Fox- para produzir a adaptação do livro The Killing Sea, de Richard Lewis _ e Ridley está muito interessado em dirigir o drama-catástrofe. Lewis é um americano residente em Bali, filho de missionários e ex-surfista, e seu livro, previsto para janeiro de 2007, conta a história de dois adolescentes – uma americana e um balinês – em fuga para terras altas, durante as tsunamis.


Ridley Scott: de olho nas tsunamis
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02/05/2006
Sexo, drogas , rock and roll e “uma geração de cineastas entre 25 e 25 anos” (nas palavras do diretor Olivier Pere) marcam a seleção 2006 da Quinzena dos Realizadores onde, infelizmente, não há brasileiros. Nem nos curtas.

Os europeus dominam, e Pere espera “muita controvérsia” com o francês Les Anges Exterminateurs, inspirado nas aventuras eróticas do diretor Jean Claude Brisseau com suas atrizes que acabaram em múltiplos processos.

A animação tem destaque nesta Quinzena: num interessante contraponto com a presença de Os Sem Floresta, da DreamWorks, na competição do Palais, a Quinzena traz o belo digital francês Azur et Asmar, de Michel Ocelot e, na abertura, a co-produção alemã-dinamarqusa Princess, que mistura animação manga e atores num drama sobre prostituição infantil.

Hollywood? O mais perto que a Quinzena chega é com Bug, o novo, estranho e claustrofóbico título de William Friedkin, com Harry Conick Jr, e Ashley Judd no papel de um casal à beira do abismo psicótico, trancado num quarto de motel nos cafundós dos EUA. Até Gus Van Sant, que já está bem à vontade no mainstream, vem representado pela sessão especial de seu primeiro filme, o independentérrimo, preto e branco Mala Noche, de 1985 sobre meninos perdidos e drogados nas ruas de Portland, Oregon.

Além disso, só produções indie, como um quindim de Sundance, The Hawk is Dying, com Paul Giamatti e Day Night Day Night, segundo filme de Julia Loktev, sobre uma mulher-bomba (o assunto está começando a virar moda, parece).

E o rock and roll? Esse fica por conta do semi-documentário Daft Punk´s Electroma, uma produção canadense sobre as aventuras da banda pop francesa na estrada.


O abismo psicótico de "Bug"...


... a beleza digital de "Azur et Asmar"...


e um Van Sant vintage em "Mala Noche": todos na Quinzena 2006
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02/05/2006
Um dos filmes mais subestimados da produção americana – Tron, de Steven Lisberger (1982) – será a pièce de resistance de um ciclo muito especial de exibições em Los Angeles: Movie Magic: A Showcase of Technologically Innovative Films.

Promovido pelo Conselho de Ciência e Tecnologia da Academia – aquele pessoal que distribui os prêmios duas semanas antes dos Oscars, numa cerimônia que só os nerds de Hollywood vêem – Movie Magic é um evento de grande prestígio na indústria, e essencial para os cinéfilos hardcore.

Em suas edições anteriores, em 2003 e 2004, o Conselho destacou o uso da cor e evolução da tecnologia de captação de imagens, em exibições que, muita vezes, incluíam apenas clipes dos filmes mais raros e antigos. Este ano, pela primeira vez, quatro filmes considerados divisores de águas na tecnologia a serviço do cinema serão exibidos na íntegra, em novas e restauradas cópias.

Com seus meros 24 anos, Tron é o caçula. Ele será mostrado dia 7 de junho, na sede da Academia, no esplendor de seus 70 mm originais, como exemplo do uso pioneiro de animação digital como parte essencial da narrativa cinematográfica. Os outros títulos secionados para o Movie Magic 2006 são o belíssimo Sonho de Uma Noite de Verão estrelado por Olívia de Havilland, Oscar de fotografia de 1935, Applause, de 1929, o primeiro filme com som em dois canais, e The Rains Came, Oscar de efeitos especiais de 1939 por suas então inéditas seqüências de terremotos, furacões e inundações – cinema-catástrofe da primeira metade do século passado, feito a mão.

Só por curiosidade - além daqueles filmecos super mixurucas listados pelo IMD, alguém sabe o que aconteceu com Lisberger depois de Tron? Que misteriosa carreira, essa...




O admirável mundo novo de "Tron": para a Academia, um marco da tecnologia no cinema
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01/05/2006
Tornando realidade os prognósticos mais otimistas do estúdio, Vôo 93,de Paul Greengrass, desempenhou muito bem na bilheteria, ultrapassando a marca dos 11 milhões de dólares e indo para o segundo lugar no ranking americano, atrás apenas do novo filme de Robin Williams,a (péssima) comédia R.V.

Embora a reação do público ainda esteja polarizada, especialmente nas cidades mais afetadas pela tragédia do vôo e do dia 11 de setembro – São Francisco e Los Angeles, destino e base de vôo, e Nova York – a reação do mercado prevê uma trajetória sólida para o filme de Greengrass. Entre os críticos, o severo mas ponderado Kenneth Turan do Los Angeles Times e a implacável Manohla Dargis do New York Times deram seu aval a Vôo 93.

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28/04/2006
Um antigo ditado de Hollywood diz que é preciso ter muito cuidado com todas aquelas pessoas aparentemente menores e desimportantes que uma estrela conhece em sua ascensão ao Olimpo das telas – porque são essas as pessoas que podem amparar, amortecer e até evitar o longo caminho para baixo.

