15/05/2006
Se George W. Bush e sua turma já não tivessem motivos suficientes para se preocupar, Mel Gibson
acaba de fornecer mais um. Conversando com jornalistas a respeito de seu novo projeto como diretor-produtor, o apocalíptico
Apocalypto, Gibson disse que , para ele, o pano de fundo do filme - os líderes desorientados de um império maia decadente, que buscam impor a ordem e manter o poder através do medo – é “muito parecido” com a atual administração dos EUA.
A tijolada de Gibson doeu ainda mais nos conservadores de inclinação fundamentalista que, pouco tempo atrás, tinham se tornado fãs de caderninho do astro-cineasta graças à
Paixão de Cristo.
Em Apocalypto, líder maia desorientado impõe a ordem pelo medo: George W. Bush?Foto: CinemaBlend.com
14/05/2006
Catástrofe em Hollywood: o fim de semana do Dia das Mães foi um
desastre na bilheteria, com todas as estréias rendendo abaixo do esperado e as continuações se segurando como podiam.
Poseidon, que seria o arrasa-quarteirão da semana, mal passou da fatídica marca dos 20 milhões de dólares, estreando em segundo lugar e deixando o topo das bilheterias para
Missão Impossível 3 – o que explica a
manchete engraçadinha da Variety. Boa noticia para Tom Cruise? Não necessariamente – o desempenho total do filme na boca do caixa continua abaixo dos anteriores da série, e só mesmo o desastre total de
Poseidon lhe deu vantagem esta semana.
Mas a coisa foi ruim para todo mundo:
Just My Luck e
Gol!, dois filmes que esperavam ficar com as rebarbas dos grandes lançamentos, tiveram desempenhos inexpressivos. O primeiro, uma comédia romântica com Lindsay Lohan, visava as garotas, mas mal passou dos 5 milhões de dólares. O segundo contava com o clima pré-Copa para atrair em massa um verdadeiro mito, o Santo Graal dos estúdios: o público latino jovem. Mas, com pífios 2 milhões de dólares de bilheteria, não passou de um chute fora.
E por falar em Graal, esta semana agora é do
Código da Vinci. Aí é que a coisa vai ficar complicada mesmo.
O novo Poseidon: afundou mesmo
12/05/2006
A partir de hoje é possível ver
King Kong, de Peter Jackson, no conforto de sua casa,
na hora em que desejar. Nos EUA o filme está disponível numa série de plataformas que incluem a web, cabo e satélite, mas internautas podem baixar o épico símio através do
CinemaNow. É um passo importante da estratégia de Hollywood para não ser devorada pela esfinge digital: em vez de chamar todo mundo de pirata, oferecer opções razoáveis que atendam ao que o público quer.
O Segredo de Brokeback Mountain Será o próximo grande lançamento neste esquema
Internautas de todo o mundo também podem desfrutar de um bônus bacana : os famosos vídeo-diários de Peter Jackson , dando uma verdadeira aula de cinema na prática, estão disponíveis agora no
mini-site do IMDB.
Só resta esperar a versão de luxo do DVD onde, segundo papo entre Jackson e James Cameron, King Kong poderá ser visto em 3D.
Kong: na web hoje, em 3d daqui a pouco?
11/05/2006
Divididos entre o medo de depender demais dos mercados internacionais e o pavor de não trabalha-los devidamente, dilacerados pelas escolhas entre superexpor e não expor o bastante, os estúdios estão reagindo como de costume aos dilemas da temporada pipoca 2006: gastando muito dinheiro.
E, para felicidade de Gilles Jacob e seu pessoal, os dólares estão
indo direto para a Croisette: Cannes verá uma blitz de astros, diretores e exibições promocionais como as dos velhos tempos pré-11 de setembro. Cate Blanchett, e Gael Garcia Bernal irão dar uma força a
Babel, de Alejandro Inarritu – afinal,uma cria da Croisette- assim como todo o elenco de vozes ( inclusive Bruce Willis) de
Os Sem Floresta .
