23/07/2006
DAMA NA ÁGUA AFUNDAConfirmando todos os prognósticos mais pessimistas dos executivos da Disney que rejeitaram o projeto,
A Dama na Água submergiu feio numa bilheteria de 18.2 milhões de dólares, muitíssimo abaixo das expectativas _ na verdade, um terço da bilheteria de estréia de
A Vila, que já não tinha ido muito bem. O novo filme de M.Night Shyamalan estreou em terceiro lugar nos EUA depois de um verdadeiro
massacre da crítica. Interessante notar que o livro de Michael Bramberg , comentado aqui alguns dias atrás, foi apontado por vários analistas como um dos elementos que contribuíram para o boa-a boca negativo em torno de
Dama. Eu tinha dito que era uma jogada arriscada se deixar retratar como um mártir incompreendido. No topo do box office, os
Piratas do Caribe continuam cantando ho-ho-ho...
Bryce Howard e Paul Giamatti em Dama na Água: massacre crítico, naufrágio de bilheteria
21/07/2006
NOVIDADE NO OSCAR 2007Laura Ziskin, produtora, entre muitos outros, dos dois
Homem Aranha, é quem vai comandar a festa do Oscar em 2007. Cinco anos atrás Ziskin foi a primeira mulher a pilotar o mega-evento, produzindo aquele Oscar histórico em que Halle Berry e Denzel Washington venceram como melhores atores, o Cirque du Solei se apresentou e
Uma Mente Brilhante foi o melhor filme.
Só para lembrar: o 79 Academy Awards será dia 25 de fevereiro. Dia 26 de dezembro os envelopes para as indicações serão postos no correio, e as nominações serão anunciadas dia 23 de janeiro.
Laura Ziskin: comandando o Oscar 2007
21/07/2006
A VINGANÇA DE SHYAMALANMesmo antes da estréia (hoje, nos EUA) de
A Dama na Água, Hollywood já estava acesa com as conversas em torno de
The Man Who Heard Voices, o livro em que seu diretor, M. Night Shyamalan (com a ajuda do jornalista Michael Bamberger, da revista Sports Illustrated) conta sua versão dos fatos nos bastidores do filme. O livro chegou às livrarias ontem (em cima do lançamento do filme, claro) mas seus originais já circulam há tempos nas internas, dividindo opiniões. (Você pode ler um trecho saboroso, que relata o "massacre" do projeto , na página da
Entertainment Weekly).
A síntese da coisa é a seguinte: Shyamalan, o diretor-prodígio de
O Sexto Sentido, levou um belo chute da Disney, o estúdio que produziu todos os seus filmes nos últimos anos, por conta de um argumento que todos os executivos da casa consideraram "confuso", "incompleto" e "sem graça" _ a história da bela moça de origem misteriosa que aparece nadando na piscina de um prédio. Embora (segundo o livro) o estúdio (na pessoa de um dos seus principais executivos) tenha voltado atrás momentaneamente ("pegue os 60 milhões e faça o filme, não vamos interferir"), Shyamalan ficou tão "profundamente ferido" que levou seu projeto para o rival Warner. E, não contente, ainda contratou Bamberger para contar toda a história...
É uma jogada arriscada. Mesmo tendo todo o controle sobre a obra _Bamberger pinta Shyamalan quase como um mensageiro de outra galáxia vindo à Terra com a missão de salvar o cinema americano _ admissões públicas de rejeição são complicadas em Hollywood, especialmente para alguém como Shyamalan, cujos últimos filmes foram mal recebidos pela crítica e, embora longe do fracasso, não repetiram os números espetaculares de
O Sexto Sentido. Aí está um esporte que a cidade adora: ver quem ri por último... Por enquanto, apesar das
primeiras críticas negativas, Shyamalan deve estar saboreando as
demissões em massa na Disney, que incluíram, implacavelmente, a maior adversária de
Dama na Água, a presidente de produção Nina Jacobson.


