28/09/2006
OS DESACONTECIMENTOS DE RUSSELL CROWE

Dizer que não, em hipótese alguma, ele não fará o papel de seu amigo Steve Irwin em alguma possível adaptação para o cinema da vida do Caçador de Crocodilos não foi a única revelação bombástica de Russell Crowe na atual ciranda de entrevistas para promover seu novo filme, a comédia romântica (Ridley Scott light) Um Bom Ano. Russell também explicou, sem meias palavars, porque caiu fora do filme de seu outro amigo, o diretor Baz Luhrmann, meses atrás: “Não faço caridade para grandes estúdios”. Crowe garantiu que dá muito dinheiro para obras beneficentes, mas que “os estúdios de Hollywood não estão entre elas”.

Como vocês se lembram, o papel que Baz escreveu para Russell foi para Hugh Jackman que não achou o cachê tão ruim assim e, em Fevereiro, começa a trabalhar ao lado de Nicole Kidman, em locação no norte da Austrália.



Russell Crowe (no Festival de Toronto): sem dó nem caridade

Foto: Reuters.com
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27/09/2006
FAÇAM SUAS APOSTAS
Leonardo di Caprio ou Peter O´Toole? Helen Mirren ou Penelope Cruz? O musical Dreamgirls ou a guerra de Flags of Our Fathers? Segundo esta primeira pesquisa do site Gold Derby _ um dos melhores na tomada de pulso das tendências da indústria _ estas são algumas das primeiras unanimidades da disputa pelos prêmios da temporada 2006-2007.

Como grande parte dos filmes mencionados estão no Festival do Rio e estarão na Mostra São Paulo, confiram, formem suas opiniões e planejem seus palpites. Mas levem em consideração o seguinte: a qualidade de um filme é apenas um elemento na disputa. O restante é percepção, manobra, campanha e política. O que explica porque Os Infiltrados, de Martin Scorsese, só aparece na lista de um palpiteiro ouvido pelo Gold Derby _ainda não há um consenso se o filme de Scorsese será ou não colocado na linha de frente para a disputa.

Com isso em mente, façam suas apostas, hollywoodwatchers:

Melhor Filme
Unanimidades: Dreamgirls, Flags of Our Fathers, Babel, Volver
Possibilidades: The Good German, A Rainha
Azarões: Os Infiltrados, Pequena Miss Sunshine


Babel, Dreamgirls, Flags

Melhor Atriz

Unanimidades: Penelope Cruz (Volver), Helen Mirren (A Rainha), Meryl Streep (O Diabo Veste Prada)
Possibilidades: Annette Benning (Running With Scissors), Kate Winslet (Little Children)
Azarona: Sienna Miller (Factory Girl)

Helen Mirren, Meryl Streep, Annette Benning

Melhor Ator

Unanimidades: Peter O´Toole (Vênus), Leonardo di Caprio (The Blood Diamond), Will Smith (The Pursuit of Happyness), Forest Whitaker (O Ultimo Rei da Escócia)
Possibilidades: Derek Luke (Catch a Fire), George Clooney (The Good German)
Azarão: Jack Nicholson (Os Infiltrados)

Leonardo di Caprio, Peter O´Toole, Will Smith



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26/09/2006
PROGRAMA DE ÍNDIO PARA MEL GIBSON
Não sei se foi a dura que ele levou, mas Mel Gibson anda radicalizando. Enquanto todo mundo em Los Angeles está de olho nas exibições-teste de Apocalypto, Mel levou seu filme para uma reserva indígena no Oklahoma, exibindo-o para platéias majoritariamente nativas num cassino e numa universidade locais. Os poucos jornalistas locais que se tocaram da presença do astro foram mantidos numa sessão especial, sem visão da tela. No final Gibson se limitou a dizer que tinha ficado “comovido” com a acolhida dada ao filme pelo público indígena _afinal, Apocalypto é falado na língua maia, e seu elenco é totalmente nativo.

Mas Mel não parou por aí a estratégia guerrilheira pré-lançamento: enquanto sua produtora enviava releases à mídia dizendo que todas as projeções-teste do filme estavam canceladas, Gibson remarcava uma bateria de cabines em locais distantes do eixo de badalação de Los Angeles. E ainda aparecia disfarçado nos cinemas para avaliar a reação do público. Em uma delas, Gibson deixou o disfarce de lado e fez um discursinho para a platéia, dizendo que a decadência do império maia é “idêntica ao estado de coisas nos EUA, hoje”, e que o sacrifício humano dos antigos equivale a “mandar nossos jovens para morrer numa guerra sem sentido como a do Iraque”.

