12/11/2006
RUSSELL, A VASSOURA E O PERU

Numa interessante estratégia alternativa para divulgar seu novo filme, Um Bom Ano - que, afinal, é sobre vinhos e vinicultura, entre outras coisas - Russell Crowe foi parar no programa da Diva Doméstica & Senhora da Gastronomia, Martha Stwart. E ela rapidamente achou bom uso para os talentos do moço. Depois que Russell demonstrou como se toca guitarra como um banal apetrecho doméstico, Martha convocou-o como auxiliar de cozinha no preparo de uma receita de peru, prato tradicional do jantar do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos...


Martha domestica a fera: vassoura roqueira e mão no peru

Fotos: Reuters.com
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10/11/2006
GEORGE CLOONEY COM VOZ FINA
Do departamento “Notícias de George Clooney” (que sempre parece fazer tanto sucesso entre os/as hollywoodwatchers...): enquanto seu amigo, diretor e ex-sócio Steve Soderbergh se desculpava com os convidados da première de The Good German – “George não pôde vir porque está ocupadíssimo com a pré-produção de Leatherheads” – o propriamente dito estava a poucos quarteirões dali, nos bastidores do teatro Kodak brincando de Patolino com a criançada da Hole in the Wall Gang, uma ONG de amparo a crianças com doenças terminais, criada e dirigida por Paul Newman. A brincadeira era simples: George aspirava o gás hélio dos muitos balões de aniversário da festa de um amigo de família – Tony Bennett – e, para deleite da gurizada, falava com aquela voz fininha e fanhosa que o gás provoca momentaneamente.

Depois desse show, George partiu para a segunda etapa- no palco do Kodak, apresentando um tributo aos 80 anos de Tony Bennett que contou com as participações de Paul Newman, Bruce Willis, Jennifer Lopez, Madeleine Peyroux, Marc Anthony e Kelly Clarkson. Clooney explicou com o humor de sempre a conexão com Tony Bennett: “Meu primeiro emprego foi como chofer da minha tia, Rosemary Clooney. Como ela excursionava muito com Tony, virei chofer dele, também. Ainda bem que ele aproveitou naquela época, porque meu salário aumentou um pouco desde então.”

A renda do show-tributo reverteu inteiramente para a Hole in the Wall Gang.



George faz uma experiência com gás hélio, descobre seu lado Patolino e ainda tem tempo para homenagear os 80 anos de Tony Bennett

Fotos: LATimes.com. Reuters.com
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10/11/2006
TOLERÂNCIA PARA MEL
As primeiras reações estão vindo à tona: Apocalypto é bom. Sabendo que seu filme tem pouca ou nenhuma chance para Oscar & cia., e que sua ficha está suja em Hollywood, Mel Gibson tem mostrado seu novo trabalho em sessões fechadas, para pequenos grupos de pessoas mais próximas. É uma estratégia cautelosa e acertada – Los Angeles é uma cidade de redes, de associações, de contatos. Se a porta da frente está fechada, há tantas opções laterais...

Sabiamente, Mel convidou para uma dessas sessões uma das figuras mais queridas e respeitadas da indústria: Peter Bart, decano dos colunistas de entretenimento e, em muitos sentidos, o avô dos blogueiros. E Bart chegou à conclusão de que Apocalypto é “brilhante”, “fruto de uma mente certamente torturada, mas que expressa seus demônios interiores através da arte”. E Bart vai mais além: pede “tolerância para Mel. Afinal, tolerância é o tema de seu filme, e é o que ele mais precisa neste momento.”


Apocalypto: "fruto brilhante de uma alma torturada"?
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09/11/2006
O OSCAR É AZUL?
É sempre um exercício fascinante observar como o tom dos tempos, o ambiente político e cultural especialmente dos EUA, influencia as escolhas de algo aparentemente tão banal quanto os prêmios hollywoodianos. Com os democratas tomando o Congresso (com uma mulher à frente, ainda por cima!), Rumsfeld caindo fora e Bush mudando o tom de seu discurso, o clima de nós-contra-eles que, dos dois lados, dominava a narrativa das artes e da cultura está se transformando. Valores humanistas, compassivos e igualitários, que até anteontem eram facilmente empacotados no confuso grupo “anti-patriótico” perderam o medo de se mostrar. A crítica ao status quo já tem permissão para ser menos velada. E Hollywood tem amigos em Washington, mais uma vez.

Na disputa pelas estatuetas douradas, isso tudo dá um inesperado corpo de vantagem para Babel, que lidera os “cinco mais” dos 10 filmes mais provavelmente oscarizados do site Gold Derby. Há quem jure que Flags of Our Fathers caiu um pouco com sua exposição ao público, a bilheteria morna e algumas críticas pouco entusiasmadas. Discordo. Na hora H, não são esses os fatores que pesam – é uma substância misteriosa e imponderável que mistura política, troca de favores, percpção e desejos. Vai ser mesmo uma disputa interessante, esta de 2006-2007.

PS: Para entender o título- azul é a cor do Partido Democrata.
Cate Blanchett em Babel: na liderança
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06/11/2006
NERVOS DE AÇO
Você já sobreviveu a uma mudança? E uma longa viagem em meio a uma operação-padrão dos controladores de vôo, já encarou? Juntamente com meu pedido de desculpas pela atualização irregular dos últimos dias ofereço a explicação - inacreditável se não fosse verdadeira: sobrevivi nos últimos dias às duas, uma mudança e uma operação padrão... Coisa para nervos de aço, mesmo.

