13/03/2007
APERITIVO DE PIPOCA

Rola esta semana em Las Vegas a ShoWest, a grande convenção de exibidores que, tradicionalmente, serve de plataforma de lançamento para os grandes filmes-pipoca da temporada. Este ano, o tom é em parte euforia – “2007 será uma das maiores rendas da história”, foi a previsão de Dan Glickman, o novo chefão da MPAA, no discurso de abertura do evento – e em parte, preocupação _ o que fazer com a mídia digital? A internet é aliada ou inimiga? E esses lançamentos que, a cada ano, estão saindo mais cedo em DVD?.

Mas a animação prevalece _ vem aí uma gorda temporada pipoca, onde, nas palavras de um exibidor, “quem não tem pelo menos um filme com um número no título deve estar preocupar”. Únicas exceções permissíveis: qualquer coisa com Harry Potter no título (como a Ordem da Fênix, este ano) e Transformers, que, na palavra de outro dono de cinema, “tem pedigree mais do que suficiente”.

Sabendo disso, os estúdios estão fazendo o oposto do costumeiro _ que é exibir os grandes lançamentos com exclusividade para os donos de cinema _ e escondendo suas pérolas. No máximo os exibidores ganham o mesmo que qualquer jornalista, prévias de seis a dez minutos…. E ficam com água na boca, o que é exatamente o plano.

Um dos poucos filmes esperados que foi exibido na íntegra é a nova versão de Hairspray, baseada no musical da Broadway e dirigida por Adam Shankman. Um bombom kitsch, como esperado _ e que sucesso fizeram os requebros de John Travolta como Edna Turnblad!


Travolta como Edna em Hairspray: gostosa!
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12/03/2007
TOM CRUISE,PODEROSO CHEFÃO: MISSÃO IMPOSSÍVEL?

Como vai indo Tom Cruise como capitão da indústria cinematográfica? Não muito bem, a julgar pelas reações dos observadores. Cruise, o ator, de fato fechou contratos importantes nos últimos meses – do prestigioso Lions for Lambs, dirigido por Robert Redford, que ele está filmando agora em Los Angeles, ao pipoca-total The Hardy Men, que ele faz logo depois, ao lado de Ben Stiller. Mas Cruise, o chefão da UA, tem sido visto com uma mistura de descrença e ironia. É uma atitude que fica bem clara na matéria recente do New York Times embora louvando a ousadia de Cruise e sua parceira a empreitada, a ex-agente Paula Wagner, e notando que o high profile Lions for Lambs é o primeiro projeto da dupla para a UA, a reportagem cita muita gente cética quanto ao futuro de um estúdio que “depende inteiramente de outro” (a MGM, nave-mãe da UA) e está comandado “por um grande astro e sua sócia”, coisa que que “nunca se viu”.

Para consolar Tom, o venerando Peter Bart , colunista da Variety e ex-chefe de estúdio (inclusive a UA) publica hoje uma Carta Aberta listando os principais obstáculos no caminho e dando conselhos ao chefão novato: “ouça sua voz interior”, é o principal (depois de uma lista arrepiante de problemas em potencial…)

De todo modo, Lions for Lambs está com a estréia marcada para 9 de novembro. Seria um candidato a candidato ao Oscar 2008?


Tom e Paula: ouvindo a voz interior
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09/03/2007
SUSPENSE DE OURO: ANGELINA & CLINT

Esta é uma dupla de ouro: Clint Eastwood está acertando os últimos detalhes para dirigir Angelina Jolie em The Changeling, um drama de suspense que ele começa a rodar no final do ano. Angelina fará o papel de uma mãe que tem o filho pequeno raptado. Quando a busca aos captores é bem sucedida e o menino lhe é devolvido, ela começa a suspeitar de que algo está errado e que a criança não é mais a mesma.

Um tema fascinante e aterrorizante para todo mundo que tem filhos, e que já inspirou um grande filme: Olivier, Olivier, de Agnieska Holland. O roteitro de The Changeling, escrito por J. Michael Straczynski (que vem da TV, especialmente da série Babylon 5) inspira-se em fatos reais ocorridos em Los Angeles na década de 20.


