25/04/2007
IAN CURTIS NA CROISETTE

Control, a cinebio do grande, saudoso Ian Curtis na visão de seu amigo e fotógrafo pessoal, Anton Corbjin, foi escolhido como filme de abertura da Quinzena dos Realizadores em Cannes 2007. Para quem chegou agora na história, Curtis era o vocalista e compositor da banda Joy Division, absolutamente essencial para a evolução do rock nos últimos 70/ 80. Control é mais uma nota num festival repleto de inclinações musicais, de Norah Jones estreando como atriz em My Blueberry Nights, de Won Kar Wai, ao documentário U2 3D de Catherine Owens e Mark Pellington, nas sessões de meia noite. O U2 em peso, aliás, além do pessoal do New Order e Depeche Mode estarão prestigiando o amigo Corbjin no dia 17 de maio, quando Control será visto pela primeira vez (mesmo: a cinebio ainda está em ritmo acelerado de finalização).

Vamos ver mais filmes com páginas importantes do rock? Muito possivelmente _ já existem pelo menos três gerações de compradores de ingressos formadas sob o signo do rock n roll… Pena que no meio de coisas interessantes venham outras como a cinebio das Runaways…. Mas quem pediu, hein?


Curtis, na foto clássica de Corbjin que serve de poster para Control: abrindo a Quinzena
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24/04/2007
CHUVA DE ESTRELAS? MAIS OU MENOS…

O que vocês acham do cartaz do Festival de Cannes 2007? Confesso que a primeira que vi achei que era uma sátira… uma espécie de piada visual com o famoso Club Croisette, a turminha de queridinhos do Festival que raramente sai de mãos vazias do sul da França… Mas é a sério: foto de Alex Majoli, da Magnum, design de Christopher Renard. E depois de ficar olhando um tempão estou começando a gostar… quantas caras vocês reconhecem?

Club Croisette em ação: reconhecem alguém?
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23/04/2007
A REALIDADE, A FICÇÃO, A REALIDADE?
Um estudante asiático, incapaz de se adaptar ao meio ambiente de uma universidade norte-americana, explode em fúria e frustração e assassina vários de seus colegas e professores.

Este é o tema central de Dark Matter, o filme de estréia de uma dupla muito interessante – o jovem roteirista Billy Shebar e o aclamado diretor de teatro e ópera da China, Chen Shi-Zheng. Vencedor do prêmio Alfred P. Sloan no festival Sundance deste ano (o prêmio Sloan distingue “obras cinematográficas excepcionais que têm a ciência como tema”; Uma Mente Brilhante ganhou um desses), Dark Matter provocou níveis idênticos de admiração e desconforto na seleta platéia de Park City. Baseado em fatos reais ocorridos em 1991 na Universidade de Iowa, onde um brilhante estudante chinês , sentindo-se sabotado em sua carreira acadêmica, abriu fogo contra seus colegas e professores de pós-graduação, matando cinco pessoas, Dark Matter inspira-se na visão chinesa clássica do universo para guiar o espectador pela mente de Xing Liu (Ye Liu), um notável estudante de cosmologia cujas idéias revolucionárias sobre a matéria escura encantam uma mecenas milionária (Meryl Streep) mas ameaçam seu orientador de tese (Aidan Quinn). O impacto do filme foi tal que seu destino parecia selado:”é desconfortável demais para ir às telas, deve ser lançado apenas em DVD”, era o consenso dos compradores em Sundance.

Isso, antes de Virginia Tech…

Agora, por essas ironias tão comuns em Hollywood, há um interesse renovado em Dark Matter, e os produtores têm recebido muitos pedidos para reuniões e exibições. É interessante. E um pouco assustador.



O jovem gênio (Liu) e sua mecenas (Streep) em Dark Matter: realidade? ficção?
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20/04/2007
Amigos HwoodBloggers, vejam bem que não estou em momento algum dizendo que o cinema fez o sujeito se tornar um assassino. Achei muito forte, contudo, o modo como a iconografia do cinema influenciou e deu o formato do discurso dele; o modo como o inconsciente dele, obviamente estraçalhado por forças que talvez jamais possamos compreender, escolheu se expressar em imagens filtradas de inúmeros filmes, muitos mais dos que consegui pinçar.

