10/07/2007
MAIS UMA CANDIDATA

As complicadas manobras que levam nomes à consideração dos que criam as campanhas “para sua consideração” acabam de mudar. A recepção a Evening foi muito fraca – e meus amigos estrategistas consideravam o filme de Lajos Koltai um novo As Horas, como toda aquela abundância de atrizes indicáveis.

Há que procurar novos nomes, agora…. Um que surge: Anne Hathaway. A jovem estrela de O Diabo Veste Prada é mais uma americana saindo-se muito bem no papel não apenas de uma personagem inglesa, mas de um ícone da literatura britânica. Ela é a jovem Jane Austen em Becoming Jane, uma agradável especulação sobre o que poderia ter acontecido nos verdes anos da escritora para inspirar e definir toda a sua trajetória. James McAvoy (o jovem médico de O Último Rei da Escócia) é o advogado Tom Lefroy, com quem Jane teve realmente um flerte – uma relação que o filme de Julian Jarrold leva às últimas conseqüências.

Não creio que o filme em si – que estréia aqui no início de agosto – vá até as indicações num ano que está cheio de pesos mais pesados. Já Anne Hathaway, que é a melhor coisa do filme…


A jovem Jane Austen de Anne Hathaway...
...e sua grande paixão, Tom Lefroy/James McAvoy: indicável?
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09/07/2007
(QUASE) TUDO (O QUE DÁ PARA SABER) SOBRE O FILME-MISTÉRIO DE J.J. ABRAMS

O nebuloso teaser-trailer que a Paramount colou antes de Transformers, é apenas uma peça de uma das mais bem boladas campanhas promocionais que já vi nos ultimos anos. Em seu centro, o novo filme produzido por J.J. Abrams, escrito por seu amigo Drew Goddard e dirigido por seu outro amigo e comparsa Matt Reeves. Ainda sem título – Cloverfield, o nome-de-trabalho que anda circulando, é mais uma das muitas brincadeiras em volta do filme, e se refere à rua onde fica a Bad Robot, produtora de Abrams – o filme começou a ser rodado debaixo de sigilio total em Nova York, em meados de junho. O elenco é de desconhecidos, todos vindos da TV: Michael Stahl-David (da série The Black Donnellys), Odet Jasmin, Mike Vogel e Lizzy Kaplan ( da série The Class).

Atenção a esta última referência, porque, isto sendo um projeto que envolve três dos originadores de Lost, começam aqui as pistas e os disfarces…

O teaser-trailer, que foi recolhido apressadamente do You Tube, mostrava flashes de uma festa animadíssima, interrompidos por apavorantes ruídos e tremores que davam idéia de iminente destruição apocalíptica. Ao final, a mensagem lacônica: "Do produtor J.J. Abrams" e "Nos cinemas 18 de janeiro de 2008”. Duas imagens do trailer estão no site “oficial” do filme. Mas é ai que a coisa fica engraçada…

Para saber mais a respeito, o internauta esperto precisa ir a dois outros sites “extra-oficiais” (não muito, creiam..: Ethan Haas Was Right e Ethan Haas Was Wrong. No primeiro, uma série de jogos-enigma conduz o internauta a uma série de clips com mensagens obscuríssimas a respeito de uma seita secreta, seus inimigos mortais , os Slimers, e o perigo de um confronto catastrófico. No outro, um blog, todos os boatos são desmentidos. Tem mais: se você empacar nos jogos (e tenho certeza que você vai empacar…), clique numa das “estrelas” e você poderá mandar um email para alguém chamado Van Mantra, aparentemente um porta voz de Ethan Haas, que lhe dará mais pistas crípticas sobre a seita, os Slimers, o jogo, e a “batalha dos deuses”.

Ou seja _ a trama do filme, não é mesmo?

E Ethan Haas? Ele é um personagem da série de TV The Class, em cartaz nos EUA… sim.. a mesma de Lizzy Kaplan… Na série, o personagem Ethan Haas resolve reunir seus colegas de classe na escola para uma grande festa de reencontro em Nova York… Ligaram os pontos?

Resumindo – uma campanha de divulgação prévia espertíssima, usando todo o poder virótico da internet…

O globo dos mistérios: peça essencial da campanha pré- "Cloverfield"
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06/07/2007
DIRETAS, JÁ!


Diante do entusiasmo geral, tenho duas propostas que submeto à votação de vocês:

1. Realizar regularmente este tipo de debate, do qual tiraremos listas como a que acabei de postar.

2. Realizar ciclos de exibições comentadas dos filmes das listas (não todos, que é impossível…) numa tela decente. Teria que ser no Rio de Janeiro, e talvez eu consiga uma extensão para São Paulo.

