26/01/2007
A ALEGRE ESQUINA DE HOLLYWOOD COM WASHINGTONHollywood tem três novos astros – e um deles está arriscado a ganhar um Oscar: Barak Obama, Hillary Clinton e Al Gore.
Em plena temporada de festas e prêmios, a cidade está também mobilizada em torno de dois grandes eventos de cunho entretenimento-político: a recepção oferecida, dia 20 de fevereiro, por Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen para o senador de Illinois, e o jantar oferecido pelo mega-produtor Haim Saban ( o homem a quem devemos as Tartarugas Ninja) em honra a Hillary Clinton, dia 11 de fevereiro, seguido por um evento beneficente dia 24 de março.
É claro que estes rebus não são apenas badalação – eles visam levantar fundos para as campanhas dos dois ultra-high-profile candidatos a candidatos presidenciais do Partido Democrata. O ingresso para a recepção do dia 20 de fevereiro, no hotel Beverly Hilton (o mesmo dos Globos) custa a bagatela de 2.300 dólares por pessoa, e será seguido por um jantar exclusivo na casa de David Geffen em Malibu (pago, é claro). O objetivo é arrecadar 92 mil dólares para o Comitê Exploratório de Obama.
Ainda não há preço para o petit comitê de Hillary, mas os organizadores querem levantar pelo menos 25 mil dólares em fevereiro, e mais um tanto em março. Elizabeth Taylor é uma que já disse que contribui com o que pedirem.
Spielberg, Katzenber e Geffen, assim como seus amigos Tom Hanks e Robert Zemeckis, apóiam Obama há muito tempo, desde sua campanha pelo senado, e este é o primeiro evento de cunho político que eles organizam desde que Bill Clinton saiu da Casa Branca.
A grande pergunta, é claro, é quem vai a qual evento. Especialmente a nova superestrela da cidade, o indicado Al Gore. Com seu documentário Uma Verdade Inconveniente na pole position para o Oscar da categoria, Gore é o novo Leonardo di Caprio do pedaço – onde ele for a galera vai atrás… Te cuida, Leo: Gore numa cena de Uma Verdade Inconveniente
25/01/2007
HOLLYWOOD REVOLTADA: E VOLVER?Enquanto o susto, a indignação e a especulação a respeito da simultânea ausência & liderança de Dreamgirls nas indicações para o Oscar 2007 continuam ao fundo (o consenso: a campanha seguiu uma estratégia completamente equivocada e conseguiu torrar a paciência da maioria dos votantes) uma outra onda se ergue: a fúria pela ausência de Volver.
“Essa não tem explicação”, me disse um mareketeiro veterano de muitas campanhas. Um acadêmico muito próximo a Almodovar está subindo pelas paredes: “Mistério completo. Realmente não sei o que aconteceu. Esperava – aliás, muita gente esperava também – indicações para melhor filme estrangeiro, roteiro, direção, fotografia, direção de arte e até mesmo melhor filme, por que não? Além de Penelope, é claro.” E acrescentou: “Estou tristíssimo e muito revoltado.”
É um sentimento ecoado por muita gente em Hollywood. Como o Gold Derby detalha tão bem, desde Cannes o filme de Almodovar estava na cabeça de todo mundo como um dos melhores do ano. Mais que isso – como o filme que ia fazer a indústria americana abraçar de vez o talento de Almodovar.
O próprio Almodovar foi elegante e lacônico. Falando ao blog Carpetbagger através de sua estrela e musa Penelope Cruz, ele se disse feliz pela indicação dela, porque, se tivesse que escolher uma única indicação para seu filme, escolheria uma para Penélope.
Mas a verdade é que ele não teve que escolher… Almodovar é da Academia, do departamento de diretores. Se fez como todo mundo, votou em si mesmo. Os outros departamentos e a comissão do filme estrangeiro é que se esqueceram dele. Ou coisa pior.
A torcida de Volver está, agora, mobilizada a favor de Penelope Cruz e de O Labirinto do Fauno. “Na realidade, é um filme espanhol”, elucubrou meu amigo acadêmico. “Foi filmado na Espanha, com dinheiro e equipe majoritariamente espanholas.” Tem seu voto? “Eu não podia dizer isso mas…. Tem, sim!”
Almodovar, Del Toro e suas musas: sai um, entra outro?
24/01/2007
O DIA SEGUINTE: E DREAMGIRLS, HEIN?Dia de ressaca, dia de celebração. Que eu saiba, não se ouviu um pio do departamento Pedro Almodovar. O time Dreamgirls está atônito. Pela primeira vez desde que 20 minutos do filme de Bill Condon foram mostrados, em clima top secret, a uma platéia de convidados em Cannes, o time de produtores, liderado pelo ultra high profile David Geffen, está em silêncio. Um contraste com um terno Armani da Paramount que, na recepção antes dos Globos de Ouro, respondia a um colega que lhe perguntara o que achava das múltiplas indicações de Dreamgirls: “Normal. O filme tinha que estar aqui.”.