Shyamalan, sua Dama e seu livro: doce vingança?
20/07/2006
AS ÚLTIMAS DA ACADEMIAA Academia está cheia de novidades. Entre elas,
seis novos integrantes em sua diretoria, que prevê três diretores para cada um de seus 14 departamentos, cada qual com mandatos de três anos que podem ser renovados três vezes pelo voto dos colegas.
Se você sempre teve curiosidade em saber quem manda na Academia, aqui vão alguns nomes:
-Alexander Payne, Paul Mazursky e Curtis Hanson chefiam o Departamento de Diretores
-John Lasseter, Carl Bell e Jon Bloom pilotam o Departamento de Curtas e Animação
-Michael Apted, Rob Epstein e Freida Lee Mock são os cabeças do sempre controvertido Departamento de Documentário
-Tom Hanks, Kathy Bates e Ed Begley Jr. são os diretores do maior de todos os Departamentos, o de Atores.
No mesmo embalo, a Academia finalmente deu o primeiro passo para a realização de um projeto esperadíssimo _ a criação de um Museu do Cinema em Los Angeles. Parece incrível, mas a capital do cinema, que tem ótimos museus de artes plásticas e até um muito bom de televisão ainda não havia ganhado um espaço público à altura de sua tradição cinematográfica. Agora, aparentemente, isso vai mudar: a
Academia acaba de fechar com a empresa Gallagher & Associates, especialista no setor, para criar o projeto de “um museu diferente, com grande integração entre o público e o material exibido”. O Museu do Cinema vai ficar no terreno ao lado da espetacular Biblioteca Margaret Herrick, da Academia, no coração de Hollywood. As obras, se tudo der certo, começam na virada de 2008 para 2009.


Hanks, Bates, Begley: os poderosos chefões do Departamento de Atores
19/07/2006
TRAGÉDIA DÁ SORTE?Três anos atrás, Nicole Kidman arrebatou um Oscar, um prêmio Bafta, um Urso de Prata, e um Globo de Ouro vivendo uma grande artista assombrada por demônios interiores que acabam por levá-la ao sucídio. O filme era
As Horas e a artista trágica era a escritora Virginia Woolf. Agora, Hollywood está acesa com a possibilidade de um repeteco _ porque Nicole está dando um banho como a talentosa, trágica fotógrafa Diane Nemerov Arbus em
A Pele (Fur) de Steven Shainberg (
A Secretária). O filme ainda não estreou _ vai entrar em circuito limitado em novembro , nos EUA, exatamente para qualifica-lo para os prêmios_ e o boca a boca já está forte, o que é ótimo já que
Fur é uma
produção independente, sem os recursos de um grande estúdio por trás.
Quase ou mais interessante que o filme e suas possibilidades é sua trajetória de mais de duas décadas até chegar às telas. Quem puder deve ler a
edição de julho da Vanity Fair, onde a escritora Patricia Bosworth conta toda a saga, desde seu primeiro contato (como modelo
teen) com Diane nos anos 50, a publicação de sua biografia da fotógrafa em 1984,a compra imediata dos direitos por um grande estúdio... e uma verdadeira via crucis de roteiros, alterações, diretores, produtores, compras, re-compras, traições e confusões que é uma cápsula perfeita do que realmente acontece em Hollywood. Alguns pontos saborosos:
- Debra Winger, Barbra Streisand, Naomi Watts, Toni Collette e Samantha Morton foram algumas das atrizes que quase viveram Diane Arbus. Meg Ryan, contactada em 1997, disse que “preferia ser Sylvia Plath” (papel que acbou indo para Gwyneth Paltrow)
- Richard Gere e Jeremy Irons estiveram escalados para os papéis que, na atual versão, são de Robert Downey Jr (o artista gráfico Marvin Israel, mentor e amante de Diane, que em
Fur aparece disfarçado no personagem fictício do vizinho “Lionel”) e Ty Burrell (Allan Arbus, marido da artista)
- Ang Lee, Luc Besson, Tamara Jenkins e Mark Romanek quase dirigiram o projeto.
- Em 2000 o filme
Adaptação matou uma das versões mais maduras do projeto, que já estava a caminho da produção _ o roteiro (de Jenkins) era parecido demais (por pura coincidência) com o de Charlie Kaufman.
Em tempo: a "pele" do título se refere à confecção de casacos de pele que fez a fortuna da família Nemerov.

