25/05/2006
A Croisette pode ainda estar debatendo
Maria Antonieta, a volta do pornô-de-autor e
os erros do Código da Vinci, mas, em Hollywood, é
Veneza que entra nas agendas. Filmes que não ficaram prontos a tempo para Cannes, como
Inland Empire, de David Lynch, e
World Trade Center, de Oliver Stone, são alguns dos títulos mais falados como possibilidades no Lido.
Dreamgirls, o sucesso-instantâneo de Cannes 2006, ainda não estará pronto a tempo de ir para Veneza, mas há o novo Ridley Scott com Russel Crowe,
A Good Year, e Clint Eastwood com pelo menos uma das versões da batalha de Iwojima,
Flags of Our Fathers.
O Festival de Veneza vai de 30 de agosto a 9 de setembro. 15 de junho é o prazo-limite para submeter filmes - mas as negociações em alto nível rolam até o último minuto.
Russel Crowe e Marion Cotillard em A good year: em Veneza?Foto: Cinempire.com
24/05/2006
Era inevitável, Gafanhoto: a série
Kung Fu, super-sucesso na TV dos anos 70,
vai virar filme arrasa-quarteirão. A Legendary Pictures, produtora semi-independente com boas fontes de financiamento e um acordo com a Warner, acaba de adquirir os direitos do criador de Chang Caine, Ed Spielman.
A Legendary é a produtora responsável por dois filmes de alta visibilidade nesta temporada ,
Superhomem, o Retorno e
A Dama na Água, o novo de M. Night Shyamalan. E é claro que o
Kung Fu tela grande já está em ritmo acelerado de desenvolvimento, com um punhado de estrelas asiáticas duelando pelo papel que David Carradine imortalizou na TV ( ele bem que poderia ser o Mestre, agora). Quem vai ficar com o Gafanhoto?
Carradine na série dos 70: quem vai ficar com o Gafanhoto?
22/05/2006
A
espetacular bilheteria de
Código Da Vinci deixou em seu rastro alguns fatos e tendências muito interessantes que podem indicar mudanças importantes no perfil da temporada-pipoca.
Por exemplo: à sombra do criptex ficou o
fraco desempenho de
Os Sem Floresta: pouco mais de 37 milhões de dólares em sua estréia norte-americana, a mais fraca bilheteria para um longa de animação da DreamWorks desde
Formiguinhaz. O estúdio programou o desenho animado na mesma data do filme de Ron Howard certamente contando em pegar um outro público, aquele que não queria (ou, por limite de idade) não podia ver
Da Vinci. A diferença de 40 milhões no total apurado em Canadá e Estados Unidos revela, possivelmente, que havia muito pouca gente na categoria "não queria" e ainda menos na "não podia" - esses, certamente, vão, por ordem dos pais, esperar o DVD, tão mais conveniente.
O próximo fim de semana - feriadão nos Estados Unidos - vai mostrar com mais clareza se estamos mesmo vendo um divisor de águas. Para uma estação tão inconseqüente,
Da Vinci é um filme quase cabeça, com pouca ação, tiros, etc. Seu apelo é cerebral - afinal seus heróis são um antropólogo e uma criptógrafa- e as pesquisas de mercado revelam que foram os adultos , divididos igualmente em mulheres e homens, que acorreram para vê-lo. E nem críticas negativas, nem protestos e similares interferiram em seu extraordinário sucesso.
Os Sem Floresta: sem sucesso, também
21/05/2006
O Código da Vinci superou
todas as expectativas: apesar das críticas negativas, o filme de Ron Howard tornou-se a
maior bilheteria de estréia de todos os tempos nos mercados internacionais – 147 milhões de dólares. Nos Estados Unidos e Canadá,
Da Vinci passou em muito a marca esperada pela Sony, que previa 60 milhões na boca do caixa, e ficou, toda sorridente, com 77 milhões de dólares em três dias, a maior bilheteria de estréia do ano, até agora. No total, 224 milhões de dólares de bilheteria em todo o mundo - a quarta maior até agora, atrás apenas de
Guerra nas Estrelas:Episódio III,
Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e
Guerra dos Mundos - filmes que estrearam não numa sexta feira, como
Da Vinci, mas em meio de semana, com mais tempo em cartaz logo na largada.
Não é preciso alinhar as letrinhas de um criptex para descobrir o que aconteceu: pela força exclusiva do livro, sua trama e premissa,
Da Vinci se tornou imune a críticas negativas. Quem leu o livro, quer ver o filme - simples e poderoso assim. E, com certeza,
O Código Da Vinci será um dos maiores sucessos populares do ano.