Hummm… é o tipo de arrogância que derruba as melhores intenções. E os melhores filmes. Pena para Bill Condon, um amor de pessoa, diretor de talento, centrado, simples, cuidadoso, devotado a suas equipes. Pena mesmo.
Analisem: das famosas oito indicações, três são para canções – não exatamente uma categoria de grande prestígio, e que é determinada pelas escolhas do departamento de música. Outras três são técnicas – figurino, direção de arte, mixagem de som - e como tal vieram dos respectivos departamentos . As duas restantes, as de atores coadjuvantes, foram escolhidas pelo departamento de atores que, basicamente, copiou exatamente suas indicações aos prêmios da Screen Actors Guild .
Matemática simples: com mais de mil e duzentos lintegrantes, o departamento de atores é o mais numeroso da Academia, e todos eles são, também, membros da SAG. Para comparação, o segundo departamento mais numeroso, diretores, tem 375 integrantes.
Aliás, os atores da Academia copiaram TODOS os seus votos da SAG. Para definir este Oscar, basta ver quem vai ganhar nos prêmios da SAG, no próximo dia 28. Pela mesma matemática – 1277 acadêmicos numa comunidade de 5 830 votantes – basta que estas escolhas se repitam para que os vencedores possam, já, preparar seus discursos de agradecimento.
Voltando ao mistério Dreamgirls: o musical de Bill Condon não caiu no gosto de nenhum dos departamentos que infuenciam definitivamente a escolha do melhor filme – diretores e roteiristas.
“Pode ter sido um caso de overkill”, me confidenciou um acadêmico amigo. “O pessoal de Dreamgirls veio forte demais, cedo demais. Acho que eles cansaram os votantes.”
Repito: pena mesmo. Irônicamente, Dreamgirls fez história: embora no passado vários filmes tenham tido múltiplas indicações sem uma para melhor fime, Dreamgirls é mesmo o primeiro dos 79 anos do Oscar a ter o maior número de indicações num ano… menos a que realmente pesa…
Bill Condon no set de Dreamgirls: pena, mesmo
23/01/2007
ESPANTO NA ACADEMIANão somos só nós que estamos de queixo caído com algumas das escolhas deste ano: a própria Academia não consegue se lembrar de quando um filme liderou em número de indicações mas foi esquecido na hora do grande prêmio, melhor filme. O caso mais parecido aconteceu nos idos de 1932, quando Grande Hotel foi, pelo contrário, indicado a melhor filme (e ganhou...) e a mais nada...
23/01/2007
A MADRUGADA DO OSCARAs perguntas que ficaram desta fria madrugada na Academia: o que aconteceu com Dreamgirls? Coisa mais estranha: oito indicações, o maior número da safra 2007, mas fora dos dois principais prêmios, melhor filme e melhor diretor. E onde foi parar Volver? O espanto foi tamanho que muita gente correu para a lista de títulos indicados pelos países – será que a Espanha se esqueceu de mandar o filme de Almodovar? Não… a Academia é que aparentemente só se apaixonou por Penelope Cruz.
E como é possível que a Academia só tenha se lembrado do estupendo Filhos da Esperança para montagem e roteiro adaptado? E tenha gostado tanto de Diamante de Sangue e tão pouco de Os Infiltrados – pelo menos a ponto de indicar Leonardo de Caprio e Djimon Hounsou pelo primeiro (ponto para nossa hollywoodwatcher Amanda) e NÃO indicar Leonardo di Caprio e Jack Nicholson pelo segundo? Felizmente sobraram Martin (YES!!!), o roteiro adaptado, Mark Wahlberg…. e, ah, sim, aquele oscarzinho de nada, melhor filme.
No departamento das boas supresas: sim, Adriana Barraza foi lembrada por Babel (ponto para Kamila), O Labirinto do Fauno tomou a vaga latina que, presumo, seria de Almodovar (e ainda levou indicações para roteiro original, fotografia, direção de arte, maquiagem, música – seis ao todo, um espetáculo!), Ryan Gosling (Half Nelson), Kate Winslet e, sobretudo, Clint e seu magnífico Cartas de Iwo Jima entraram na corrida, com força. Que alívio! Paul Greengrass entrou na vaga livre de melhor diretor, e Pequena Miss Sunshine emplacou com tudo até uma indicação para seu coadjuvante Alan Arkin e sua mini-estrela Abigail Breslin.
A notar: o caráter cada vez mais internacional das indicações, abraçando um amplo espectro de nacionalidades , línguas e temas; a alegria de Salma Hayek com a clara tendência hispânica desta safra, onde nomes como Alejandro Gonzalez Iñarriu, Guillermo del Toro, Penelope Cruz e Alfonso Cuaron tomaram o lugar da presença asiática de anos anteriores.