Clint e Angelina: juntos (Brad não se importa...)
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08/03/2007
SHYAMALAN APELA PARA A VIOLÊNCIA

Fãs de M. Night Shyamalan, comemorem! Depois das confusões com a Disney, os ataques e contra-ataques, as críticas de nariz torcido e a chuva de Framboesas de Ouro, o homem do Sexto Sentido conseguiu manter sua tenda armada em Hollywood: fechou com a Fox a produção de seu próximo projeto, o trilller The Happening. Não foi fácil: Shyamalan está há meses em peregrinação pelos estúdios com o roteiro – que antes se chamava The Green Effect – sem conseguir que ninguém se animasse. O deal só foi fechado quando ele se reuniu com seu parceiro em Sexto Sentido e Corpo Fechado, o produtor e roteirista Barry Mendel, e re-escreveu o roteiro incorporando sugestões de Tom Rothman, o presidente da Fox, que queria, segundo a Variety, “um filme mais violento, mais nervoso, num clima Silêncio dos Inocentes”.

E de fato _ com um orçamento de 75 milhões de dólares e lançamento previsto para a temporada-pipoca de 2008, The Happening será o primeiro filme de Shyamalan para maiores de 17 anos, com doses bem mais altas de violência explícita na história de uma família em fuga de uma catástrofe natural com implicações globais. Consta que um grande astro está interessado no papel principal…


Shyamalan: desta vez, um thriller "violento e paranóico"
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06/03/2007
HOLLYWOOD E OS DIRETORES ESTRANGEIROS: PERIGO DE COLISÃO! PERIGO! PERIGO!
Interessantíssimo o artigo de Patrick Goldstein, do Los Angeles Times, sobre um assunto que em geral deixa as pessoas perplexas:a mistura de fascínio e repulsa com que Hollywood trata os diretores estrangeiros de talento e sucesso que chegam às suas portas. Depois de um Oscar como este, é fácil lembrar as histórias com final feliz, como as de Guillermo del Toro e Alfonso Cuaron ou, num passado próximo, Ang Lee, John Woo, Roland Emmerich ou mesmo o nosso Fernando Meirelles.

Mas para cada uma delas, como Patrick bem lembra, há meia dúzia de jornadas espinhosas, com projetos abortados, intervenções furibundas dos estúdios, humilhações, frustrações e outros horrores. Casos super recentes incluem The Invasion, uma esperada refeitura de Invasion of the Body Snatchers – quarto filme baseado no livro de Jack Finney, de 1956 – que voltou para a mesa de montagem depois de ter sido filmado em 2005 e vetado pelo estúdio. O alemão Oliver Hirschbiegel, diretor do premiado A Queda- Os Últimos Dias de Hitler , estava no comando até ser demitido sem cerimônia, substituído pela trinca Irmãos Wachowsky-James McTeigue, que está, neste momento, virtualmente refazendo o projeto.

Goldstein conta várias histórias recentes de horror, às quais acrescento duas vias crucis que acompanhei de perto : a gênese, desenvolvimento e conclusão de Água Negra, um processo tão desconfortável que fez Walter Salles se prometer não voltar tão cedo a Hollywood; e um nunca realizado filme de Pedro Almodovar com a Fox, de cujas reuniões o aclamado cineasta espanhol saía sempre vermelho, bufando e dizendo “É impressionante como todo mundo lá dentro entende de cinema…. Menos eu, pelo jeito!”

Esse é o x do problema na difícil travessia Mundo-Hollywood: a indústria americana é uma indústria, onde as decisões são tomadas em comitê e o controle permanece nas mãos dos produtores.

Olho vivo, Florian von Donnersmarck, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano _ parece que sua fluência em inglês impressionou muito bem os executivos presentes no teatro Kodak


Daniel Craig e Nicole Kidman em The Invasion: na prateleira há dois anos
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05/03/2007
SPIDEY ATACA TÓQUIO
Fãs descabelados ou apressadinhos do Homem Aranha devem começar, já, a juntar seu dinheirinho: o novo filme de Sam Raimi terá sua estréia mundial em Tóquio, no dia 1 de maio. Duas semanas antes, no dia 16 de abril, Raimi, Stan Lee e todo o elenco estarão presentes `a badaladérrima pré-estréia no multiplex Toho Cinemas em Roppongi, o bairro chique de Tóquio.