Aguardo os votos de vocês….(E a foto é de um filme maravilhoso & subestimado que nem eu nem vocês lembramos.. A injustiça acaba de ser corrigida....)
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06/07/2007
...E AS ESCOLHAS DE VOCÊS
Oitenta e cinco comentários, uma centena de filmes. Muitos estão longe de ser subestimados _ ganharam indicações prêmios, festivais. Mas estão no coração de vocês. Estes vinte receberam menções múltiplas, e formam uma interessante seleção de todos os estilos.
Blade Runner, Ridley Scott, 1982
Jarhead , Sam Mendes , 2005
O Aviador , Marin Scorsese, 2004
Filhos da Esperança , Alfonso Cuaron, 2006
Donnie Darko, Richard Kelly, 2001
Idade da Inocencia, Martin Scorsese, 1993
O Poderoso Chefão - Parte III, Francis Ford Coppola, 1990
Avalon, Barry Levinson, 1990
Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Michel Gondry, 2004
Closer, Mike Nichols, 2004
Hollywoodland, Allen Coulrer, 2006
Reds, Warren Beatty, 1981
Império do Sol, Steven Spielberg, 1987
O Céu Que Nos Protege, Bernardo Bertolucci, 1990
Era Uma vez na America , Sergio Leone, 1984
Tempestadde de Gelo, Ang Lee, 1997
O Operá¡rio , Brad Anderson, 2004
As Bruxas de Salem, Nicholas Hytner, 1996
A Vila, M.Night Shyamalan, 2004
Stay, Marc Foster, 2005


E realmente seria muito bom poder ver todos esses filmes de novo, em alguma telona...


Um muito jovem Christian Bale em Império do Sol...
...Um trio de ouro em Reds...
... O Céu que nos Protege, de Bertolucci
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06/07/2007
JUSTIÇA SEJA FEITA!

Para o fim de semana : uma dúzia de filmes que eu amo, acho ótimos, não paro de ver e foram/são esnobados, não-premiados, não-compreendidos. A ordem é aleatória, e procurei me limitar aos últimos 25 anos para não entrar em terreno obscuro demais. E perdão anteciipado se não sei os títulos em português de todos…



Near Dark, Kathryn Bigelow, 1987
Donnie Darko, Richard Kelly, 2001
Donnie Brasco, Mike Newell, 1997
Idade da Inocência, Martin Scorsese, 1993
O Poderoso Chefão III, Francis Ford Coppola, 1990
Miracle Mile, Steve de Jarnett, 1988
Quase Famosos, Cameron Crowe, 2000
Filhos da Esperança, Alfonso Cuarón, 2006
A Simple Plan, Sam Raimi, 1998
Say Anything, Cameron Crowe, 1989
Fast Times at Ridgemont High, Amy Heckerling, 1982
The Iron Giant, Brad Bird, 1999


Estou complilando as listas de vocês para ver quais injustiçados ganharam mais menções. Quem sabe a gente não convence alguém a fazer uma retrospectiva…



Johnny Depp como Donnie Brasco, de Mike Newell...
Apocalipse, então: Anthony Edwards em Miracle Mile>
Todo o talento de Brad Bird em Iron Giant
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05/07/2007
O RATO É REI


Tenho apenas uma coisa a dizer sobre Ratatouille, que estréia hoje no Brasil e é o líder de bilheteria nos EUA (até Transformers fechar a contabilidade, é claro): vá ver, correndo. Não importa a idade: vá ver o mais rápido possível. E, de preferência, vá de barriga cheia, sob pena de sair do cinema desesperado de fome.

Um exemplo de muita coisa que Hollywod finge que esqueceu : integridade do desenho dos personagens, originalidade na narrativa, a importância de uma boa história. Com um bônus: a mais sofisticada animação digital que você já viu e que, como um letreiro orglhosamente informa ao final dos créditos (não perca os créditos, aliás…), foi feita inteiramente do zero, sem captura de movimento de modelos vivos. Não deixa de ser docemargamente irônico que a Disney tenha reencontrado o auge de sua forma como criadora visual através da técnica – a animação digital – que ela durante um bom tempo viu como uma ameaça. Viva a Pixar! E viva Brad Bird…

Para mim, até agora, Ratatouille é o filme do ano. (Até agora, vejam bem….) E, para responder algo que foi perguntado nos comentários, sim, o filme de Brad Bird pode vir a ser indicado nas duas categorias, melhos animação e melhor filme _ elas são escolhidas por dois corpos diversos de eleitores, o departamento de animação no primeiro caso, e toda a Academia no segundo.
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04/07/2007
VEM SEX AÍ!

Depois de quase três anos de negociações, finalmente a HBO e a New Line chegaram a um acordo: começam em outubro as filmagens do longa Sex and the City. Michael Patrick King, um dos criadores e produtores da série juntamente com Darren Starr, vai dirigir a partir de seu próprio roteiro. E todas as moças - Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon – participarão.

Este era um dos pontos complicados do processo todo _ achar material que as quatro aprovassem e, além disso, acertar cachês e datas de filmagem. Kim Cattral, a mais insatisfeita do quarteto, parece ter finalmente resolvido todas as questões pendentes…

Tudo correndo bem, é mais um título para 2008.


