10/05/2007
A VOLTA DO EXTERMINADORO Exterminador do Futuro vai voltar _ sem Arnold Schwarzenegger, com um elenco completamente novo e novas histórias sugeridas pelo conjunto de mitos dos três primeiros filmes. Uma novíssima produtora, a Halcyon, criada pelos investidores Victor Kubicek e Derek Anderson, acaba de comprar todos os direitos dos personagens à dupla que produziu a trilogia original, os produtores Mario Kassar e Andy Vajna. Kassar e Vajna, poderosíssimos nos anos 80-90, andavam brigando mais que torcida em dia de final, cada qual com problemas financeiros maiores; com isso, um lote de importantes propriedades com grande potencial comercial – além do Exterminador, Total Recall, Rambo – estavam presos em complicadas manobras legais.
A idéia de Kubicek e Anderson, segundo disseram à Variety, é seguir o exemplo de franquias como James Bond, Batman e Superman, que passaram por um verdadeiro face-lift sem perder os elementos básicos de sua mitologia. Ainda não há diretor ou elenco definidos, mas John Brancato e Michael Ferris. que escreveram T3, já estão trabalhando no roteiro de T4, que será focado no perosnagem John Connor, já adulto, liderando a revolta humana contra as máquinas. E, sim: T4 deve ser o primeiro filme de uma nova trilogia – meu palpite é que este será um bom campo de treinamento e plataforma de lançamento para jovens diretores estrangeiros cheios de idéias mas dispostos a bater bola com Hollywood (como o talentoso espanhol Juan Carlos Fresnadillo que, depois do seu excelente Intacto está assinando 28 Weeks Later, a continuação do terror-sci fi de Danny Boyle).
Tudo indo de acordo com o plano, T4 estrearia na temporada pipoca de 2009.
O governador em T2: fora dos próximos
08/05/2007
VIVA LOS THREE AMIGOS!Mais um sinal importante de mudança na indústria: conscientes de seu poder depois de uma série de filmes de sucesso crítico e comercial, e cansados de ficar esperando projetos com um mínimo de inteligência, Alfonso Cuaron, Guillermo del Toro e Alejandro Gonzalez Iñarritu montaram uma ofensiva comum. Assim como Peter Jackson e Michael Mann, os three amigos criaram um pacote de cinco projetos – um para cada diretor, mais dois com os agregados, Carlos Cuaron, irmão de Alfonso, e Rodrigo Garcia ( o filho de Garcia Marquez que dirigiu Coisas Que Você Pode Dizer Só de Olhar para Ela, e mais recentemente, Passengers) – e o encaminharam aos principais estúdios. Os filmes são prioritariamente em espanhol, e o custo total dos cinco projetos é 100 milhões de dólares. O que, sinceramente, é uma barganha em Hollywood.
Três estúdios tomaram a dianteira nas negociações: Universal, Paramount Vantage (o selo “especializado” da Paramount) e Warner. A Universal é a mais interessada e, segundo disse um representante dos Three Amigos à Variety, “já estamos na terceira rodada de negociações, embora haja muito chão pela frente.”
É uma jogada ousada, mas perfeita, unindo o prestígio e o poder de três cineastas talentosos com projetos nos quais acreditam, e que são estrategicamente importantes – pela temática latina, a língua, a presença de outros diretores, Capitaliza-se, distribui-se e multiplica-se o poder arduamente conquistado. É assim que se faz.
Iñarritu,Del Toro, Cuaron: juntos no ataque a El Guapo
07/05/2007
CONTINUA A MANIA DA CONTINUAÇÃOE você que achava que já tinha visto todas as sequels do mundo, hein? Saiba que, se pequenos e grandes problemas jurídicos e criativos forem resolvidos, nós veremos mais algumas novas aventuras (e desventuras) de personagens que pensávamos ter deixado lá na tela com o The End.
Dois deles:
*Wall Street. O filme de Oliver Stone de 1987 – hiper cult entre corretores, conta o New York Times – vai ter uma continuação com Michael Douglas, mas sem Stone ou Charlie Sheen. O novo projeto, Money Never Sleeps , terá como foco o personagem Gordon Gekko, que valeu um Oscar de Melhor Ator para Douglas; Gekko sai da cadeia e encontra um não muito admirável mundo novo, no roteiro que está sendo escrito por Stephen Schiff (Crime Verdadeiro) . Michael Douglas e Edward Pressman, produtor de Wall Street e desta continuação, estão pressionando Stone para dirigir Money… mas… até agora, nada.
*Depois de O Tigre e o Dragão que tal… A Cegonha e a Montanha? Ou… A Espada e a Pérola? O destino destas e outras sagas escritas pelo mesmo autor de Tigre, Wang Du Lu, está sendo decidido num tribunal do Canadá, onde mora o filho e herdeiro de Lu, Hong Wang. A Columbia e os irmãos Weinstein estão duelando para ver quem fica com os direitos ao pacote de cinco livros que detalha as aventuras do mesmo grupo de personagens de Tigre – a fórmula perfeita para muitas continuações de sucesso. Wang teria feito um acordo verbal com a Columbia, mas os Weinstein juram que possuem um contrato assinado por êle. Se os tribunais não resolverem, sugiro tambores, fios invisíveis, florestas de bambu e duas espadas bem afiadas.