Eu, que achei o livro divertido e o filme, mais ou menos - brilhante em alguns achados visuais, chato nos longos bla-bla-blas de explicação que são a assinatura do roteirista Akiva Goldsman - creio que a crítica do sempre ótimo
Kenneth Turan, do Los Angeles Times é a mais completa e coerente de todas.
Sem mistério: o Código arrebenta nas bilheterias do mundo todoFoto: Reuters.com
20/05/2006
Os ecos de Cannes já reverberaram em Hollywood- e com força.
20 minutos de Dreamgirls foram suficientes para colocar a versão tela-grande do musical da Broadway assinada por Bill “Chicago” Condon na linha de frente dos primeiros favoritos para o Oscar. As quatro cenas mostradas para uma platéia de convidados arrebataram aplausos e a festa, em seguida, consolidou a
pole position do filme.
Olho vivo: no passado o efeito-Cannes levou até o ouro filmes como
Pulp Fiction e
O Tigre e o Dragão.
Jennifer Hudson, Anika Noni Rose, Beyonce Knowles e Jamie Foxx, elenco principal de Dreamgirls, na Croisette: 20 minutos bastaramF
oto: Image.net
19/05/2006
Tom Cruise e Reese Whitherspoon são os atores mais poderosos de Hollywood. Steven Spielberg é o diretor que mais domina, a produtora da vez é a Pixar de John Lasseter e Steve Jobs, e o grande estúdio-distribuidor do momento é a Warner. O estrangeiro mais poderoso da indústria é o neozelandês Peter Jackson e o produtor com mais bala na agulha é Jerry Bruckheimer.
Estas são as conclusões da
revista Premiere americana em sua esperadíssima edição anual dedicada exclusivamente ao poder em Hollywood. A piece de resistance é a famosa lista dos Top 50, que reúne executivos, diretores, agentes e atores que a equipe da revista (com o apoio de alguns consultores abalizados, informadíssimos e, é claro, anônimos) considera donos do pedaço, capazes de realizar o que bem entenderem quando bem entenderem.
As flutuações são interessantes. Reese, por exemplo, tomou o ranking de Julia Roberts, que foi parar logo atrás dela, e Will Smith subiu quatro postos para colar imediatamente abaixo de Tom Cruise. Mel Gibson, Russel Crowe, Nicole Kidman e Denzel Washington caíram alguns pontos, enquanto Angelina Jolie, Matt Damon, Brad Pitt, Johnny Depp e George Clooney subiram consideravelmente. As estréias são ainda mais interessantes: Ang Lee, Keira Knightley, Steve Vaughn, Jake Gyllenhaal, Bryan Synger e a própria Reese Whitherspoon aparecem pela primeira vez entre os Top 50.
E, em espertas mini-materias ao longo do ranking, descobre-se que os estúdios americanos só querem saber de projetos baratos (até 30 milhões de dólares, que é “barato” em Hollywood) ou então caríssimos no estilo arrasa-quarteirão. E que o gênero mais provável de receber a esperada luz verde é “a comédia romântica sexy” na linha de
Quem Vai Ficar com Mary e
O Virgem de 40 anos. Em outras palavras: pornochanchada de luxo.



Reese, Tom, a turma da Pixar, Spielberg: os meninos superpoderosos
18/05/2006
Depois de dois Oscars consecutivos (
Crash-No Limite,
Menina de Ouro), Paul Haggis se prepara para
voltar às origens: a TV. Em outubro a rede americana NBC estréia
The Black Donnellys, série de 13 episódios sobre uma quadrilha de jovens mafiosos irlandeses em Nova York.
Haggis escreveu e dirigiu a série inspirada numa família famosa de seu nativo Canadá, imigrantes irlandeses massacrados no século 19 como resultado de antigas disputas familiares.
Até 2001 Haggis era um escritor-de-aluguel na TV americana, assinando roteiros em seriados de pouco prestígio. O produtor Robert Moresco - que também assina o roteiro de Donnellys - foi quem lhe deu a primeira chance fora da telinha, encomendando (e pagando no barato) a adaptação dos contos de F.X. Toole que eventualmente se tornaria
Menina de Ouro.
Haggis deve estar se divertindo muito com essa volta - ainda mais que em 2007 vem outra série sua, aquela baseada em
Crash.
Thomas Guiry, Billy Lush, Jonathan Tucker e Michael Stahl David , os Black Donnellys: a volta (por cima) de Paul Haggis à TV
17/05/2006
Quer se antecipar à badalação de Cannes? Oliver Stone ainda vai apresentar a prévia do seu
World Trade Center na Croisette, mas um trailer está disponível
aqui. Duas coisas chamam a atenção: a magreza de Nicholas Cage e o clima não-conspiratório, muito pelo contrário.