Coppola me disse uma vez que era preciso ter muito cuidado com filmes, porque êles são, um pouco (muito, eu diria) um ato mágico: você conjura certas forças e elas acabam se manifestando. Coppola via paralelos entre os climas e temas de seus filmes e o que cada trouxe para a vida dele, mas eu tambem vejo o que eles trazem para as vidas das pessoas que a eles se entregam, completamente, na sala escura do cinema. Vindos do inconsciente de diretores e roteiristas, êles se conectam com nosso inconsciente, e nos formam.
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19/04/2007
O responsável pelo massacre no campus da Virginia Tech agiu inspirado pelo filme Old Boy _ pelo menos na hora de criar o seu manifesto multimidia, o pacote de delírios e tormentos que enviou à rede NBC?

A teoria, levantada inicialmente por um professor da Virginia Tech, Paul Harrill, e disseminada através do blog The Lede, no New York Times, tem mérito, como ilustram as fotos que já estão por toda parte, contrapondo a fúria fictícia de Choi Min-sik ao muito real e desesperado ódio de Cho Seung-Hui.

A associação de imagens também me ocorreu, imediatamente, mas não de um modo isolado – com raras exceções, o video e as fotos produzidas por Cho para substanciar o impensável tinham ecos de coisas já vistas, coisas já sonhadas em outros cantos escuros, com outros propósitos.

Este é o terrível poder de nossos sonhos e pesadelos _ um dia, sem aviso, êles vêm nos acordar.



Matrix, 1999

Máquina Mortífera, 1986

Taxi Driver, 1976
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18/04/2007
AS OUTRAS BRONCAS DE FRANK DARABONT
Algumas outras coisas muito interessantes na entrevista de Frank Darabont à MTV News, além da paulada em George Lucas:
- Sua principal influência em A Neblina, que acaba de filmar na Louisianna, é Extermínio, o maravilhoso terror-verité de Danny Boyle. “Joguei fora tudo o que eu sabia a respeito de filmar “certinho” e fiz um filme só para me divertir”, diz Darabont a respeito do projeto, que estréia em novembro nos EUA.
- A esperta CafeFX assina os efeitos _ é a mesma de Labirinto do Fauno.
- Embora este seja sua terceira adaptação de Stephen King, não deve ser a última _ Darabont detem os direitos de dois outros contos do Mestre do Terror, “The Long Walk” e “The Monkey”
- Ele abomina filmes na linha Jogos Mortais e O Albergue, que chama (com muita exatidão) de “pornografia da tortura”. “Gostaría que filmes assim não fôssem feitos. Tortura não é divertimento. Isso diminui nosso espírito como seres humanos.”

Sempre gostei de Darabont, um bom sujeito, simples e inteligente. Agora gosto mais ainda.

A paulada? Se você ainda não sabe, Darabont lamenta ter passado um ano escrevendo um roteiro para Indiana Jones 4 juntamente com Steven Spielberg, só para tê-lo recusado por George Lucas. “Eu disse a êle- George, você é maluco. Este é um grande script.” E era mesmo.

(A foto aqui é de uma exposição da Directors Guild. Não me perguntem sobre o ursinho. Não faço idéia.)


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17/04/2007
O SUSPENSE DOS PIRATAS
O plano é mais que perfeito- é espetacular: no dia 25 de maio Piratas do Caribe 3 chegará às telas do mundo todo (menos, talvez, as da China, cujos censores ainda estão analisando os feitos de Jack Sparrow e companhia. ) Seis dias antes, no dia 19, o filme terá sua pré-estréia na Disneylândia, num gigantesco cinema ao ar livre com tela flutuante construído especialmente para a ocasião e com a presença de todo o elenco (menos Keith Richards _ consta que a Disney, sempre ciosa dos valores de família, proibiu a presença do Stone depois daquela piada dele sobre cheirar as cinzas do pai…)

Um único problema _ o filme não está pronto. E, ao que parece, ainda falta um bom bocado para isso : um bocado que custa cerca de 50 milhões de dólares para arranjar, colocando o custo de PC 3 em torno de 300 milhões de dólares . (Ninguém está suando muito – como lembra a bem informada Nikki Finke, do LA Weekly, Homem Aranha 3 vai para as telas custando 350 milhões…. E a franquia Piratas é das mais lucrativas, em todos os sentidos, inclusive para as atrações dos parques da Disney).

A culpa _ os efeitos especiais que já acumularam Oscars para os Piratas e que, pelo que contam, desta vez são super espetaculares.