Gestos como o legitimamente sincero e carinhoso texto que Tom Hanks escreveu para o New York Times em comemoração à aposentadoria de seu maquiador Daniel Striepeke explicam uma boa parte da longevidade profissional e imensa popularidade de Tom dentro da indústria.

Ex- chefe do departamento de maquiagem da 20th Century Fox na "era de ouro" dos estúdios, Striepeke é um ícone do cinema, um maquiador legendário que contribuiu enormemente para a evolução das técnicas que tanto embelezam quanto tornam terríveis ou patéticos os rostos das estrelas. Há 15 anos Hanks entrega a ele, e apenas a ele, o preparo de seus diversos visuais.

Dan Striepeke e Tom Hanks no set de O Resgate do Soldado Ryan: texto carinhoso como presente de aposentadoria

Foto: MakeUpMag.com
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27/04/2006
Assim se entende a dança do poder em Hollywood: dez anos depois de sua primeira encarnação, I Am Legend recebe afinal a esperada luz verde. Will Smith vai estrelar e Francis Lawrence (Constantine) vai dirigir a adaptação do livro de Richard Matheson sobre o último sobrevivente intacto de uma epidemia que dizimou metade da população de Nova York e transformou a outra metade em mutantes assassinos.

Embora o sci-fi de Matheson já tenha inspirado vários outros filmes, o projeto da adaptação propriamente dita começou no início da década de 90 como um veículo para Arnold Schwarzenegger, então no auge de sua carreira como mega-herói. Ridley Scott seria o diretor, e o projeto andou rapidamente até ser vetado pelo estúdio em 1997 (a Warner, que detém os direitos do livro) quando seu orçamento chegou a100 milhões de dólares, inflacionado em grande parte pela presença de Arnold – cuja estrela, na verdade, começava a perder o brilho. Nicolas Cage e o diretor Michael Bay foram os próximos interessados, mas o projeto também não saiu da mesa.

Enquanto isso, outro projeto com mais de uma década de peregrinação acaba de morrer mais uma vez: Smoke and Mirrors, um dos melhores roteiros que jamais se tornaram filmes, foi mais uma vez vetado. A história de um grande ilusionista e sua bela assistente envolvidos numa intriga política no norte da África na virada do século 20 circula por Hollywood desde 1992, e já esteve nas mãos de Sean Connery e, mais recentemente, Michael Douglas, que já se via estrelando a história ao lado de Catherine Zeta Jones. Nada feito.


Will Smith : força do astro garante projeto que nem Schwarzenegger conseguiu realizar
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26/04/2006
Tom Cruise e sua parceira na produtora C/W, Paula Wagner, acabaram de fechar com a Paramount para levar à tela uma adaptação da matéria “The Fall of the Warrior King”, do correspondente do New York Times no Iraque, Dexter Filkins. O acerto prevê a participação de Cruise apenas como produtor, mas deixa em aberto a opção para que ele também estrele o projeto. Seria um gesto duplamente ousado: pelo tema do futuro filme, que acompanha ascensão e queda de um tenente coronel do exército americano obrigado a dar baixa sob acusações de morte sob tortura de um de seus prisioneiros; e pelo papel possível a Tom, exatamente o do oficial desgraçado.

O dramaturgo Stephen Belber foi contratado para escrever o roteiro, e o projeto está na pista acelerada, por um bom motivo: entre estúdios e independentes, já existem seis outros filmes sobre a Guerra do Iraque em produção, neste momento, incluindo um dirigido por Paul “Crash” Haggis (Against All Enemies) e outro dirigido por Ridley Scott para a própria Paramount (The Invisible World).

Será extremamente interessante notar as diferentes visões, especialmente porque, ao contrário de outros conflitos recentes ,como Vietnã e a primeira invasão do Golfo, a situação no Iraque ainda está em pleno calor dos acontecimentos, sem resolução à vista.


Cruise na estréia de MI3 em Paris: como produtor, no Iraque

Foto: Reuters.com
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26/04/2006
Um "silêncio sepulcral" interrompido apenas por "uma cacofonia de soluços e choro" encerrou a première de Voo 93, ontem à noite no Festival Tribeca em Nova York. As famílias dos passageiros do verdadeiro vôo United 93 - o que caiu na Pensilvânia na manhã de 11 de setembro de 2001- foram as convidadas de honra do evento, e deram um tom sombrio mas exato à noite. Depois da exibição a parente de uma das vítimas disse a um ator que fez o papel de um dos sequestrados que ele havia sido "muito corajoso".

Foi uma excelente estréia para o filme de Paul Greengrass, que recria, em seu estilo semi-documental, o destino trágico do único avião envolvido nos incidentes de 11 de setembro onde houve uma revolta dos passageiros. O filme foi levado a sério no local onde havia mais nervos à flor da pele, e as primeiras críticas - do Village Voice e do Variety - também foram positivas.. Um sinal de longevidade para Vôo 93 - agora é ver como será recebido no resto do mundo o primeiro filme feature a abordar a tragédia de 11/9.




Lourdes Lebron mostra a foto de sua irmã, Waleska Martinez, uma das vítimas do vôo United 93, na estréia do filme de Paul Greengrass no Festival Tribeca: uma cacofonia de soluços

Foto: Reuters.com
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