Com distribuição da Disney, Apocalypto estréia dia 8 de dezembro nos EUA.
Gibson dirige a galera no set de Apocalypto: estratégia guerrilheira
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25/09/2006
FOI MAL,PAPAI
A tão esperada participação especial do Rolling Stone Keith Richards como pai de Jack Sparrow no terceiro filme da série Piratas do Caribe (At World´s End) foi uma verdadeira aventura _ segundo relatos de seu companheiro de elenco, Bill Nighy _ que repete a performance como Davy Jones _ Richards tomou o que tinha direito no departamento Jack Daniels, e, na hora de filmar, estava completamente mais para lá do que para cá. Keith teve que ser segurado pelo diretor Gore Verbinsky para poder dizer suas falas. Comentário do Stone, depois da filmagem: “Se queriam alguém careta, escolheram o sujeito errado.”


Johnny Depp como Jack Sparrow no novo Piratas do Caribe: "papai" aprontou
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25/09/2006
NASCE UMA ESTRELA
Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Bruno Campos ... e Alice Braga. A jovem atriz de Cidade de Deus e, mais recentemente, Cidade Baixa, está definitivamente no alvo de Hollywood. Depois de estrelar a interessante co-produção independente Journey to the End of The Night (a nossa O2, mais fundos europeus e distribuidores americanos, elenco esperto e multi-nacional, diretor-prodígio novaiorquino, locações brasileiras, estréia no festival Tribeca) Alice acaba de assinar com a produção de I Am Legend. Nada de indie neste projeto de ficção cientíifica que quase foi um veículo para Schwarzenegger e agora está com Will Smith. Coisa de luxo. Filmagens começam mês que vem.


Alice Braga em Cidade Baixa e no independente Journey: no alvo de Hollywood
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22/09/2006
ADEUS ÀS ARMAS
Num gesto que, se não é inédito, é muito raro numa indústria onde fazer muito dinheiro é a questão central, Jet Li anunciou que não vai mais fazer filmes com lutas e violência. O astro de Cão de Briga e Romeu Tem Que Morrer disse ao Los Angeles Times que seu novo filme, Fearless será o derradeiro a incluir lutas. “Estou cansado de ver fãs, especialmente jovens e crianças, me encontrando na rua e pedindo _ Briga! Briga! Bate em alguém!, disse Li, cujo verdadeiro nome é Jie Li Lian. “O princípio básico das artes marciais, o wushu, quer dizer exatamente o oposto _ evitar a briga.”

Dirigido pelo mestre de Hong Kong Ronny Yu, Fearless, que estréia hoje nos EUA, conta a história verdadeira de Huo Yuanjia, um expert em artes marciais do início do século 20. Li disse ao Times que continuará investindo numa carreira de ator desde que os trabalhos sejam compatíveis com seus princípios. Mas que sua paixão atual é o projeto que está realizando juntamente com a Cruz Vermelha chinesa, uma série de encontros e oficinas com jovens para “ensiná-los a redescobrir o verdadeiro sentido da honra.”


Jet Li em Fearless: cansado da violência
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21/09/2006
HAJA ASPIRINA!
Parabéns e muito boa sorte a Marcelo Gomes pela escolha do seu Cinema, Aspirinas e Urubus para representar o Brasil no Oscar 2007. Não vai ser uma disputa fácil, mas o tema e o tom do filme têm possibilidades junto à turma do filme estrangeiro, ainda mais este ano, quando o pessoal de Nova York _ mais familiarizado com o cinema do mundo e do Brasil _ estará envolvido no processo das indicações.

Arrisco dizer que, sem muito perigo, duas das cinco indicações já estão tomadas. Uma vai para Volver _ o filme de Almodóvar também deve aparecer fora da categoria filme estrangeiro mas, num repeteco do duelo com A Vida é Bela, dez anos atrás, ele estará firmemente cravado como o oponente mais feroz de qualquer outro filme, na divisão filme estrangeiro. Na verdade, se a Associação de Críticos de Nova York escolhesse hoje seu filme do ano, de qualquer nacionalidade, Volver ganharia.

A segunda indicação deve ir para Zwartboek (Black Book). O drama de guerra de Paul Verhoeven, que reperesenta a Holanda, acaba de ser adquirido pela Sony Classics para distribuição nos EUA _ e a Sony Classics não brinca em serviço.

Temos então, liderando a disputa, dois filmes fortes de dois diretores bem conhecidos de Hollywood, ambos com distribuição garantida nos EUA. É artilharia pesada. Espanha, Holanda.... caramba, isto está começando a parecer Copa do Mundo...


Almodovar e seu Volver, Verhoeven e seu Zwartboek: na liderança da disputa

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20/09/2006
MI4 SEM CRUISE?