Dia 31 de janeiro os envelopes com as cédulas finais saem da Academia para o correio. Aí é que a coisa fica interessante MESMO….
Meu primeiro palpite: a polarização final vai ser entre Babel e Os Infiltrados, com Pequena Miss Sunshine correndo por fora na subcategoria "pequeno porém simpático". Teatro Samuel Goldwyn, Academia, 5h 40 min da manhã: Sid Ganis, presidente da Academia, pergunta a Salma Hayek: Donde está Volver?
E Salmita responde (com os indicados a melhor filme nas telinhas): Nel mismo lugar de Dreamgirls...
22/01/2007
AMANHÃ É O DIA...Antes de me aventurar pelas águas turbulentas do que esperar das indicações Oscar 2007 , aconselho a leitura do excelente artigo de Mark Harris sobre um tema que há tempos me perturba: a mudança da data dos Oscars, e consequente encurtamento da temporada de campanha, teve um resultado negativo sobre as escolhas?
Mark, ex editor executivo e atual colunista da Entertainment Weekly, acha que sim. Eu também: o período mais curto entre envio de cédulas, anúncio dos indicados e entrega dos prêmios não diminuiu a histeria das campanhas (o que era um dos objetivos do novo calendário); pelo contrário, intensificou a briga de foice no escuro. E pior: está impedindo que um número maior de filmes seja realmente levado em consideração. Menos tempo= menos filmes. Um amigo acadêmico confirmou minhas suspeitas: “Está a maior epidemia de ‘não vi filme nenhum, em quem você vai votar?’ ”
Reduziram-se, e muito, as chances de filmes mais longos, em língua estrangeira, ou com distribuição limitada. Grandes arrancadas de azarões como, no passado, Meu Pé Esquerdo, Despedida em Las Vegas, Traffic e O Pianista são praticamente impossíveis, agora. As cartas já eram marcadas, mas a mão era mais generosa. Agora, poucos são os chamados e ainda menos os escolhidos.
Este é o pano de fundo para os prognósticos deste ano, uma disputa ainda em aberto, mas nem tanto. Temo sinceramente que filmes como Filhos da Esperança, The Good Shepherd, O Labirinto do Fauno e Letters From Iwo Jima não tenham as chances que merecem. Não sei se a luminosa interpretação de Kate Winslet em Little Children – a única razão para ver o filme – será notada. Idem para o show de paranóia e contenção de Matt Damon em The Good Shepherd e a calma intensidade de Ryan Gosling em Half Nelson. .
Com isso em mente, vamos lá:
Melhor Filme. Das cinco vagas, quatro já estão tomadas por Babel, Os Infiltrados, A Rainha e Dreamgirls. A derradeira pode oscilar em todas as direções: Pequena Miss Sunshine tornou-se uma hipótese viável e, com certeza, a mais provável. Mas ainda restam Clint, Vôo United 93, a comédia ácida de Borat, um grande sucesso comercial como O Diabo Veste Prada (a Academia adora incluir um desses no mix…) E, se mérito apenas fôsse ponto, Filhos da Esperança, Volver e O Labirinto do Fauno.
Melhor atriz: Helen Mirren, por A Rainha, não apenas será indicada- vai levar o Oscar como já levou o Globo. Além dela, esperem ver Meryl Streep (Diabo Veste Prada) e Judi Dench (Notes on a Scandal). Para as duas vagas restantes as candidatas mais prováveis são Penelope Cruz (Volver), Naomi Watts (Painted Veil) e Kate Winslet (Little Children). Mas não se esqueçam de Beyoncé….(a Academia ADORA isso também…)
Melhor ator. Briga boa, aqui. Leonardo di Caprio (Infiltrados e Diamante de Sangue) e Forest Whitaker são certezas. Dependendo da gulodice de Leo (uma ou duas vagas?), bons candidatos são Will Smith (The Pursuit of Happyness), Matt Damon (The Good Shepherd), Aaron Eckhardt (Obrigado por Fumar), Sacha Baron Cohen (Borat), Peter O’Toole (Venus), Greg Kinnear (Pequena Miss Sunshine) são, todos, candidatos mais do que viáveis. Eu também incluiria Ryan Gosling por Half Nelson e Ken Watanabe por Letters From Iwo Jima… mas isso sou só eu…
Melhor ator coadjuvante. Jack Nicholson (Infiltrados) e Eddie Murphy (Dreamgirls) já estão dentro. Para as três vagas restantes temos Jackie Earle Haley, de Little Children, Ben Affleck, de Hollywoodland, Michael Sheen de A Rainha e Djimon Hounsou de Diamante de Sangue. Eu incluiria Kazunari Ninomiya, de Iwo Jima mas, mais uma vez, acho que estou sozinha nessa…
Melhor atriz coadjuvante. Jennifer Hudson, a Cinderela de Dreamgirls, deve entrar e ganhar. Restam, então, quatro generosas vagas para Abigail Breslin e Toni Collette (Miss Sunshine), Cate Blanchett (Notes on a Scandal), Emily Blunt (Prada) e Rinko Kikuchi (Babel).
