30/08/2007
COM AMIGOS ASSIM…

O mistério de O Que Aconteceu com Owen Wilson começa a vir à tona. Segundo a revista US Weekly, que acaba de chegar às bancas americanas, a espiral descendente do simpático ator se deve às famosas “más companhias”. Em especial, o ator e comediante inglês Steve Coogan, mais famoso pelo papel principal de 24 Hour Party People e habituê de clínicas de desintoxicação.

Coogan e Wilson trabalharam juntos em Uma Noite no Museu e, segundo vários amigos de Owen – inclusive seus irmãos e Courtney Love, ex-namorada de Coogan – ele aproveitou a oportunidade para lhe apresentar os opiáceos não-farmacológicos. A ironia cruel é que enquanto Coogan está no Havaí trabalhando em Tropic Thunder, de Ben Stiller, Wilson, que deveria ser seu companheiro de elenco, foi cortado do filme e está no Hospital Cedars Sinai se recuperando dessa coisa horrorosa toda…
Em tempo: Coogan nega tudo e diz que tomará "medidas legais".



Coogan e a capa da US: amigo urso
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29/08/2007
DE VOLTA AO VIETNÃ

Mais de duas décadas depois do filme que lançou sua carreira _ Platoon, de 1986 _ Oliver Stone se prepara para voltar ao Vietnã. Ele acaba de fechar com a UA (de Tom Cruise, seu velho amigo desde seu segundo filme "vietnamita", Nascido a Quatro de Julho)) a produção e distribuição do que será seu quarto filme tendo o conflito no Sudeste Asiático como tema _ Pinkville, a história do massacre de centenas de civis no vilarejo de My Lai, em maio de 1968 e da investigação que se seguiu.

Com um roteiro de Mikko Alanne (um jovem finlandês que vem fazendo boa carreira nos EUA com documentários), Pinkville vai se concentrar no homem que conduziu a investigação e finalmente furou o bloqueio de acobertamento que cercava o massacre, General William Peers _ que será vivido por Bruce Willis. Channing Tatum será o piloto Hugh Thompson, que salvou vidas em My Lai ao usar seu helicóptero como escudo.

O orçamento é modesto para Hollywood _ 40 milhões de dólares _ e as filmagens começam no início de 2008. Stone desistiu de seu projeto sobre Osama Bin Laden, trocando-o por Pinkville _ um interessante atalho para falar da mesma coisa usando um eco do passado.


Stone no Vietnã (onde serviu depois de se alistar voluntariamente) e no set de Alexandre: de volta ao tema
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28/08/2007
OWEN WILSON: E AGORA?

Apesar de alguns pavorosos comentários na Variety de ontem, Owen Wilson é um sujeito muito querido em Hollywood. Figura central de uma turma que inclui Wes Anderson (de quem é um verdadeiro ator-de-repertório), Ben Stiller, o clã Coppola e adjacências (Sofia, Roman, Nicolas Cage, Jason Schwartzmann), Owen é, nas palavras de um terno Armani dos bons, “um ator limitado que usa genialmente suas limitações _ ele faz sempre o mesmo papel, que por sua vez é uma persona que ele criou para sobreviver neste meio. Mas o faz tão bem que esse papel se afina perfeitamente com as intenções do diretor”.

Portanto, a primeira pergunta que a cidade está fazendo é : Por que Owen fez o que fez? Drogas pesadas, dizem pessoas mais próximas.

A segunda é: como vai ser com os filmes nos quais Owen estava envolvido? The Darjeeling Limited, de Wes Anderson, estréia dia 29 de setembro, depois de uma exibição no festival de Nova York. Presume-se que Wilson – peça chave da divulgação do filme – ficará de fora da campanha de lançamento.

Além disso, ele estava contratado para dois projetos _ Tropic Thunder, uma espécie de Three Amigos do século 21 dirigido por Ben Stiller, que já está sendo filmado no Havaí, com Jack Black e Roberty Downey Jr. e a versão cinematográfica do best seller Marley & Eu, com Jennifer Aniston e direção de David Frankel (O Diabo Veste Prada), cuja produção já foi devidamente atrasada para o início de 2008.

E ainda há conseqüências mais amplas: cada vez que ocorre um incidente desses, sobem os valores da apólices de seguro para atores. E cresce a lista dos profissionais _ Lindasy Lohan hoje, Robert Downey Jr. alguns anos atrás _ que a maioria das seguradoras se recusa a cobrir.


