06/02/2007
HOLLYWOOD CADA VEZ MAIS 3DNuma era cada vez mais digital e dispersa, Hollywood se arma com o que sabe fazer melhor: o super espetáculo. E o caminho apontado por James Cameron tem cada vez mais seguidores: Robert Zemeckis acaba de fechar com a Disney um acordo para criar uma nova companhia, especializada em filmes 3D que utilizam a técnica do motion capture , onde atores de carne e osso servem de base para a animação digital. Zemeckis está feliz com a técnica desde O Expresso Polar, e A Casa Monstro, que ele produziu , foi um dos grandes sucessos de 2006 e está indicado ao Oscar.
O próximo filme de Zemeckis como diretor/produtor, o épico Beowulf, é inteiramente em motion capture, e será exibido em 3D em algumas telas dos EUA. E é sempre bom lembrar que Zemeckis é um pioneiro das novas possibilidades de manipulação das imagens, desde que construiu um mundo em que cartuns e atores se misturavam em barreiras – Uma Cilada para Roger Rabbit, 1988.
Zemeckis: depois do sucesso da Casa Monstro, só 3D
05/02/2007
A ACADEMIA ASSUME SEU LADO FÚTILTodo ano, nas semanas anteriores `a festa do Oscar, a Academia organiza um evento ligado `a moda. Em geral é uma coisa meio cafona e sem sentido, onde , com o pretexto de “antecipar as tendências para a temporada”, donos de lojas caras de Los Angeles desfilavam modelitos que, em geral, não passavam nem perto do tapete vermelho.
Este ano – talvez porque as mulheres estejam no comando – o evento teve classe, bom gosto e interesse: a convite da produtora Laura Ziskin, o editor especial da Vogue, Andre Leon Talley, organizou uma exposição-desfile dos modelos que, na sua opinão, marcaram a passarela do Oscar e fizeram a história dos prêmios como marcos da moda.
As escolhas variaram do vestido transparente que Cher usou quando quando seu Oscar por Feitiço da Lua em 1988 (assinado por seu estilista favorito, Bob Mackie, o modelito causou furor na época) ao chemisier preto ornado com pedaços do figurino original de Bonnie & Clyde que Faye Dunaway portava quando concorreu ao prêmio de melhor atriz pelo filme, em 1968.

Para tornar a coisa mais saborosa, Talley se concentrou nos anos mais recentes, e até o vestido feito de cartões de crédito bolado pela figurinista (vitoriosa) de Priscilla, Rainha do Deserto entrou na exposição. 
Vocês conseguem identificar estes outros grandes momentos do tapetão, segundo a exposição da Academia?
04/02/2007
SCORSESE MAIS PERTO DO OSCARAgora já sabemos quem vai ganhar a estatueta de Melhor Diretor: Martin Scorsese acaba de levar o prêmio de Diretor do Ano/Longa de Ficção da Directors Guild of America,por Os Infiltrados. Acreditem se quiser mas este é o primeiro o prêmio da DGA na longa e espetacular carreira de Scorsese. A gente se pergunta onde estavam os colegas dele antes....
A matemática simples indica que Scorsese tem, pelo menos, uma enorme vantagem de ficar com o Oscar de direção. Em idos tempos, o Oscar de diretor sempre indicava o vencedor de Melhor Filme, mas ultimamente esta escrita tem sido frequentemente quebrada, com Melhor Diretor ficando como uma espécie de Oscar de consolação. O que leva a uma reflexão: o Melhor Filme teria se dirigido sozinho? Marty e seu prêmio: até que enfim!
02/02/2007
POLANKSI FAZ FILME CATÁSTROFENo caminho supercomum que leva um diretor de longa carreira a tentar projetos cada vez maiores, Roman Polanski acaba de se comprometer com o maior de toda a sua notável (mas irregular) filmografia: vai dirigir um épico-catástrofe orçado em 130 milhões de dólares e cuja ação se concentra nos últimos dias de Pompéia, incluindo sua destruição pela erupção do Vesúvio (isso não conta como spoiler, certo?)
Polanski não é alheio a temas em grande escala: os bem sucedidos O Pianista e Chinatown trabalhavam em tom maior, assim como o fracassado Piratas, de 1986 e até mesmo o delicioso Baile dos Vampiros, do começo de sua carreira. Mas 130 milhões de dólares, a reconstrução de Pompéia e um vulcão em fúria são coisa bem maior.
O roteiro é de Robert Harris, autor do best seller no qual o filme se baseia, e as filmagens começam em junho na Itália.
Polanski e Adrien Brody no set de O Pianista: agora, maior ainda
01/02/2007
BORAT PODE SALVAR OS OSCARS?Há uma torcida enorme para que Sacha Baron Cohen seja convidado para apresentar algum Oscar. O motivo é muito simples: o alter ego de Borat certamente bagunçaria a veneranda festa com a mesma disposição com que arrancou gargalhadas no (bem mais relax) ambiente dos Globos de Ouro. E especialmente num ano em que rola um clima de pouca surpresas e muitos filmes que poucos viram, a implacável irreverência de Cohen seria uma benção.
E não faria mal algum ao Oscar, que há anos vem perdendo audiência nos EUA: os Globos tiveram um pique de mais 6% de audiência, num total de 20 milhões de espectadores nos Estados Unidos. Por causa de Cohen? Só ele, não… mas certamente não atrapalhou, até porque Borat é um dos filmes de maior bilheteria da temporada (127 milhões de dólares apurados, contra o insignificante orçamento de 18 milhões de dólares).