Aliás, numa sacada esperta, o crítico da Entertainment Weekly faz um
paralelo interessante entre
Código da Vinci e
JFK, e, por extensão, entre a Última Ceia e o filminho de Zapruder do assassinato de Kennedy. Tudo para concluir que o filme de Ron Howard é chato, mesmo - e que o livro é melhor.
Nicholas Cage: magérrimo em WTC, de Oliver Stone
17/05/2006
O verdadeiro
Código da Vinci pode ser este: será que o filme de Ron Howard sobreviverá às
criticas predominantemente negativas que recebeu depois de tanto suspense? Pior que as críticas foram as
risadas da seleta platéia de críticos e convidados, durante cenas supostamente dramáticas – poucas coisas têm mais aura de “beijo da morte” do que isso.
Este é o problema de se guardar um filme debaixo de sete chaves e expô-lo com tanta badalação e pompa num ambiente como Cannes, uma das maiores caixas de ressonância do mundo do cinema: tudo se torna infinitamente maior. É um jogo arriscadíssimo - a Sony
escondeu propositalmente o filme da mídia, eliminando todas as cabines prévias para “manter um clima de mistério e interesse”.
No campo das resenhas, o tiro saiu pela culatra – quando
A O Scott, o crítico “bonzinho” do New York Times, diz que Ron Howard conseguiu fazer um filme que parece demorar mais que a leitura do livro, e o ponderado
Todd McCarthy da Variety flerta com a palavra “chato” (veneno mortal num trade), a coisa não vai bem mesmo.
E o público? Nos EUA
Código da Vinci é o filme mais esperado da temporada, e 27% do público pesquisado pela Exhibitor Relations dizem que o filme de Ron Howard seria sua opção número um nos próximos meses. Internacionalmente, os ecos de Cannes podem ter mais efeito, e ainda há o problema das reações adversas de grupos religiosos – uma questão que
Howard abordou com um conselho ambíguo: “se você acha que vai ficar ofendido com o filme, não veja”.
Uma boa hora para reler o
delicioso artigo de Patrick Goldstein sobre o sabor da derrota em Hollywood. Quando um filme implode nas críticas e sobretudo na bilheteria nesta terra, “é o equivalente à gripe aviária da indústria”.
Tom Hanks desembarca sorridente do Eurostar em Cannes para a estréia de Código da Vinci: depois, tudo ficou diferente Foto: Reuters.com
16/05/2006
Hollywood e Broadway confirmaram seu antigo caso de amor nas
indicações para os prêmios Tony, anunciadas hoje em Nova York. Julia Roberts não foi indicada para o Tony de melhor atriz por
Three Days of Rain, como esperavam alguns de seus fãs mais ardentes (que ainda tinham esperanças, mesmo depois do massacre da crítica, alegando que o fator-estrela era quase irresistível num ano com poucas concorrentes). Mas muitas estrelas da tela com conexões teatrais saíram laureadas: Ralph Fiennes (que sempre foi, basicamente, ator de teatro) favorito na categoria melhor ator por
Faith Healer (também indicada na categoria remontagem), Cynthia Nixon (a Miranda de
Sex and the City), indicada para melhor atriz por
Rabbit Hole, Oliver Platt disputando com Fiennes por
Shining City, Harry Conick Jr, melhor ator em um musical por
The Pajama Game (também indicado como remontagem de musical).
Mais interessantes ainda são as outras conexões Broadway- Hollywood, como ver três peças indicadas –
A Cor Púrpura ,
Tarzan e
The Wedding Singer – cujas origens imediatas são três filmes (mesmo que dois deles tenham raízes mais remotas em livros.) É um caminho cada vez mais comum, uma mudança de mão curiosa e até contra-intuitiva (não parece mais “normal” um filme baseado numa peça?) que não tem a menor intenção de terminar.
E fiquem de olho em
The History Boys _ a comédia dramática de de
Nicholas Hytner sobre um grupo de estudantes tentando o vestibular para Oxford levou sete indicações, inclusive melhor peça, e já tem um filme pronto, realizado pelo próprio Hytner com o mesmo elenco da Broadway. O clima
Sociedade dos Poetas Mortos, a aclamação crítica e o pedigree de Hytner (
A Loucura do Rei George,
As Bruxas de Salem) indicam um atalho rápido para a linha de frente de Oscar e companhia.
Fiennes em Faith Healer: um favorito de boa estirpe na conexão Broadway-Hollywood