As mais interessantes são as famosas sessões fechadas, onde estúdios apresentam a mídia e mercados estrangeiros filmes que não estão nem prontos, só para testar a receptividade e começar a gerar boca a boca. No passado, títulos tão diferentes quanto
Armageddon, a trilogia
Senhor dos Anéis e
Austin Powers já se beneficiaram deste caro mas proveitoso esquema.
Este ano, Oliver Stone vai a Cannes apresentar cenas selecionadas de seu
World Trade Center, e o diretor Bill Condon e as estrelas de
Dreamgirls – Beyoncé, Jammie Foxx – vão badalar uma prévia do musical que muitos olheiros consideram o primeiro
favorito ao Oscar.
Dreamgirls: da Croisette para o Oscar?
11/05/2006
A meia-bomba de
Missão Impossível 3 está deixando muito mais que Tom Cruise e seus amigos de cabelos em pé. Apesar do coro de
protestos e votos de alta estima vindo dos setores esperados – chefes de estúdio que nunca estão contra ou a favor de coisa alguma, muito pelo contrário, a sócia Paula Wagner, companheiros de Cientologia – o clima em Hollywood é de alerta. Os tempos estão mudando, como cantava aquele fanhoso bardo dos anos 60.
A fragilidade de
MI3 nos mercados internacionais apavorou ainda mais a indústria. Que a bola de Tom Cruise tenha baixado na América do Norte é ruim – especialmente para o status – mas que a receita das principais praças européias também tenha caído é trágico.
Segundo a
Variety, MI3 teve resultados medíocres na França e Grã Bretanha (onde o distribuidor local culpou o bom tempo pelo derrocada, alegando que os ingleses , nesta época do ano, preferem passear ao ar livre do que ver Tom Cruise fazendo rappel) e catastróficos na Alemanha – três dos maiores mercados do mundo. Ásia e América Latina – inclusive o Brasil, onde o filme de J.J. Abrams teve resultados excelentes- vão bem, mas no filé mignon a coisa foi mal.
Uma queda de 72% na venda de ingressos nos EUA ajudou a aumentar o clima de pânico – a dependência do mercado estrangeiro é, agora, muito mais crucial. No cinema como no petróleo...
10/05/2006
A estrela de Tom Cruise perdeu brilho, sim – este é o resultado de uma
pesquisa de mercado realizada pelo jornal USA Today e o Instituto Gallup e divulgada nos EUA há poucos minutos. A pesquisa veio na seqüência da bilheteria decepcionante de Missão Impossível 3 nos Estados Unidos, e indica, sem sombra de dúvida que, ao menos na América, Cruise perdeu seu principal público, o feminino: 51% das mulheres pesquisadas disseram ter uma opinião desfavorável do astro, enquanto, um mero ano atrás, 58% eram totalmente a favor de Cruise. Super-exposição, opiniões antipáticas – principalmente as críticas a Brooke Shields e seu uso de medicamentos para tratar depressão pós-parto- e as acrobacias histriônicas diante da mídia contribuíram decisivamente para a virada.
Isto é particularmente importante num mercado onde quem mais decide a compra de ingressos de cinema são as mulheres, e não mais os adolescentes do sexo masculino que dominaram o consumo nas décadas de 80 e 90.
TomKat na premiere de MI3 no Chinese Theater de Los Angeles: o mulherio não aguenta mais
Foto: Reuters.com
10/05/2006
A guerra do Iraque é engraçada? Hollywood acha que sim – senão a indústria inteira, pelo menos a rede a cabo USA, parte do conglomerado NBC, que
acaba de encomendar à Icon Productions de Mel Gibson e Bruce Davey a minissérie
Peace Out, tendo o conflito como pano de fundo, num tom decididamente cômico.