Os Piratas, versão 3.0: todos na festa, menos Keith
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16/04/2007
UM LIVRO ABALA HOLLYWOOD

Uma jovem, bela e inocente estudante universitária vem de uma cidadezinha do meio-oeste americano para Hollywood, atraída por promesssas de fama e fortuna como estrela do piloto de uma sitcom na qual ela faz…. jovem, bela e inocente estudante universitária vinda de uma cidadezinha do meio-oeste americano. Tudo muda ainda mais quando o piloto é comprado por uma grande rede de TV, e ela se torna uma mini-celebridade, atraindo uma proposta entre o indecende e o irrecusável: um super-astro lhe propõe um “namoro contratual”, desses onde nada acontece de verdade a não ser muitas fotos pseudo amorosas no tapete vermelho.

Você já viu isso antes? Sim e não _ esta é a história de Hollywood Car Wash, um roman a clé escrito pela jornalista (Salon, Xan Francisco Guardian) Lori Culwell e que, por motivos óbvios, está dando o que falar. Consta que Katie Holmes – que nasceu no meio-oeste e estrelou a série Dawson’s Creek e foi muito amiga de Lori em idos tempos – está furiosa. As colunas de fofocas, por sua vez, estão se deliciando , e multiplicando as especulações.

Lori não confirma coisa alguma, apenas diz que seu livro “se baseia em fatos reais” e que já está estudando “propostas para uma adaptação cinematográfica”. Iiiiiih….


TomKat: inspiração literária?
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13/04/2007
UM MUSICAL FELLINIANO VAI PARA AS TELAS

Não pensem que a decepção em torno da reta final de Dreamgirls tirou o renovado entusiasmo da indústria pelo musical; ou que as cipoadas de Grindhouse desanimaram os irmãos Weinstein… A Weinstein Co. acaba de fechar com Rob Marshall (Chicago, Memórias de uma Gueixa) para dirigir uma adaptação cinematográfica de Nine, o musical da Broaway que, em suas várias produções, entre 1982 e 2003, ganhou sete prêmios Tony.

É uma dessas trajetórias curiosas e cada vez mais comuns do cinema para o teatro e de volta para o cinema _ Nine é uma livre interpretação de Oito e meio, de Fellini, um musical fluxo-de-consciência sobre um cineasta em crise, debatendo-se entre memórias da infância e pressões do presente. Raul Julia e Antonio Banderas viveram o personagem nos palcos (e foram indicados a Tonys por ele), mas Marshall garante que ainda não tomou decisões quanto ao elenco, a não ser que “o roteiro será escrito sob medida para enfatizar o talento dos atores escolhidos.

Dando tudo certo, Nine será um lançamento da temporada-prestígio de 2008.


Antonio Banderas em Nine, na Broadway: Fellini cantado
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12/04/2007
MASSACRE À VISTA: FRACASSO DE GRINDHOUSE MUDA TUDO

O fracasso de Grindhouse (sim, foi um fracasso mesmo… continuem lendo..) está levando a Weinstein Company a reformular seus planos. Numa conversa com a sempre bem informada Nikki Finke , Harvey Weinstein em pessoa admitiu que a bilheteria norte-americana _ 12 milhões de dóllares _ foi metade do esperado, que o esquema de distribuição e marketing falhou e que a salvação agora (como sempre) são os mercados internacionais. Aliás, Harvey está decidido a relançar Grindhouse nos EUA exatamente como será no exterior _ como dois filmes separados, sem “rolos faltando”. A idéia seria começar o relançamento daqui a dois meses (em plena temporada pipoca, portanto…), com Death Proof, de Tarantino. Planet Terror seria lançado quinze dias depois.

No exterior, Weinstein está apostando tudo em Cannes : Death Proof está oficialmente em competição, enquanto Planet Terror,de Robert Rodirguez, fica apenas com a sessão da meia noite, O festival será seguido por extensa campanha promocional na Europa, com a presença de Tarantino (mas não de Rodriguez…).

O mea culpa de Harvey quanto à distribuição é mais que merecido _ multiplicam-se pela mídia americana histórias de cinemas especializados em filmes B que não conseguiram exibir Grindhouse, e foram completamente ignorados e esnobados pela Weinstein Co. Pior ainda: o Grindhouse Festival de Portland, Oregon – que seria a plataforma perfeita para o filme – recebeu o mesmo tratatamento.


O cartaz original de Grindhouse nos EUA: será que vai virar relíquia, também?
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