Estrear um filme-arrasa-quarteirão fora dos EUA é uma estratégia ousada que tem dado muito certo. Por insistência de James Cameron, Titanic foi o primeiro a testar o impensável ,dez anos atrás: mostrar um filme comercialmente, em primeiro lugar, fora dos EUA. E o resultado foi o que se viu…

Mercado internacional número um em consumo de filmes americanos, o Japão é a praça ideal para um filme como Homem-Aranha 3. Se bem que eu, de tanto ver o trailer, estou com a impressão de que já vi o filme antes mesmo da estréia…


Tobey e Kirsten: relax na teia, em Tóquio primeiro
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02/03/2007
PARA O OSCAR 2008: ZODIAC, DE DAVID FINCHER

Já podemos começar nossas listas para o Oscar 2008 _ Zodiac, de David Fincher, estréia hoje nos EUA e macacos me mordam se ele não for direto para as listas de indicáveis do final do ano. Depois de muita hesitação – o filme deveria ter estreado ano passado, o que provavelmente mudaria a paisagem dos prêmios deste ano – Zodiac vem precedido de crescente buzz positivo, selado por excelentes críticas do Los Angeles Times e até da impiedosa Manohla Dargis do New York Times. E é o tipo de filme que vai carregar consigo o elenco – o trio central, Jake Gyllenhaal, Robert Downey Jr e Mark Ruffalo, está sensacional -,o roteirista James Vanderbilt, o diretor de fotografia Harris Savides , reinventando o digital, e a direção de arte, que recria o período 1969-1979 como rescaldo de um sonho que não deu muito certo.

Inspirado pelos livros autobiográficos do cartunista e escritor Robert Graysmith (o personagem de Gyllenhaal) Zodiac segue o sinistramente ilustre serial killer do mesmo nome, cuja identidade até hoje permanece um mistério. Mas não é um exercício em sanguinolência e grostesco, como Seven – é na verdade o oposto do filme que lançou Fincher, ao desglamourisar a violência e observar com rigor o impacto de sua monstruosidade naqueles que tentam contê-la.

Um para as listas – mesmo!

Direto da redação: o repórter policial Robert Downey Jr. e o cartunista Jake Gyllenhaal seguem os crimes do Zodiac
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01/03/2007
E O OSCAR VAI PARA….

Honório Filho, de Vitória, Espírito Santo, nosso primeiro Oráculo Hollywood Watch!

O Oráculo, num clima Bebê de Rosemary, planeja suas visões para o ano que vem

Honório, que postou seus palpites ‘as 16h 02 do dia 24 de fevereiro , acertou 17 das 24 categorias, feito único entre os 80 candidatos ao título. Honório acertou o melhor filme – ao contrário da maioria, que cravou em Pequena Miss Sunshine – e foi na mosca em várias categorias difíceis, como curta, curta documentário e trilha sonora.

Medalhas de prata vão, com louvor, para Silrone Lima, Vinicius P. e Lucas, que ficaram logo atrás, com 16 palpites certos.

O bronze fica com a turma que emplacou 15 palpites corretos: Fernando Segtowick, Daniel Day Lewis (???!), Thulio, Koda, Otavio Almeida, Julio Santiago, Fernando Brambilla, Marcelo Martins e Robson Costa.

A média de acertos foi de 13-14, um bom número que representa cerca de 60% de respostas certas _ ou seja, vocês são mesmo muito bem informados. Alan Arkin derrubou muita gente, mas os piores “assassinos” foram o melhor filme estrangeiro (apenas um apostador, o medalha de bronze Fernando Segtowick, acertou essa – parabéns!!!), a melhor canção (quase todo mundo cravou alguma coisa de Dreamgirls) e o melhor figurino.