Laura Ziskin, produtora dos Oscars 2007, até agora não disse nada. Cohen está indicado como um dos autores do roteiro de Borat, e só isso (nos Globos ele venceu na categoria melhor ator/comédia). "Eles deviam mandar o jatinho da Academia pega-lo especialmente para o evento", comentou um executivo. Que pena que a Academia não tem jatinho... Sacha Baron Cohen triunfante nos Globos: sacudindo os Oscars também?
31/01/2007
MILAGRES DO SUCESSONada como o sucesso para ressuscitar até os mortos. A Warner está super mega interessada em um segundo filme explorando o universo e personagens de Os Infiltrados. E o roteirista William Monahan, que adaptou o roteiro do chinês (de Hong Kong) Internal Affairs no qual Infiltrados se baseia, concorda: ele já está trabalhando no argumento do que, em bom hollywoodês, é uma sequel do ultrabemsucedido filme de Martin Scorsese.
Marty está com a agenda cheia – neste momento ele trabalha com afinco na cinebio da juventude do presidente Theodore Roosevelt, novamente com Leonardo di Caprio no papel do jovem Ted – e não disse nem sim nem não. Concorda que é uma boa idéia, embora com um pequeno problema – ele matou praticamente todos os personagens principais, inclusive o de Matt Damon, que sobrevivia ao tiroteio na versão original. Mas existe sempre a possibilidade de uma prequel, a história do personagem de Jack Nicholson… E quem sabe que milagres Monahan, a Warner e o sucesso serão capazes de operar?
Marty, Leo e Matt no set de Os Infiltrados: fazendo milagres?
30/01/2007
TUDO SE TRANSFORMOUOs prêmios SAG deste domingo, somados aos Globos de Ouro, duas semanas antes, mudaram de vez a paisagem das probabilidades dos Oscars. No inicio da temporada de prêmios, tudo indicava que a inevitável polarização de todo ano seria entre Dreamgirls e A Conquista da Honra. Escrevi até (não aqui, na revista Florense) que estes dois polos tinham um sabor de revisita ao passado, em busca, talvez, de reflexões sobre o presente. Afinal, seria a disputa, em pleno 2007, entre dois dos gêneros mais clássicos do cinema: o musical e o filme de guerra.
Os dois primeiros favoritos estão fora de jogo para o principal Oscar, melhor filme. Espero ver Dreamgirls ganhar ator e atriz coadjuvante, melhor canção e pelo menos uma estatueta técnica (aposto em mixagem de som). São quatro de suas oito indicações. Nada mau, mas também longe de ser espetacular. A Conquista da Honra está fora. Qualquer coisa que o (magnífico) Cartas de Iwo Jima levar será lucro – mas dificilmente o filme de Eastwood ficará com o Oscar de melhor filme.
Para esse, vejam só, a disputa está entre dois títulos que, em setembro, as pessoas descartavam: Pequena Miss Sunshine (pequeno demais, estreou no primeiro semestre, ninguém se lembra mais dele, é “tipo Sundance”); e Os Infiltrados, que a Warner quase que escondeu por “não ser filme para prêmio”".
Ironias de Hollywood.
E Babel? Tem seus fãs, inclusive a turma da Time Warner que apostou as fichas de suas principais revistas, Time e Entertainment Weekly, no filme de Iñarritu. A ala de oráculos onde ponho mais fé discorda. E eu vou além: considerando que Babel é a terceira probabilidade, de quem tem mais chances de tirar votos? Da doçura de Sunshine ou da crueza de Infiltrados?
Os envelopes seguem amanhã para os acadêmicos.
A grande família de Sunshine e Leonardo di Caprio no tapete vermelho dos prêmios SAG: quem vai ficar com Oscar?
29/01/2007
PRÊMIOS SAG FUGIRAM NA KOMBIAgora o pessoal de Pequena Miss Sunshine pode até abrir as garrafas de champanhe: o pequeno filme que cresceu e apareceu levou o maior prêmio da Screen Actors Guild, o de melhor conjunto de elenco. É sinal seguro de que ele está na disputa séria pelo Oscar maior, o de melhor filme.
Os demais SAGs foram uma repetição exatada dos Globos: Helen Mirren e Forest Whitaker, melhores atriz e ator, Jennifer Hudson e Eddie Murphy, melhores codajuvantes. E Helen, como nos Globos, também levou o troféu de melhor atriz para TV.
Agora já sabemos como vão se definir as categorias dramáticas dos Oscars...O elenco de Sunshine comemora nos bastidores do Shrine: e essa roupinha da pobre Abigail, hein?
28/01/2007
O BRASIL VENCE SUNDANCE?A tentação de colocar este título foi quase irresistível mas.... será que Manda Bala é um filme brasileiro. O (excelente, aliás) documentário sobre a indústria dos seqüestros no Brasil acaba de ganhar o grande prêmio do festival de Sundance na categoria não-ficção, e sua diretora de fotografia, a muito brasileira Heloísa Passos, ficou com o troféu de fotografia. Mas.... Manda Bala foi dirigido por um americano, Jason Kohn, que foi assistente de pesquisa do mestre Errol Morris, e com ele aprendeu muito do estilo elegante, calmo e revelador que ele mostra em seu filme. Seus produtores e a maior parte da equipe também são americanos. E agora?