A comparação imediata (e fonte de inspiração, com certeza) é
M*A*S*H a vitoriosa série de TV baseada no filme homônimo de Robert Altman. Mas ali a época era outra -1972-1983 - e a guerra ao fundo, também: a da Coréia, muito mais distante e isolada do grande público que os banhos de sangue diários que vem de Bagdad. O tom de filme e série era sarcástico e crítico – será que isso seria possível na situação atual, ainda mais com
Peace Out tendo como premissa “dois garotões baladeiros que vão para o Iraque em busca de aventura”? Mal posso esperar pelas piadas sobre decapitações e carros-bomba....
M*A*S*H, primeira temporada, 1972: basta mudar para o Iraque e adicionar carros-bomba?
09/05/2006
A indústria ainda não parou de tentar decifrar o desafio da esfinge
MI3. Notem o seguinte: em Hollywood, a percepção vale muito mais do que os simples fatos. Se a Paramount (um estúdio por cima da carne seca desde a aquisição da DreamWorks) espera uma estréia de 60 milhões de dólares e tem 47 milhões, a percepção não é exatamente de sucesso – mesmo que esta seja uma quantia muito maior do que eu e você vamos ver em todas as nossas vidas. Quando um veículo conceituado no meio como a Variety diz que a
“Missão é Impossível” e que “o gatilho de Tom Cruise engasgou”, tem-se uma boa média do peso desta implosão.
Não, ninguém ousaria usar a palavra “fracasso”, mas numa temporada como esta, onde só se arrisca quem tem munição pesada, onde a escala de tudo é gigantesca – orçamentos, expectativas, campanhas de marketing, salários – um escorregão desses é quase um escândalo. Hollywood faz contas como a da Variety:
MI3 fez 11 milhões a menos que
MI2, lançado seis anos atrás com 400 telas a menos. Com um agravante:
MI3 tem apenas estas duas semanas para fazer a diferença, se isso for possível. Dia 19 estréia
O Código Da Vinci, e acabou-se a sopa.
E não interessa que
MI3 esteja bombando na Ásia – o que interessa mesmo, o que pesa, o que determina o status de uma estrela em Hollywood é sua percepção em casa. Jean Claude Van Damme arrebenta na Ásia. Preciso dizer mais?
E então - a estrela cai? Ainda não, mas vai para o risco, local onde Cruise, o “Sr. Teflon”, como os especialistas gostam de chamá-lo, praticamente nunca esteve.
Uma boa análise do que pode estar ocorrendo está no site da Entertainment Weekly. Em resumo: superexposição, má imagem graças à pregação incessante da Cientologia, mudança no perfil do seu público.
Mas para que não haja dúvida de que
MI3 é um belo exemplar de ótimo cinema-pipoca, aqui vai uma
aula de como ver cinema, nesta análise de uma das seqüências mais geniais do filme de J. J. Abrams.
A estrela no telhado: como ver uma sequência esperta de MI3
08/05/2006
MI3: o copo (da bilheteria) está meio cheio ou meio vazio? Na competição pelos maiores números da temporada-pipoca, ler índices de vendas de ingressos é uma arte como a dos antigos oráculos – o passado recente e o futuro imediato de muitas carreiras estão ali, junto com os índices de venda-por-tela e quadrantes de público. E no resumo dos primeiros sinais de fumaça,
MI3 foi muito bem (para J.J. Abrams) e muito mal (para Tom Cruise).
Bem para Abrams porque
MI3 recebeu as críticas mais homogeneamente positivas da trinca de filmes. Vai, aqui, minha modesta contribuição: em que pesem os nobres currículos de Brian de Palma e John Woo, este foi o
MI que mais me agradou, e que, para mim, melhor trabalhou os elementos da série original. Ponto para Abrams, que compreende a engenharia diversa mas complementar de tela pequena e tela grande.
