18/10/2007
COPPOLA DESABAFAUma questão central da carreira de Francis Ford Coppola é sua relação de amor e ódio com os estúdios. Desde muito cedo ele se dividiu entre a possibilidade de uma carreira dentro do sistema e – seu sonho maior – a liberdade de ter sua própria produtora.
A primeira versão da American Zoetrope era utópica ou, como se dizia na época, desbundada. Nas encarnações posteriores, ela se pareceu mais com uma produtora independente “normal”, devotada aos projetos pessoais, autoriais, de Coppola.
A grande tensão é que nenhum deles realmente deu certo ao ponto de sustentar a carreira autoral de longo alcance com que o diretor sempre sonhou. Pelo contrário _ os grandes impulsos críticos e comerciais de Coppola vieram de projetos encomendados pelos estúdios – inclusive a hiper-laureada dupla de Poderosos Chefões dos anos 70.
É bom saber tudo isso quando se lê o amargo desabafo do diretor ‘a revista GQ americana que acaba de chegar `as bancas. Ao concordar com a pergunta espinhenta de seu entrevistador, Coppola faz duras críticas a Al Pacino – que ele lançou, com grande esforço, no Chefão -, Robert de Niro e Jack Nicholson, seus companheiros de geração. Chama todos, basicamente, de acomodados, vendidos, sem paixão pelo que fazem, repetindo as mesmas interpretações, pensando apenas no dinheiro.
Não consigo discordar da essência do que ele diz, embora lamente o tom amargo. Lembro, contudo, Confissões de Schmidt, em que Nicholson mostrou que ainda sabe correr riscos e ser plenamente humano.
Com seu novo filme, Youth Without Youth, Coppola faz mais uma tentativa de retomar o cinema puramente autoral e inteiramente independente _ será por isso que está tão implacável com seus contemporâneos?
Coppola no set de Youth Without Youth e no de Caminhos Mal Traçados, em 1969
17/10/2007
A JOGADA DE JOLIE
Boa estratégia da Paramount Vantage: armou uma homenagem a Angelina Jolie no próximo Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, em fevereiro. Angelina será reconhecida como Melhor Desempenho Feminino do Ano por O Preço da Coragem durante o simpático festival nesta bela cidade próxima a Los Angeles – um evento que, juntamente com o Festival de Palm Springs, está se tornando uma eficiente plataforma para turbinar campanhas para o Oscar.
E esse claramente é o o objetivo da homenagem e do anúncio da dita cuja justo agora, quando sai o DVD de O Preço da Coragem, trazendo o nome de Jolie de volta à midia no momento em que votantes começam a pensar em quem votar. O consenso é que a categoria Melhor Atriz, este ano, tem Marion Cotillard na pole position por Piaf-Um Hino ao Amor. Agora, Angelina mostra que também está na disputa.
Quem quiser re-conferir o talento de Marion Cotillard num papel completamente diferente, dê uma olhada em Peixe Grande, de Tim Burton, fácil de achar em DVD e sendo exibido atualmente num canal pago. 
16/10/2007
HORRORSHOW
Talvez porque achem que não há talento britânico suficiente competindo este ano pelo ouro, o London Times resolveu listar os filmes com as cenas mais apavorantes de todos os tempos. Meu favorito _ O Iluminado, de Stanley Kubrick, 1980 _ está no número um, mas não sei se concordo cem por cento com os demais. Será que é por conta da sensibilidade britânica? Se você não teve paciência de clicar o link, aqui está a lista do Times:
1. O Iluminado
2. A Profecia
3. Tubarão
4. Alien, o Oitavo Passageiro
5. O Parque dos Dinossauros
6. Encurralado
7. It- Uma Obra Prima do Terror
8. Psicose
9. Fire Walk With Me
10. A Bruxa de Blair
11. O Mágico de Oz (por conta dos macacos voadores)
12. Mulholland Drive
13. Seven – Os Sete Crimes Capitais
Por comparação, chequem a lista da Entertainment Weekly, de três anos atrás.