Honório já recebeu seu email especial, e prestou as seguintes declarações `a imprensa mundial: "Desculpem-me pela demora por um pronunciamento, mas no calor da emoção, plagiando a nossa Miss Sunshine, corri pela casa gritando ‘Eu ganhei!’, ‘Eu ganhei!’ e acabei deixando meu papel com os agradecimento cair no chão e só o achei agora.

O Oscar 2007 realmente foi imprevisível, e os meus acertos se devem a visita quase diária aos sites de previsões e, principalmente, ao Hollywood Watch que é uma das poucas páginas em português com ótimos comentários e previsões. Ah, sem esquecer do meu próprio senso crítico, uma vez que procurei assistir a todos os indicados.

Enfim, acompanhar a corrida ao Oscar sempre foi um hobby. Lembro-me de ler sobre ‘Miss Sunshine’ ainda quando estava em Sundance, as primeiras críticas sobre The Queen e Babel durante o festival de Cannes e a muito falada estratégia de lançamento dos dois filmes do Eastwood. É muito legal terminar a temporada ganhando o bolão."

Acrescentando, com seus olhos de visão raio-x já em chamas: "E que venha o bi-campeonato!" .

Parabéns a todos os participantes!


Honório, você merece um desses, mas a Academia diz que não pode mandar por Sedex...
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28/02/2007
PÓS-OSCARS: A ACADEMIA CONTRA O YOU TUBE, MARTY A FAVOR DA HFPA
Contando com o You Tube para rever (ou, a julgar pelos comentários dos hollywood watchers, ver pela pela primeira vez..) os melhores momentos do Oscar? Esqueça. A Academia deu uma prensa no popularíssimo site e o obrigou a remover todos os clipes da festa que já faziam a delicia dos internautas ( os mais vistos eram o monólogo de abertura de Ellen de Generes e os números musicais, especialmente aquele do trio Will Ferrel-Jack Black –John C. Reilly).

Como esta deve ter sido uma das festas mais chatas dos últimos anos (como espetáculo, não como resultado) até que não se perde muita coisa.

E em mais um detalhe interessante pós-Oscar: de Oscar em punho, nos bastidores do teatro Kodak, Martin Scorsese elogiou… a Hollywood Foreign Press Association! “É crucial restaurar filmes em celulóide. É o único modo de garantir a integridade dos trabalhos. A Hollywood Foreign Press Association tem-nos dado dinheiro, todo ano, para o restauro de filme específicos _ este ano será The Red Shoes, de Michael Powell e Emeric Pressberger. Esse é o trabalho que tem de ser feito.”

Só por curiosidade: Powell, um dos mestres esquecidos do cinema contemporâneo, foi marido de Thelma Schoonmaker, a oscarizada mestra da montagem.

A câmera do Oscar aponta para uma platéia de estrelas: nada de You Tube!


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27/02/2007
MARTY, MONAHAN , JAGGER E OSCAR
Com seus Oscars firmemente nas mãos, Martin Scorsese e o roteirista de Os Infiltrados, William Monahan, não demoraram a adicionar mais um projeto `as suas agendas. Aliás, “adicionar” não seria o termo mais exato _ The Long Play, nome atual do futuro filme, é algo que Scorsese e seu amigo, Rolling Stone e produtor bissexto Mick Jagger vêm discutindo há quase uma década: a história de dois amigos ao longo de 40 anos na indústria da música, dos sonhadores 60 aos digitais 00. Marty e Mick são compadres há tempos, e Scorsese está pondo os toques finais no documentário que rodou em algumas datas da turnê norte-americana dos Stones.

A novidade agora é que The Long Play saiu de vez da idéia para o papel – do contrato, que é o mais pesado de todos- com a Paramount bancando os custos. Antes, contudo, Scorsese e Monahan fazem outro filme para a Paramount- o épico medieval The Last Duel, que já menciou aqui no Watch.

Viu, pessoal? É para isso que serve um Oscar. Entre outras coisas.


Oscar, duelos e rock 'n roll: Marty e Monahan nos bastidores do Kodak
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