Mal para Cruise porque os números, no mercado norte –americano e internacional, apontam para o enfraquecimento de sua estrela, num paralelo perfeito com suas recentes peripécias como garoto-propaganda da Cientologia. Foram exatamente os mercados mais estafados pelas piruetas e pregações de Cruise que exibiram os números mais decepcionantes: Estados Unidos, Canadá, França e, sim, Alemanha onde,
ao contrário do relatório da Reuters, MI3 faturou 65% abaixo de
MI2. Apenas a Ásia, mais distante das aventuras de Cruise, o pregador, e com uma percepção diferenciada do consumo do estrelato, respondeu bem a
MI3.
Bilhetinho para Tom: hora de ficar em casa um tempinho, dar um corte na superexposição. E voltar para os braços da feroz, implacável mas sumamente eficiente Pat Kingsley, a super-divulgadora que tão bem administrou sua carreira até o momento em que você resolveu virar apóstolo de L.Ron Hubbard.
Cruise em MI3: hora de dar um tempo
05/05/2006
A medida pela qual se estabelece se um ator ou atriz é “bancável” é quanto o seu filme fez na bilheteria. É uma disputa parecida com a dos prêmios, só que mais feroz, difusa e cara: os grandes distribuidores gastam fortunas (iguais ao orçamento de um filme completo) para influenciar as mentes e gostos de platéias mundo afora, mas na hora h quem tem poder total é quem compra o ingresso. No final do ano as estatuetas avalizam idéias e dão prestígio. Mas agora os estúdios descobrem o que as pessoas estão consumindo ou querendo consumir, que gêneros estão agradando ou não, e quem, como o He-Man, tem a Força: a Força de vender milhões de ingressos.
É uma roleta (russa?) e, como na temporada de Oscars e companhia, oráculos e apostas são feitas. Quem vai triunfar na temporada-pipoca? Quem vai se dar mal? E quem vai ser o filme-surpresa?
Mais até que para os prêmios, não há consenso. Para a revista
Premiere, Piratas do Caribe 2, Super-Homem, o Retorno, a animação digital Carros, X Men 3 e Missão Impossível 3 serão os reis da bilheteria, acumulando entre 300 (Piratas) e 210 milhões (MI3) de dólares apenas na América do Norte.
A Entertainment Weekly aposta que Super Homem-o Retorno será o filme capaz de atingir a mágica barreira dos 300 milhões de dólares, seguido por MI3 (260 milhões), X3 (240 milhões), Carros (235 milhões) e Código Da Vinci (225 milhões). Sucesso-surpresa, para o EW, vai ser a comédia You, Me and Dupree , com Owen Wilson e Kate Hudson.
Isso são as apostas da mídia de papel:os palpites da galera da internet são bem diferentes. Numa
pesquisa feita pelo Calendar Live do Los Angeles Times com feras de vários sites e blogs de cinema,
Piratas do Caribe 2 e
Código da Vinci lideram as apostas como os maiores sucessos da temporada. Os maiores fracassos?
Miami Vice,
Super-Homem o Retorno e o épico nativo-viking
Pathfinder aparecem na maior parte dos palpites. E quase todo mundo põe as fichas em
Serpentes a Bordo para ser o grande sucesso inesperado do ano, “mostrando a força da internet como formadora de público”.
E você, o que acha? Quem vai estourar, se dar mal e se revelar? Eu estou apostando no sucesso de
Código da Vinci (apesar de Ron Howard e da peruca do Tom Hanks),
Piratas do Caribe 2 (porque tem Terry Rocio no roteiro, Orlando Bloom de colírio e Johnny Depp parecendo Keith Richards pré-coqueiro) e
Serpentes! Serpentes a Bordo! Viva Sam Jackson! Ele não quer ver mais essas @#&***!! dessas serpentes!

As apostas da temporada-pipoca: Código Da Vinci e Piratas do Caribe 2, sucesso certo
Super-Homem, o Retorno: palpites divididos
Miami Vice:pouca chance
Serpentes a Bordo: sucesso surpresa, na certa