Nicole Kidman como Diane Arbus e a verdadeira fotógrafa, nos anos 60: boca a boca positivo
18/07/2006
DE VOLTA PARA CASANem caubóis, nem gays:
Lust, Caution, o novo projeto de Ang Lee, seu primeiro desde
O Segredo de Brokeback Mountain, será um drama com elementos de thiller de espionagem inteiramente passado na China da década de 1940. Tony Leung, o ator-assinatura de Wong Kar Wai ,
acaba de fechar com a produção para viver a peça central de
Lust, Caution, um poderoso político na Xangai cosmopolita da Segunda Guerra Mundial, em torno do qual se arma uma verdadeira rede de intrigas.

Ang Lee: de volta à China com Tony Leung
17/07/2006
HORA DA FAXINATom Cruise em vias de ser despejado? Talvez. Como parte da faxina financeira e apertação de cintos generalizada que Hollywood vem fazendo (
veja o Hollywood Watch de quinta feira, 13/07) muitos acordos milionários entre produtores estelares e grandes estúdios estão passando por uma revisão severa. Quão severa? “Todo mundo está de mão fechada”, um produtor
disse à Variety. “Tudo está passando pelo crivo, agora.”
Os produtores de
Memórias de uma Gueixa, por exemplo, já ficaram sem seu confortável contrato com a Sony. E a Paramount está reavaliando seriamente seu acordo com a Cruise/Wagner, a produtora de Tom e sua ex-agente, Paula Wagner. O desapontamento da casa com o terceiro
Missão Impossível é parte da questão, mas o mau desempenho comercial de outros filmes produzidos pela C/W, como
Elizabethtown (de Cameron Crowe) e
Suspeito Zero (de Elias Mehrige) é que está pesando mais. Mesmo que a Paramount renove com a C/W, será em termos bem menos amplos que os de agora.
Do outro lado da cidade, no backlot da Warner em Burbank, a Appian Way de Leonardo di Caprio não parece ter sido abalada _ a produtora acaba de adquirir os direitos da biografia do legendário Mickey Dora, o Cavaleiro Negro das ondas de Malibu, ícone da primeira explosão do surf nos anos 50/60. É claro que Leo quer produzir e estrelar o projeto.
O aperto em cima de Cruise...

..
não parece ter abalado Di Caprio, que está a fim de viver o legendário Mickey Dora.
14/07/2006
Os filmões-pipoca estão quase chegando ao fim _
A Dama na Água, de M. Night Shyamalan (21 de julho nos EUA, 1 de setembro no Brasil) é praticamente a saideira. O que ficou do primeiro semestre para a peneira dos prêmios de fim de ano?
Muito pouco _ mas isso é normal. A primeira metade do ano raramente produz filmes indicáveis ou vitoriosos –
O Silêncio dos Inocentes , lançado em fevereiro de 1991, foi uma das poucas e gloriosas exceções a essa regra não-escrita. É a estação da pipoca, mesmo.
Com um grande intervalo fora de Hollywood: Cannes. Da safra de Cannes 2006, já destaquei
Volver, de Almodóvar e
Babel, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, como tiros certos para Oscar e companhia (um sinal extra: foram pré-selecionados para o Festival de Toronto, agora em setembro, que é quando campanhas para prêmios são extra-oficialmente lançadas). O vencedor da Croisette,
The Wind That Shakes the Barley, de Kne Loach (também pr-e-selecionado para Toronto), é mais problemático _a crítica americana não gostou do filme, e embora a crítica não influencie diretamente acadêmicos e cia, ela é indicativa do ponto de vista americano quanto ao estilo de Loach. Ressalva: indicações para seus atores, especialmente Cillian Murphy.
O oposto pode acontecer com
Marie Antoinette, de Sofia Coppola _ detestado pelos europeus, pode ser abraçado por Hollywood como prata da casa. Jovem atriz no papel de uma rainha não costuma falhar... E
A Scanner Darkly, de Richard Linklater, já é meu palpite na animação.
Fora Cannes, existe
Vôo 93 _ ninguém nega seu impacto, mas o tema pode ser espinhoso demais. E pelo menos nos Globos de Ouro, vai ser uma guerra no setor “comédia ou musical”, onde já reina, impávida, Meryl Streep e sua Rainha Diaba, aquela que usa Prada...