A Paramount acaba de negar veementemente uma notícia que começou a circular na internet ontem: a de que Brad Pitt (ganhando a fortuna inédita de 40 milhões de dólares) iria substituir Tom Cruise no quarto filme da série Missão Impossível Na verdade Brad não substituiria Tom: o agente Ethan Hunt _ papel de Cruise _ não seria mais o protagonista da aventura, em seu lugar um novo líder (Pitt) reuniria um novo time para as missões obviamente impossíveis.

A negativa da Paramount veio ultra-rápido o que, no meu Dicionário da Língua Secreta de Hollywood, quer dizer que há algum mérito no boato. O x da questão é o seguinte: a franchise Missão Impossível é uma das mais lucrativas para o estúdio, que detém todos os direitos sobre a marca e os personagens. Qual o impacto da escandalosa não-renovação do contrato com a produtora de Tom Cruise sobre o destino da série? Dá para fazer sem Tom? Dá para Tom fazer depois da briga? Dá para fazer da estaca zero?

Aguardem que este debate NÃO vai se destruir depois de 20 segundos..muito pelo contrário...


MI4: sai Cruise, entra Pitt?

Fotos: Reuters.com
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19/09/2006
OS PODEROSOS CHEFÕES
Chegou minha cópia da famosa Vanity Fair com a família Cruise na capa _ e, para tristeza dos fofoqueiros de plantão, constato que Suri é a cara de Tom e Katie.

Mas o tumulto em torno das fotos de Anne Leibovitz fez sombra sobre duas matérias super interessantes na mesma edição. Em uma delas,William J. Mann revela aspectos fascinantes de Katherine Hepburn que possivelmente, nos EUA de ontem e hoje, podem ser vistos como contraditórios e explosivos mas que na verdade colocam Kate ainda mais adiante de seu tempo. O texto _ um trecho da nova biografia de Hepburn, assinada por Mann _ mostra a atriz como bissexual, politicamente engajada e espertamente manipuladora, escondendo tudo isso e criando uma eficiente fachada que resistiu incólume ao tempo.

A outra matéria é a esperada lista anual dos 100 da Vanity Fair _ as cem pessoas mais poderosas da mídia, moda e entretenimento, o Novo Establishment como a revista os define. É uma lista das mais interessantes: mulheres são minoria absoluta, e gente que depois caiu em desgraça _ como os dois Toms da Paramount, o Freston e o próprio Cruise_ aparecem em boas posições (como toda revista mensal, a Vanity Fair fecha com três meses de antecedência).

Os três primeiros lugares do listão pertencem a Rupert Murdoch, o chefão do conglomerado Fox; Sergey Brin e Larry Page, do Google; e Steve Jobs, da Apple. A primeira mulher a aparecer na lista é Oprah Winfrey, no número 9 _ e não há uma atriz sequer em todos os 100. O ator mais bem colocado é George Clooney (sorry, periferia) no número 23, seguido por Tom Hanks (número 25) e Robert de Niro (número 27). O primeiro diretor da lista é Steven Spielberg, no décimo lugar, três lugares à frente do mais poderoso produtor, Jerry Bruckheimer. E entre os poucos músicos listados, Bono e o primeiro, no 24o lugar.

Arbitrária como são listas desse tipo, a da Vanty Fair tem pelo menos o mérito de ser extraída dos votos de um pool amplo de eleitores, e revelar uma coisa muito preciosa _ a imagem que estes eleitos projetam.

Os poderosos de 2006: Spielberg, Bruckheimer, De Niro, Hanks, Clooney
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18/09/2006
TORONTO: OUSADO OU "ESQUISITO"?
Enquanto a mini-Hollywood itinerante debatia se All the King´s Men era péssimo ou simplesmente ruim, o público e a crítica presentes ao Festival de Toronto escolhiam vitoriosos fora do radar. As platéias elegeram Bella, um pequeno filme mexicano rodado em Nova York, como o melhor do festival _ seu jovem (29) anos diretor, Alejandro Gómez Monteverde, aceitou o prêmio aos soluços, porque na noite anterior sua esposa tinha sonhado com a vitória... e ele não tinha acreditado. O falso documentário inglês Death of a President –que reporta o assassinato de George W.Bush com todo o realismo de outros atentados célebres, ficou com o prêmio da crítica, apesar da gritaria de setores da mídia americana _ e ainda ganhou um distribuidor nos EUA, a ousada Newmarket, especialista em (bem) descascar abacaxis.

Atenção, Hollywood: este é o segundo festival em seqüência em que as escolhas lhe parecem “esquisitas”. Hora de pensar...


Alejandro Monteverde agradece, emocionado, seu prêmio...


...e Bush leva um tirombaço (fictício).
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