Owen Wilson, com Jason Schwarztmann e Adrien Brody em Darjeeling Limited: e o lançamento?
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27/08/2007
KEANU KLAATU

Será que estamos herdando mesmo os medos de nossos avós _ ou, se não eles exatamente, pelo menos as metáforias que já foram usadas para expressá-los? Um clássico da ficção científica típica da guerra fria acaba de fechar todos os elementos para sua refeitura: Scott Derricksion (O Exorcismo de Emily Rose) vai dirigir e Keanu Reeves, estrelar, uma nova leitura para O Dia Em que a Terra Parou. No filme original, de Robert Wise em 1951, Klaatu, um alienígena amigo (coisa rara no imaginário daquela época) chegava à Terra acompanhado de um super-robô e pousava com sua nave no coração de Washington. Sua mensagem: os humanos estão a caminho da auto-destruição e, com isso, são uma ameça para toda a galáxia.

Auto-destruição queria dizer uma coisa 56 anos atrás, quando Michael Rennie encarnou Klaatu. Agora, com Keanu na pele do mensageiro e uma batelada de efeitos digitais para robô, nave e companhia, que medos vamos exorcizar na tela?


Keanu e uma cena do original, de 1951: por que a Terra pararia agora?
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24/08/2007
"SÓ CONSIGO SER UMA PESSOA:EU. SEJA LÁ QUEM EU FOR" (BOB DYLAN)

Os Dylans de Todd Haynes em I'm Not There
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23/08/2007
TORONTO: UM FESTIVAL DE AUSÊNCIAS?



Confesso que fiquei mais intrigada com os filmes que não irão a Toronto, este ano, dos que com os que irão. Estivesse eu na simpática cidade canadense, me descabelaria mesmo para ver meia dúzia dos 349 títulos selecionados/convidados _ entre eles, com certeza, Redacted de Brian de Palma, um dos projetos mais cautelosamente guardados-debaixo-de-sete-chaves desta temporada. Lust, Caution se parece perigosamente com Ang Lee querendo ser Wong Kar Wai. Across the Universe, na gaveta há quase dois anos, é um conhecido abacaxi. A não ser que Renny Harlin tenha sofrido uma iluminação súbita, Cleaner _ sobre os sobrecarregados faxineiros que limpam cenas de crime _ é um projeto exclusivamente comercial. A última gracinha de Michael Moore, Captain Mike Across America? Tô dispensando.

Interessante? Além de Redacted, Toronto terá um banquete musical com I’m Not There, de Todd Haynes e Honeydripper, de John Sayles (e o doc Lou Reed’s Berlin, de Julian Schnabel). Só ouvir/baixar as trilhas já valerá a pena. The Walker, de Paul Schrader, promete _ é basicamente uma refeitura de outro filme dele, American Gigolo, com Woody Harrelson no papel que era de Richard Gere e uma grande diferença: o personagem agora é gay. O aclamado (em Cannes, e com justiça) A Borboleta e o Escafandro com certeza se adiantará alguns passos na lista de indicáveis. Os 20 minutos que vi de Into the Wild, de Sean Penn, me aguçaram o apetite _ a história verdadeira de um jovem universitário que abandonou a civilização para entrar em contato com a natureza, com resultados trágicos. Você teria curiosidade em ver um documentário sobre a vida de Jimmy Carter? Nem eu, mas o diretor é Jonathan Demme, e por isso as coisas podem ser diferentes para Man From Plains. Elizabeth, a Era de Ouro, Michael Clayton, Reservation Road,Death Defying Acts, de Gilliam Anderson e o novo Cronenberg, Eastern Promises, devem ser observados de perto.

O fato é que pesos-pesados de alto perfil estão notoriamente ausentes _ There Will be Blood, Lions for Lambs, In the Valley of Elah, No Country for Old Men, Charlie Wilson’s War, Amor nos Tempos do Cólera, O Caçador de Pipas. Dêem a desculpa que quiserem _ estou certa de que há um padrão de mudança aqui, com filmes que se consideram mais fortes na disputa do ouro do fim de ano mantendo-se à distância de eventos de grande visibilidade para guardar todo o impacto de suas campanhas para o último momento.



Rumo ao norte: Lust, Caution, Reservation Road, The Walker
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22/08/2007
ESPÓLIOS DE GUERRA



Os primeiros filmes sérios sobre a Guerra do Vietnã _ Amargo Regresso, de Hal Ashby e Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola _ chegaram às telas entre 1978 e 1979, quatro anos depois do final do conflito. E, na verdade, foi preciso mais tempo _ 1986 e Platoon, de Oliver Stone _ para que a dimensão e impacto da intervenção americana no Sudeste Asiático realmente se filtrassem até a cultura do país.

Já a intervenção no Oriente Médio está fazendo ligação direta. Entre 2007 e 2009 veremos pelo menos dez filmes hollywoodianos sobre o conflito e suas ramificações, na região e “em casa”, no solo americano. Alguns usam o pano de fundo meramente como pretexto para ação _ é o caso de The Kingdom, de Peter Berg (agentes americanos de elite investigam uma série de ataques a bomba num reino árabe aliado dos EUA) e, suspeito, de The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow, que começa a ser filmado esta semana na Jordânia, com Guy Pearce liderando um time de especialistas em explosivos no Iraque.

