22/08/2007
ESPÓLIOS DE GUERRA
Os primeiros filmes sérios sobre a Guerra do Vietnã _ Amargo Regresso, de Hal Ashby e Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola _ chegaram às telas entre 1978 e 1979, quatro anos depois do final do conflito. E, na verdade, foi preciso mais tempo _ 1986 e Platoon, de Oliver Stone _ para que a dimensão e impacto da intervenção americana no Sudeste Asiático realmente se filtrassem até a cultura do país.
Já a intervenção no Oriente Médio está fazendo ligação direta. Entre 2007 e 2009 veremos pelo menos dez filmes hollywoodianos sobre o conflito e suas ramificações, na região e “em casa”, no solo americano. Alguns usam o pano de fundo meramente como pretexto para ação _ é o caso de The Kingdom, de Peter Berg (agentes americanos de elite investigam uma série de ataques a bomba num reino árabe aliado dos EUA) e, suspeito, de The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow, que começa a ser filmado esta semana na Jordânia, com Guy Pearce liderando um time de especialistas em explosivos no Iraque.
Jammie Foxx em acão em Kingdom
Dois filmes com excelente boca-a-boca prévio se ocupam do choque cultural e político da volta-para-casa (e encontram eco em Amargo Regresso): In the Valley of Elah, de Paul Haggis, onde Tommy Lee Jones e Susan Sarandon procuram o filho que voltou do Iraque e sumiu, e Stop Loss, de Kimberly Peirce, onde Ryan Philippe é um soldado que se recusa a voltar ao combate no Oriente Médio. Os dos estréiam em exibição limitada no final do ano, a tempo de qualificar para os prêmios.
Ryan Philippe em Stop Loss
As implicações políticas da intervenção são batata mais quente. Dois ingleses vindos do documentário se dispõem a queimar os dedos, e os resultados podem ser intrigantes. Paul Greengrass escalou Matt Damon como um correspondente americano em Badgad na escalada até a guerra em Imperial Life in the Emerald City, atualmente em pré-produção; Nick Broomfield misturou material documental e recriação em Battle for Haditha, que estréia ano que vem e investiga o maior massacre de civis deste conflito (aqui os ecos são da chacina de My Lai, no Vietnã, e Pecados de Guerra, de Brian de Palma, de 1989).
O estopim do massacre, em Haditha
De Palma, aliás, assina um dos projetos mais promissores e menos conhecidos da safra _ Redacted, uma colagem, em midia digital, de vários relatos sobre a ocupação; quem viu diz que é o Rashomon de De Palma. Mas ele está guardando debaixo de mil chaves.
Um dos pontos de vista, em RedactedO que os veteranos Mike Nichols e Robert Redford farão com seus projetos _
Charlie Wilson’s War e
Lions for Lambs _ é tema de grande ansiedade na indústria. Ambos levam o Oriente Médio para os mais altos escalões da política americana, e ambos estão se posicionando para disputar estatuetas. Aguerridamente, e com armamento pesado: Tom Hanks, Julia Roberts, Tom Cruise e Meryl Streep.
Um trio de estrelas em Lions