Gosto de ver pavores pouco lembrados como Encurralado na lista mas… David Lynch dá medo mesmo em vocês? E Bruxa de Blair??!!!
Além de alguns destes, eu acrescentaria O Exorcista, O Massacre da Serra Elétrica (o de 1974), A Hora do Pesadelo, o já celebrado aqui Near Dark e O Bebê de Rosemary _ até o cabelo de Mia Farrow dá medo. 
E vocês? O que faz/fez vocês subirem pelas paredes?
15/10/2007
CAVALGADA DE VALKYRIENinguém pediu, mas achei razoavelmente bacana esta featurette sobre as filmagens de Valkyrie, o filme de Bryan Singer sobre a conspiração para assassinar Hitler . Encerradas as pendengas com o governo alemão, as filmagens vão bem, obrigada, com lançamento firme nos EUA para dia 27 de junho de 2008.
Os conspiradores: Cruise é o de tapa olho; o da extrema esquerda, sentado, aparentemente é Arthur Dapieve
12/10/2007
HOLLYWOOD MUCHO MACHA Está repercutindo muito, e mal, a recente declaração do presidente de produção da Warner, Jeff Robinov, de que o estúdio nunca mais faria filmes com mulheres no papel principal, principalmente filmes de ação. O motivo teria sido o mau desempenho na bilheteria de A Colheita Do Mal (estrelado por Hillary Swank), Invasores (estrelado por Nicole Kidman) e Valente (estrelado por Jodie Foster).
Robinov se retratou, se explicou mas não convenceu muito. Salon e Elle saíram na cola da controvérsia, e o debate ainda está rolando. (Adoro a história da roteirista Margaret Nagle sobre o produtor e suposto filho com dor de ouvido…)
As observações da sempre equilibrada Anne Thompson são muito boas _ cada um desses três filmes teve problemas diversos e distintos, que incluem mau acabamento, problemas de produção e escolhas erradas de lançamento e marketing. E seria uma estupidez muito grande culpar suas estrelas por ela. Muito menos dizendo que “o público não aceita mulheres como heroínas de ação”.
Afinal, dois filmes de imenso sucesso, ambos de ação, tinham mulheres fortes brandindo armas e detonando seus oponentes : Aliens e O Exterminador do Futuro 2… Seria porque em ambos as mulheres agem como mães enfurecidas, “único modo do público aceitar uma mulher armada”, segundo Thompson? Ou porque foram muito bem feitos e executados, pelo mesmo criador _ James Cameron? Ou ambos?
Mas eis a verdade, também _ como a própria Thompson ressalva e as conversas das roteiristas, diretoras e produtoras reforça. Hollywood pode ser um dos derradeiros bastiões machistas do mundo civilizado. Mulher tem vez, sim _ mas só depois de um esforço insano, e sob a ameaça permanente de perder tudo. Contem quantas mulheres existem, hoje, em posição de real poder na indústria. Não dá para encher as duas mãos.
Jodie, Linda, Hillary e Sigourney: lugar de mulher?
11/10/2007
CLOONEY, DI CAPRIO & A GREVE Não vou matar vocës de tédio com os detalhes da cada vez mais iminente greve dos roteiristas. Só adianto o básico: a coisa está feia. No festival de rugidos que, como já falamos aqui, é praxe entre grandes mamíferos e líderes hollywoodianos, a WGA, que representa 12 mil roteiristas, baixou uma série de medidas draconianas que instauram uma paralisação total, até em áreas onde o sindicato não tem jurisdição expressa, como animação; e os estúdios já pararam de contratar roteiristas, entoando o mantra “não vamos financiar essa greve”.
As negociações _ dignas de um filme, me contam _ prosseguem no hotel Century Plaza, mas tudo indica que, no dia 1 de novembro, tudo para.