Jammie Foxx em acão em Kingdom

Dois filmes com excelente boca-a-boca prévio se ocupam do choque cultural e político da volta-para-casa (e encontram eco em Amargo Regresso): In the Valley of Elah, de Paul Haggis, onde Tommy Lee Jones e Susan Sarandon procuram o filho que voltou do Iraque e sumiu, e Stop Loss, de Kimberly Peirce, onde Ryan Philippe é um soldado que se recusa a voltar ao combate no Oriente Médio. Os dos estréiam em exibição limitada no final do ano, a tempo de qualificar para os prêmios.

Ryan Philippe em Stop Loss

As implicações políticas da intervenção são batata mais quente. Dois ingleses vindos do documentário se dispõem a queimar os dedos, e os resultados podem ser intrigantes. Paul Greengrass escalou Matt Damon como um correspondente americano em Badgad na escalada até a guerra em Imperial Life in the Emerald City, atualmente em pré-produção; Nick Broomfield misturou material documental e recriação em Battle for Haditha, que estréia ano que vem e investiga o maior massacre de civis deste conflito (aqui os ecos são da chacina de My Lai, no Vietnã, e Pecados de Guerra, de Brian de Palma, de 1989).

O estopim do massacre, em Haditha

De Palma, aliás, assina um dos projetos mais promissores e menos conhecidos da safra _ Redacted, uma colagem, em midia digital, de vários relatos sobre a ocupação; quem viu diz que é o Rashomon de De Palma. Mas ele está guardando debaixo de mil chaves.

Um dos pontos de vista, em Redacted

O que os veteranos Mike Nichols e Robert Redford farão com seus projetos _ Charlie Wilson’s War e Lions for Lambs _ é tema de grande ansiedade na indústria. Ambos levam o Oriente Médio para os mais altos escalões da política americana, e ambos estão se posicionando para disputar estatuetas. Aguerridamente, e com armamento pesado: Tom Hanks, Julia Roberts, Tom Cruise e Meryl Streep.


Um trio de estrelas em Lions
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21/08/2007
DYLANESCO, II

As muitas faces, personalidades, histórias verdadeiras e inventadas de Bob Dylan estão no primeiro trailer oficial de I’m Not There, de Todd Haynes. Ignorem o comercial canalha no início.


Apenas um hobo: Richard Gere também é Bob Dylan
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19/08/2007
CONVITES

Convido todos os navegadores "de carteirinha" deste Blog e todos os amigos e interessados para minha palestra na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no próximo domingo, dia 26, às 19. Vamos conversar sobre cinema e criar listinhas simpáticas de filmes que marcaram a evolução de gêneros clássicos.

Para quem quer mais: a partir de 3 de setembro estarei na Casa do Saber da Lagoa falando sobre A Década de 70 em Hollywood.

Mais informações aqui.
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18/08/2007
POR QUE AS ESTRELAS ESTÃO ENCOLHENDO?

Numa interessantíssima matéria no Los Angeles Times de hoje, a sempre bem antenada Rachel Abramowitz faz a pergunta óbvia: por que o padrão de “beleza” de Hollywood mudou tanto? Por que “mulher bonita”, agora, é “mulher esquelética”? A quem interessa essa imagem de absoluta penúria e desamparo? Que mensagens ela passa?

Nem sempre foi assim, Abramowitz lembra, documentando bem seu ponto de vista com inegáveis imagens de super-estrelas com curvas e carnes, de Marylin Monroe a Kathleen Turner a Julia Roberts. Apreciando uma exposição de trajes usados recentemente por estrelas no tapete vermelho, Abramowitz nota que as roupas “são tão exíguas que parecem feitas para bonecas grandes” e lembram as peças que se vê em museus, de séculos passados, e que mostram como a espécie humana era mirrada.

Um paralelo interessante que a jornalista faz é entre a queda de poder de decisão pelas mulheres, na indústria, e a ascensão do padrão-esqueleto. De fato, as grandes capitãs da indústria, como Sherry Lansing da Paramount ou Dawn Silver, da Columbia, estão fora da cena. Diante das câmeras, idem: entre Junho de 2006 e Junho de 2007, ela reporta, 185 filmes foram estrelados por homens, e 47, por mulheres.

É uma leitura provocante da tendência, que claramente equaciona “magreza mórbida” com “impotência” e "submissão". Bons pensamentos para o finde.


Carne e osso: Marilyn Monroe. Julia Roberts, Angelina Jolie, Keira Knightley
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