Melhor diretor. Se formos seguir a velha escrita, os quatro tiros certos levam de reboque seus autores: Alejandro Gonzalez Iñarritu, Martin Scorsese, Stephen Frears e Bill Condon. O coringa pode ser a dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, Clint Eastwood, Pedro Almodvar, Alfonso Cuaron, Guillermo del Toro, Paul Greengrass…
Vamos ver amanhã…. Kate Winslet em Little Children, Filhos da Esperança, Kazunari Ninomiya em Iwo Jima, O Labirinto do Fauno, Matt Damon em Shepherd- os esquecidos? 
21/01/2007
O SOL BRILHOU PARA OS PRODUTORESFãs de Pequena Miss Sunshine, celebrem! Os mais de três mil integrantes da Producers Guild of America acabam de escolher o filme de Jonathan Dayton e Valerie Faris como o melhor de 2006. Sunshine recebeu o prêmio da PGA neste final de semana, derrotando os pesos-pesados Babel, Os Infiltrados, A Rainha e Dreamgirls. É um longo e belo caminho desde a estréia no festival Sundance, extamente um ano atrás, e um interessante oráculo do que pode acontecer a partir de terça feira, quando as indicações para os Oscars serão anunciadas....A família de Sunshine: favorito dos produtores
19/01/2007
DUPLA DE OUROAgora eu sei o que tanto Martin Scorsese (de Globo na mão) e Mark Wahlberg conversavam num canto da área VIP da festa da HBO – a dupla, cimentada pela participação de Mark em Os Infiltrados, está tramando um projeto de TV. Para a HBO, é claro. Wahlbelrg é o produtor executivo da superbemsucedida (e indicada) série Entourage, que se baseia, sem muitos rodeios, nas suas experiências como astro ascendente em Hollywood. Agora ele e Scorsese estão tramando uma série sobre “a ascensão da mafia em Boston” (segundo Mark) que deverá ser “o grande lançamento da HBO em 2008 “ (palavras de um terno Armani da casa). Adivinhem onde o projeto nasceu? Mark Wahlberg e sua turma na festa da HBO pós Globos: agora, máfia com Scorsese
19/01/2007
A BOLSA E O GEORGEAntes de passarmos para o assunto do momento – o que esperar das indicações ao Oscar, terça feira – tenho duas coisinhas a mais para comentar a respeito dos Globos:
- a bolsa de brindes. Como vocês se lembram, o Leão americano – The Lion, para os íntimos- está de olho nos mimos distribuídos em eventos deste tipo, querendo taxar todo brinde mais generoso. Este foi o primeiro Globo sob a espartana vigilância do Lion e, como me confessou o diligente Scott Orlin, responsável pelos presentes pós- Globos, “ficou muito mais difícil criar brindes originais. Realmente tirou a graça.” Que peninha: em vez dos mimos do passado – um ipod! Três dias num spa! Compras na Banana Republic! Produtos La Mer! – os convivas dos Globos 2007 tiveram que se contentar com uma bolsa, um vidro de colônia masculina (Calvin Klein) , uma caixa de bombons (Godiva), um livro sobre moda e uma coleção de cartões com mapas antigos. Houve choro e ranger de dentes. Uma jovem conviva postou-se na porta do stand de brindes e pedia a todos que abrissem seus pacotes e vissem a cor da bolsa – “a minha é marrom, achei tão sem graça… quer trocar comigo?”
- George Clooney. Estava demorando, não é? Mas a boa notícia (para este time, não para o outro) é que, segundo as muitíssimo bem informadas observações de uma Globette (convidada do Globo de Ouro) o apresentador de Melhor Atriz Coadjuvante prefere, decididamente, as representantes do sexo oposto.
George nos Globos: do lado oposto
16/01/2007
DOIS ADENDOSO nome da Miss Golden Globe 2007 é Lorraine Nicholson, filha de Jack Nicholson e Rebecca Broussard.E sim, a rainha Helen Mirren é a primeira pessoa a ganhar os principais globos de interpretação em cinema e TV. As anteriores inclusive Sigourney Weaver, ganharam dois prêmios por melhor atriz e melhor atriz coadjuvante, e não nas duas diferentes divisões dos Globos.
Orgulho do papai Jack: Miss Golden Globe, Lorraine Nicholson, no palco do International Ballroom