Agora, que as coisas estão um pouco menos caóticas, prometo retornar aos meus velhos e bons hábitos.... E ainda estou curiosa com o terceiro ato do drama de Tom Cruise este ano: sua virtual conquista da UA é uma jogada a favor do time que acredita que estrelas e não idéias vendem ingressos para o cinema. Agora é esperar os primeiros projetos para ver o que realmente acontece...
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02/11/2006
TOM CRUISE, CHEFÃO DE ESTÚDIO

A partir de hoje, Tom Cruise e Paula Wagner são os novos cabeças do estúdio United Artists. A UA, que começou como um coletivo de artistas liderado por Charles Chaplin e Mary Pickford, volta, de certa forma, às origens, com Tom assumindo o lado criativo e Paula, o administrativo. A UA é parte do grupo MGM, e os filmes - quatro por ano, inicialmente - serão distribuídos pelo selo do leão. Tom terá controle completo sobre a escolha e dimensão dos projetos, embora tenha que prestar contas e se ater às diretrizes da diretoria do grupo.

É uma doce vingança?É. É arriscado? É, para ambas as partes.

E já se sabe o que Tom e Paula estavam fazendo, meses atrás, entrando pela garagem de um grupo de prédios de escritório em Santa Monica: a sede da UA fica ali...
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31/10/2006
ZEMECKIS APOSTA NO 3D
James Cameron não está sozinho em sua fé num futuro 3D para o cinemão hollywoodiano: Robert Zemeckis também aposta no formato. Beowulf, a ambiciosa versão tela-gigante da saga nórdica (que é um dos primeiros textos na língua inglesa) que Zemeckis está produzindo e dirigindo estreará em novembro de 2007, nos EUA, em mil cópias 3D total. Ou seja: a ilusão tridimensional da animação será complementada pela exibição em 3D.Beowulf está sendo executado nas mesmas bases de O Expresso Polar, mas usando uma tecnologia muito mais sofisticada, que confere detalhes de incrível realismo à mistura de elementos humanos e fantásticos do filme. Ray Winstone dará corpo e voz ao herói mítico, Crispin Glover será seu inimigo, o monstruoso Grendel, e Angelina Jolie sua ainda mais terrível mãezinha. Quem já viu os testes de imagem está de queixo caído até agora...


Robert Zemeckis: aderindo ao 3D
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30/10/2006
A VINGANÇA DE OLIVER STONE
As Torres Gêmeas, de Oliver Stone, recebeu seu primeiro prêmio: foi escolhido como o melhor longa de ficção do ano por 99 mil eleitores de uma pesquisa organizada pelo site Yahoo Movies para o Hollywood Film Festival. Torres derrotou nove outros indicados: Piratas do Caribe: O Baú da Morte, O Còdigo da Vinci, O Diabo Veste Prada, Cars, Pequena Miss Sunshine, Superman, o Retorno, XMen 3, Missão Impossível 3 e Vôo United 93. Não é bem o mesmo tipo de escolha de Oscars e Globos, mas vale um ponto a favor de Oliver Stone.

Em seu discurso de agradecimento , durante o evento - num jantar de gala no Hotel Beverly Hilton (o mesmo dos Globos de Ouro)- Oliver Stone fez uma gracinha que pouca gente pescou. Disse que era muito estranho estar ali no mesmo palco de onde havia sido expulso, anos atrás, por Chevy Chase e Richard Harris. É fato: em 1979, ao receber o Globo de Ouro por melhor roteiro por O Expresso da Meia Noite, Stone desfechou um eloqüente discurso a favor da descriminilização das drogas leves, e foi calado à força por Chase e Harris, que apresentavam o prêmio. Mais de duas décadas depois, Stone teve sua revanche...


Stone, no set de As Torres Gêmeas e recebendo o prêmio do Hollywood Film Festival: hora da revanche>

Foto: LATimes. com
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29/10/2006
FLAGS NÃO É MAIS FAVORITO?
Não ponho fé nas primeiras ruminações pessimistas de alguns oscarólogos que prevêem o breve sumiço de Flags of our fathers da linha de frente da disputa. O motivo: o desempenho morno na bilheteria, onde o filme de Clint Eastwood foi ultrapassado, esta semana, pelo superbem sucedido O Grande Truque e por um pico de vendas de ingressos do ótimoOs Infiltrados.

Bilheterias são apenas um dos muitos fatores que pesam no favoritismo de um título. Filmes independentes como Meu Pé Esquerdo, Fargo e Traffic foram adiante nas disputas dos troféus mesmo com bilheterias inferiores às de seus concorrentes. Flags tem uma moldura temática - a "última guerra justa" - e uma lista de tópicos - o conceito de heroísmo, a manipulação do heroísmo por interesses políticos - super atuais e pertinentes. Continuo achando que vai longe...


Flags: a manipulação do heroísmo pela mídia foi batido na bilheteria, esta semana...

..pelo fascínio de O Grande Truque e os deltóides de Leo em Os Infiltrados.
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27/10/2006
SINAL DE RESPEITO
Clint Eastwood não filmou sua dupla de projetos – Flags of Our Fathers/Letters From Iwo Jima – na ilha vulcânica do arquipélago japonês onde se deu a maior batalha do front do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. E não foi por falta de colaboração das autoridades locais _ Iwo Jima foi oferecida como locação, mas Eastwood disse que se sentiu “desconfortável” com a idéia de recriar o confronto sobre o que é, virtualmente, um cemitério para 12 mil corpos de soldados japoneses que jamais foram identificados. `´E um solo sagrado. Não me sentiria bem fazendo a pirotécnica de um filme de guerra, ali.”

A maior parte das cenas foi rodada em outra ilha vulcânica com areia negra: a Islândia. “O clima de agosto na Islândia é quase o mesmo de Iwo Jima em fevereiro, então deu tudo certo”, disse Eastwood. “Só tivemos que voltar ao Japão para algumas cenas breves que dão o ambiente do local.”



Clint no set e uma cena de Flags: a areia negra é da Islândia
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