De volta: Gekko, tigre, dragão
05/05/2007
NO LEILÃO DE JACKSON, SPIELBERG LEVOU VANTAGEMA DreamWorks foi a vitoriosa no leilão pelo pacote The Lovely Bones. E não porque pagou mais _ na verdade, dos quatro estúdios concorrentes, foi a que ofereceu o menor cachê a Peter Jackson por seu trabalho (e talento) como diretor, produtor e roteirista (70 milhões de dólares segundo o LA Times). A presença de Spielberg (que agora se torna produtor executivo), sua afinidade pelo tema e amizade pessoal com Jackson, e o brilhante plano de marketing apresentado foram os fatores decisivos.
E assim muda Hollywood...
04/05/2007
CIA E HOLLYWOOD NAS MÃOS DE GEORGE CLOONEY (VIA WIRED)
No final dos anos 70, uma nova produtora chamada Studio Six se instala no lot da Columbia e começa a receber roteiros e participar de reuniões. Depois de alguns meses seus principais executivos viajam para Teerã, para procurar locações e preparar as filmagens de um épico de ficção científica. Tudo normal, exceto por um pequeno detalhe:a companhia era fictícia, seu “fundador” era um agente da CIA chamado Tony Mendez e a verdadeira missão de seus “produtores” era salvar seis americanos escondidos na capital iraniana, fugidos do governo do Aiatolá.
Quando li esta história – incrível demais para não ser verdadeira – na edição atual da sempre ótima Wired, pensei imediatamente: “que filme isso dá!” George Cloney pensou o mesmo: êle acaba de adquirir os direitos da matéria da Wired, e vai adaptá-la para a tela, em parceria com seu sócio na produtora Smokehouse, Grant Heslov. É claro que Clooney quer fazer o papel de Mendez, além de produzir o projeto. Dirigir? Talvez. Mandar um pacote para os estúdios? Muito possível.
Clooney e a Wired deste mês: a realidade supera a ficção
03/05/2007
A MODA PEGOUUm dia depois de Peter Jackson mandar seu pacotão – e provocar um duelo entre quatro grandes estúdios – Michael Mann e Leonardo di Caprio fizeram exatamente a mesma coisa. O diretor de Colateral mandou proposta idêntica aos estúdios _ e desta vez a New Line foi incluída _: um roteiro completo,assinado por John Logan e uma carta especificando os detalhes, inclusive o mais importante, a participação de Leonardo di Caprio como co-produtor e astro, e uma soiicitação de proposta de investimento e esquema de distribuição.
O projeto de Mann ainda não tem título, mas a premissa é boa: nos anos 30, no auge do “studio system” um assassinato em pleno estúdio da MGM é investigado por um detetive particular _ Di Caprio – cuja missão é menos resolver e mais acobertar. Noir clássico, em clima de “era de ouro de Hollywood”. Ecos de Los Angeles Cidade Proibida. Bacana.
Mann já recebeu uma proposta de 100 milhões de dólares da New Line, mas a disputa está acirrada. Fechado o negócio, as filmagens começariam em fevereiro de 2008.
Enquanto isso, Jackson ainda está pesando as propostas para Bones. Êle quer começar a filmar no dia 29 de outubro, e entregar o filme um ano depois, em outubro de 2008.
Enquanto isso, Di Caprio pode mesmo ser indicado ao Oscar de documentário, ano que vem: a Warner acaba de fechar acordo para distribuir The 11th Hour em todo o mundo. Nos EUA o documentário estréia em outubro. Na hora H, mesmo.
Di Caprio: agora, detetive em clima noir
02/05/2007
QUATRO ESTÚDIOS DUELAM POR JACKSONSony, Universal, Warner e DreamWorks (que faz parte da Paramount) estão em franca disputa para capturar Uma Vida Interrompida (The Lovely Bones) o novo projeto de Peter Jackson. Como contei no post abaixo, Jackson deu a mão _ propôs um orçamento de produção de 65 milhões de dólares, custos eventuais de 10 milhões e um pacote de cachê (para êle mesmo, como diretor, produtor e roteirista) de 90 milhões _ e ficou esperando a resposta. Que, como se vê, não tardou a chegar.
Os mãos-de-vaca Fox e Disney não se manifestaram porque acharam tudo "muito caro". E a New Line não foi incluída na rodada.
Mas grana não é tudo. Jackson vai escolher baseado em quem lhe der melhor plano de lançamento e mais liberdade de movimentação.