Babel,
Vôo 93,
A Scanner Darkly,
Volver, Meryl Streep: entre os indicáveis do primeiro semestre?
13/07/2006
O que Denzel Washington, Jim Carrey e Ben Stiller têm em comum? Além de serem astros hollywoodianos, os três, recentemente, tiveram seus projetos vetados por grandes estúdios.
Você leu certo _ vetados. Apesar do seus status estelar, eles não escaparam de uma verdadeira epidemia de pé-no-freio que está acometendo a indústria.
Uma boa matéria do Los Angeles Times explica as engrenagens desta freada, mas o resumo é simples: quando o orçamento d eu um projeto passa de 100 milhões de dólares, os estúdios ficam muito, mas muito nervosos, e nem mesmo um grande nome é capaz de deter a guilhotina.
Especialmente se o projeto não se enquadra em moldes pré-fixados, como foi o caso de
American Gangster, o filme-paixão de Denzel Washington sobre a entrada da heroína nos bairros negros dos EUA na década de 70. A Universal ficou tão ansiosa com a combinação do tema explosivo com um custo acima de 100 milhões que preferiu pagar a Denzel a multa de 20 milhões de dólares do que ir adiante com o projeto. Foram precisos a mudança na presidência do estúdio e a entrada de um diretor igualmente forte _ Ridley Scott _ e de mais uma estrela _ Russel Crowe _para que
American Gangster recebesse a esperada luz verde (o filme tem estréia prevista pra 2007).
Comédias, que viajam mal pelos mercados estrangeiros, correm riscos ainda maiores de um “não”, ainda mais quando não são no esquema pastelão-total. Jim Carrey acaba de ter dois projetos _
Believe It or Not!, que seria dirigido por Tim Burton, e
Used Guys, com Ben Stiller _ decapitados por dois estúdios diferentes.
Enquanto isso, Vin Diesel há cinco anos vem aprendendo a andar em elefantes para fazer o papel que é o sonho de sua vida: o general Aníbal, aquele que passou os Alpes com suas tropas no dorso de paquidermes. Como não conseguiu quem assinasse embaixo, ele mesmo vai dirigir o épico, possivelmente para 2008.


Denzel, Jim, Ben: estrela também leva "não"
12/07/2006
Sicko, o novo documentário de Michael Moore, já está “três quartos pronto”, e com o lançamento previsto para 2007 pela Weinstein Co., a nova empresa dos “irmãos Miramax”, Harvey e Bob Weinstein. Mesmo com o atraso _ a data inicial prevista era setembro de 2006 _ a Weinstein Co. antecipa uma renda de 40 milhões de dólares na bilheteria norte americana para o documentário _ menos que o recordista de Moore e do gênero,
Tiros em Columbine (119 milhões de dólares), mas ainda assim o dobro do apurado com
Fahrenheit 11 de setembro (21 milhões de dólares).
Numa carta dirigida aos fãs em seu
site oficial, Moore agradece às 19 mil pessoas que enviaram cartas e emails contando as histórias de suas dificuldades e lutas com o sistema de saúde norte-americano, da deficiente rede pública aos cada vez mais caros e surreais planos de saúde. “Como sempre em todos os meus documentários, eu parto de uma idéia (...) e não comento o que estou fazendo enquanto ainda estou envolvido no processo de criação.(...) Se perguntarem, digam que
Sicko é uma comédia sobre as 45 milhões de pessoas sem assistência médica no país mais rico do mundo.”
Michael Moore: o próximo filme é "uma comédia sobre as 45 milhões de pessoas desassistidas dos EUA"