O quarteto fantástico: reunido na telona
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03/07/2007
YOU GOT THE TOUCH!

Se vocês acham que fui dura com Transformers, leiam o que Manohla Dargis, do New York Times, tem a dizer a respeito. Ou o torpedo que recebi de um amigo: “saindo correndo da cabine depois de aturar noventa minutos de Transformers”.

Mas a verdade é que ambos foram supremamente mal-humorados. Eu me diverti bastante com a coisa toda, ainda mais porque estava acompanhada por um expert no assunto. É um bom filme? Não – esqueceram-se de por um filme no filme, se é que vocês me entendem. Mas, em seus melhores momentos, é uma experiência audiovisual altamente envolvente, se o cinema (e os ouvidos do espectador) estiverem bem calibrados para a intensidade e complexidade de seus decibéis.

O que funciona:
- os efeitos especiais
- o som. Espero sinceramente que os respectivos departamentos da Academia se lembrem disso e incluam Transformers em suas indicações técnicas _ há verdadeiros breakthroughs nestes dois elementos do filme.

O que não funciona:
- a duração _ cortar uma meia hora não teria feito mal algum
- o roteiro. Ou a falta dele, sei lá.

Como comparação, notem o que Bryan Singer fez com a franquia X Men e Superman O Retorno, Sam Raimi com Homem Aranha (especialmente o primeiro), Christopher Nolan com Batman Beguins ou Gore Verbinsky/Ted Eliott/Terry Rossio com o primeiro Piratas do Caribe (e eles tinham algo ainda mais tênue que os Transformers como base…). Uma premissa-pipoca não é razão para deixar o cérebro em casa. E mesmo trazendo à tona o meu menino interior de 10 anos, eu e ele nos ressentimos de ter, incessantemente, carros, brinquedos e idéias (as forças armadas americanas são…uau! Tão cool!) vendidos e empurrados para cima de nós.

Tendo dito isso, acrescento que o evento todo foi muito simpático, com farta distribuição de pipoca e refrigerante no Arclight, famílias inteiras comparecendo, a lojinha do Arclight estocando todos os produtos possíveis e imagináveis ligados aos Transformers “clássicos” (o que provocava suspiros saudosos nos visitantes). E, no pátio do lado de fora, Stan Bush em pessoa assinando cópias do CD de Transformers-The Movie (o de 1984) enquanto “You got the touch” tocava aos berros e pequenos grupos de pais e filhos davam shows de air guitar.

Vai fazer dinheiro? Vai, e muito. Analistas prevêem que esta será a maior bilheteria da temporada-pipoca. E eu concordo.


Megatron dá um trato no centro de Los Angeles: genial, pena que esqueceram do filme
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02/07/2007
MAIS UMA FAVORITA

É oficial: podem incluir Marion Cotillard nas listas de indicáveis deste ano. La Vie en Rose – título do lançamento americano de La Môme, a cinebio de Edith Piaf assinada por Olivier Dahan – vem crescendo em popularidade no segmento que mais importa: dentro da indústria. Vi La Vie num cinema que, para mim, funciona como um oráculo para filmes “difíceis”, de destino incerto neste duro mercado – o Arclight no coração de Hollywood, freqüentado por uma das platéias mais articuladas, ligadas e cinematograficamente sofisticadas de uma cidade que vive para o cinema. Não apenas o filme foi aplaudidíssimo no final da sessão –assim que o crédito de Dahan apareceu na tela – mas Marion Cotillard, que faz uma interpretação paranormal de Piaf, foi ovacionada duas vezes no meio da exibição. E a sala estava completamente lotada.

La Vie en Rose
recebeu críticas majoritariamente positivas nos EUA, mas os principais críticos – Manohla Dargis do New York Times, Kenneth Turan do LA Times – torceram o nariz ao estilo de Dahan. Mas mesmo quem não abraçou inteiramente o filme reconheceu o talento de Marion Cotillard numa interpretação tour de force.

E como os prêmios tem sempre reservado um espaço para menos uma atriz estrangeira….

Marion Cotillard como Edith Piaf: paranormal
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01/07/2007
C’EST MAGNIFIQUE!

Apesar dos temores da própria Disney (seria o tema sofisticado demais para o grande público?) e dos números de sexta feira – os mais baixos para um desenho da Pixar desde Toy Story 2 Ratatouille emplacou o primeiro lugar na bilheteria americana, passando com folga os sopapos e tiros de Bruce Willis em Die Hard 4. Remy e sua turma arrecaram mais de 47 milhões de dólares, contra 33 milhões de John McLane.

Lá embaixo, duas estréias limitadas prometem: Sicko, o documentário-denúncia de Michael Moore sobre o sistema de saúde pública dos EUA, arrecadou 4.5 milhões de dólares, com um excelente índice por tela. E em décimo, o drama Evening, que já está sendo chamado de As Horas de 2007.


Remy: I'm the king of the wooooorld!
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