02/05/2007
PETER JACKSON VIRA A MESAEnquanto o Brasil curtia um feriadão, em Hollywood Peter Jackson estava super ocupado pondo os toques finais num projeto ousado que pode mudar o modo como os filmes são feitos. Em vez de esperar que os estúdios lhe oferecessem alternativas para realizar o que deve ser seu próximo filme – a adaptação tela grande de Uma Vida Interrompida (The Lovely Bones), o magnífico best seller de Alice Sebold – Jackson enviou um pacote a quase todos os tops da cidade. Nêle havia um roteiro (assinado por êle e Fran Walsh e – o mais importante – uma carta especificando o orçamento previsto, a data de início das filmagens,as locações (Pensilvânia, efeitos e pós na Nova Zelândia ), um CD com as músicas de época que êle pretende usar no filme (que se passa ao longos dos 70) e outros detalhes, e pedindo, claramente, que cada estúdio faça uma proposta incluindo quanto podem investir, o que querem em retorno e quando/como pretendem distribuir a película.
É uma inversão completa do jogo da produção, e coloca o controle do projeto firmemente nas mãos de Jackson e sua produtora, a Wingnut (que ‘e baseada na Nova Zelândia, e não em Hollywood...). Segundo informa a sempre ligada Nikki Finke, os estúdios estão se rasgando todos desde ontem, tentando pescar este gordo projeto, que é sucesso na certa _ Peter Jackson + best seller+ grande história. Não todos, contudo: Jackson não enviou o pacote para New Line, com quem vem se desentendendo feio desde o final da trilogia Senhor dos Anéis...
Quem se lembra de Jackson apenas como diretor de épicos fantasiosos pode desconfiar de sua habilidade para tocar uma história tão íntima, intensa e delicada quanto a de Vida Interrompida (ATENÇÃO SPOILER PRA QUEM NÃO LEU O LIVRO – de uma outra dimensão uma adolescente assassinada vela por sua família e amigos, tentando consolá-los e levar à elucidação do crime de que foi vítima). Chequem, por favor, Almas Gêmeas (Heavenly Creatures), de 1994, primeiro filme da carreira de uma muito jovem Kate Winslet e um perfeito estudo sôbre a complexidade da alma adolescente e feminina. Treze anos depois, Jackson vai retornar ao mesmo território. Muito interessante.
Peter Jackson e a muito jovem Kate Winslet em Almas Gêmeas, de 1994: proposta ousada para voltar ao mesmo território
27/04/2007
MUNDO VERDEHollywood está cada vez mais verde… e agora, Cannes também…. Dia 19 de maio a Croisette terá a estréia mundial de The 11th Hour, o mega-documentário criado, escrito, apresentado e produzido por Leonardo di Caprio. São mais de 50 entrevistas com celebridades do mundo da ciência, tecnologia, política e ecologia – entre elas Mikhail Gorbachev, o físico Stephen Hawking, e o geneticista e eco-filósofo David Suzuki _ ponderando sobre o que pode ser feito para recolocar nosso planeta no rumo da saúde ambiental e social.
Inteiramente não por acaso, a Vanity Fair está saindo com sua “edição verde” anual… com Leonardo na capa, liderando um desfile de hollywoodianos ecologicamente preocupados e liderantes. (Vocês podem achar uma versão nativa da mesma proposta no número atual da Revista Florense, cortesia de mim mesma…. Sendo que esta saiu antes…)
Detalhe engraçadinho: Graydon Carter, editor da VF, queria os dois garotos-da-capa juntinhos, Leonardo di Caprio e Knut, o ursinho polar. Mas como a agenda dos dois era muito, muito cheia, tiveram que recorrer a uma montagem. Knut foi fotografado no zoológico de Berlim, e Leo no lago gelado de Jokulsarlon, na Islândia. Ambos por Annie Leibovitz, é claro. Estrela é estrela.
Estrelas no gelo: Leo e Knut, por Annie Leibovitz
26/04/2007
ESTRANHOS ECOSQuando você acha que todas as conexões estranhas entre Hollywood e o massacre de Virginia Tech, eis que vem mais uma _ a refeitura de Oldboy, que estava me banho maria na Universal, ganhou novo ímpeto. Justin Lin, um talentoso e jovem diretor de origem chinesa (de Taiwan) mas nascido e criado no O.C. de verdade (Orange County, ao sul de Los Angeles) foi contratado para dirigir o projeto e escrever o roteiro juntamente com seus parceiros de fé, Ernesto Foronda e Fabian Marquez (os mesmos do filme de estréia de Lin, Better Luck Tomorrow).
Há um delicado equilíbrio em jogo aqui, e com certeza a Universal sabe disso. A enxurrada de notícias sobre o massacre despertou um novo e amplo interesse em Oldboy _ um filme que, nos EUA, não passou do status de cultuado por poucos e elogiado por alguns. Mas seria um tremendo tiro pela culatra colocar uma refeitura no mercado cedo demais, quando as memórias traumáticas ainda estão bem presentes. A escolha de Justin Lin é excelente _ o diretor tem a sensibilidade certa para interpretar os dois lados da estética e temática asiática/ocidental (depois de Luck ele dirigiu Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio).
Daí em diante, não arrisco palpite…
Uma cena de Oldboy e Justin lin no set de Desafio em Tóquio: equilíbrio complicado