O que me deixou ainda mais intrigada com a notícia de que, enquanto tudo isso estava rolando, a Warners estava alegremente tocando negociações com os representantes de George Clooney e Leonardo di Caprio para um verdadeiro projeto cinco estrelas: Farragut North, adaptação para o cinema da peça que Mike Nichols vai dirigir na Broadway no início de 2008. Clooney dirigiria o filme e teria um papel coadjuvante, enquanto Di Caprio estrelaria no papel do jovem ativista político que tem vártias crises existenciais no meio de uma campanha eleitoral para a presidência dos EUA. Clooney e Di Caprio produziriam o filme juntos. Beau Willimon, um ex- militante político da campanha de Howard Dean, está adaptando sua própria peça para a tela _ aparentemente sem receio algum das sanções da WGA, que juram banimento perpétuo para quem romper a greve….
Gente grande é outra coisa.
George e Leo: juntos, com greve e tudo
10/10/2007
NOVIDADES DA BÚSSOLA
Renato, vocie deve ter um aletiômetro muito bom : ontem à noite, num super evento no rinque de patinação no gelo do Rockfeller Center de Nova York, foi exibido o novo trailer de A Bússola de Ouro. Sam Elliot _ o aventureiro Lee Scoresby no filme de Chris Weitz _ foi o mestre de cerimônias da festa. 
Em pós-produção acelerada, a Bússola acaba de ganhar as vozes de Ian McKellen como o Urso de Armadura Iorek, Kathy Bates como Hester, a Lebre-daemon de Scoresby
e Kristen Scott Thomas como Stelmaria, o leopardo branco, daemon de Lord Asriel (Daniel Craig). 
A maior notícia, contudo, é a confirmação de que, vencendo todos os seus medos iniciais, a New Line já deu o ok para o segundo filme da trilogia, A Faca Sutil. E o fez do modo mais irreversível de todos: uma boa parte dele já está filmada. Numa versão menos radical da estratégia usada em O Senhor dos Anéis, Chris Weitz e os produtores optaram por usar uma série de seqüências filmadas não no final de Bússola, como prevê o livro de Philip Pullman, mas no início de A Faca Sutil.
Livro é livro, filme é filme. Amo o texto de Pullman, mas estou dispota a dar um crédito a Weitz - que é bem mais inteligente do que muita gente acha – na sua tática para manter e intensificar o drama de Lyra entre os mundos. 
09/10/2007
JOVEM SEXAs filmagens do filme Sex and the City seguem debaixo de segredo substancial _ a não ser pelos vazamentos de Jennifer Hudson como assistente de Carrie Bradshaw/Sarah Jessica Parker, um seqüencia de Carrie em vestido de noiva que pode ou não representar seu casório com Mr. Big, e os prolongados acessos de soluço do ator Evan Handler, que tem atrasado a produção.
Mas esta é boa: 
Sim, o filme de Michael Patrick King tem flashbacks para as muito jovens versões de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha…

O que vocês acham? Convencem?
08/10/2007
CHARLIE
O pedido de vocês é uma ordem: aqui vai o teaser de Charlie Wilson’s War. Escrito pelo multi-talentoso Aaron Sorkin (a partir do livro de George Crite) e dirigido por Mike Nichols, Charlie Wilson's War conta os bastidores do envolvimento norte-americano no Afeganistão, armando e treinando os mujahaedin contra os russos que haviam invadido o país em 1979 (resultando eventualmente em dois efeitos colaterais _ o despertar de Osama Bin Laden como líder islâmico e Rambo III).
Tom Hanks é Charlie Wilson, o deputado-playboy texano que planeja a coisa toda, e Julia Roberts a socialite que mexe os pauzinhos entre os ricos e poderosos. O filme estréia dia 25 de dezembro nos EUA e dia 22 de fevereiro no Brasil _ e só isso já mostra o quanto a Universal está cem por cento certa de que Charlie será não apenas um indicado mas um favorito na briga pelo Ouro: os Oscars serão entregues dia 24 de fevereiro..