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31/12/2007
EM 2007. OS FILMES DO MEU CORAÇÃO


Podem chamar de melhores, se quiserem: de fato muitos deles foram parar em listas e indicações e digo até, sem falsa modéstia, que posso ter colaborado um pouco para isso. Mas são, sobretudo, os filmes que falaram comigo, através dos quais algo se deu, minha alma foi tocada, eu pude ver a cabeça do diretor funcionando, seu coração pulsando, o engenho do roteirista em movimento.

De alguns _ Conduta de Risco, Persepolis, Sweeney Todd, Juno, Ligeiramente Grávidos _ eu gostei muito, e sei que gostarei mais ainda da segunda ou terceira vez que os vir. Mas não me provocaram o que chamo de reação-uau: a vontade irresistível de aplaudir à primeira aparição dos créditos finais.

Estes, sim (em nenhuma ordem especial):

Ratatouille _ Vi esta obra prima num dia em que estava particularmente triste. Saí do cinema sem me lembrar sequer porque estava tão triste quando entrei.

Zodíaco _ Obsessão, mistério, jogos mentais. Poderia ser gelado, não é.

O Ultimato Bourne _ Uma espetacular máquina em movimento, o anti-007, um thriller de tirar o fôlego com uma profunda lição moral no meio. Alguém duvida de que Paul Greengrass é um dos nossos melhores talentos?

Lust, Caution _ Por que as pessoas foram tão duras com Ang Lee? Será que não viram que este filme não é sobre questões políticas nem sobre uma trama semi-inverossímel (afinal, um bando similarmente descombobulado de jovens seqüestrou o embaixador americano no Rio, nos anos 60…) e sim sobre duas pessoas complexas flutuando na superfície de suas próprias vidas, a quem o destino dá uma oportunidade fatal de um mergulho profundo? As melhores seqüências de sexo em muito tempo, também.

Sangue Negro _ O novo épico do novo cinema americano. Intenso, à beira da loucura. Desafiador. Como o cinema pode e deve ser.

I’m Not There e Control _ Eu já estava pensando que a pobre cinebio musical tinha ido mesmo para o cemitério de elefantes. E aí Todd Haynes e Anton Corbjin me provam o contrário. O primeiro delira, levando às últimas conseqüencias o que havia começado em Velvet Goldmine. O segundo trata mitos como seres humanos plenos, sem deslumbramento. E que trilhas! Humm…

Once _ Com tanta gente querendo saber como trazer de volta o musical, uma pequena produção irlandesa dá uma aula. Alma plena. Sabe The Commitments? Melhor.

Superbad _ Adoro filmes assim , muito mais inteligentes do que tem direito. E adoro filmes que se entregam de corpo e alma ao vulcão da adolescência. Ri de passar mal. E fiquei profundamente comovida.

Onde os Fracos Não Tem Vez _ Um western em sua essência mais profunda : homens sós tomando decisões fatais, diante de inimigos formidáveis.

Senhores do Crime_ Só ver o desempenho de Viggo Mortensen já vale o filme. A fina trama humana completa o prazer. A luta na sauna ajuda…

Antes que o Diabo Descubra que Você Está Morto _ Lumet, aos 84 anos, vigoroso e exato, trabalhando com um dos melhores roteiros do ano. Pelo menos para mim.

Na Natureza Selvagem _ Um dos melhores usos da música como narrativa, um bravo desempenho (Emile Hirsch) e um olhar lírico sobre um lado muito peculiar da alma humana em geral e norte-americana em particular.

Garçonete _ Mesmo sem levar em conta a tragédia que envolve a diretora/roteirista/atriz Adrienne Shelly (assassinada quando o filme estava em pós-produção) eu me comovi profundamente com uma das raras histórias de mulheres contada de um ponto de vista realmente feminino.

O Escafandro e a Borboleta _ “Três coisas se movem em mim: meu olho esquerdo,minha memória e minha imaginação”, diz o protagonista, o jornalista Jean-Dominique Bauby. É tudo o que Julian Schnabel precisa para falar sobre o vôo infinito do espírito humano. E que seleção musical!


Na tela, 2007 foi um bom ano. Que 2008 seja espetacular para todos nós, em todos os sentidos!

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29/12/2007
UM SORRISO PRO ÚLTIMO FINDE DO ANO Quem vai ao cinema nos EUA no último feriadão de 2007 dá de cara com este poster-gigante no lobby dos multiplexes. Brrr...
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28/12/2007
SANGUE À MEIA NOITE

Se você está ou mora nos Estados Unidos, dê uma conferida neste trailer de There Will be Blood _ ele anuncia pré-estréias abertas ao público em várias cidades, à meia noite de amanhã, 29 de dezembro. Eu acho uma ótima maneira de um cinéfilo se despedir de 2007…

E faço minhas as palavras da sempre rigorosa e exata Manohla Dargis do New York Times sobre este "épico pesadelo norte-americano".



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26/12/2007
O COMEÇO DA RETA FINAL

Agora falando sério: quem realmente tem chances nas principais categorias da temporada de prêmios? Creio que já podemos fazer um listão sem grandes hesitações (e, por enquanto, sem grandes paixões _ com algumas exceções, meus grandes amores cinematográficos deste ano não estão nesta lista….)

OS FAVORITOS _ Todo ano a disputa se polariza, no fim das contas, entre dois títulos. Suspeito fortemente que, em 2008, veremos de um lado o nouveau western de Onde os Fracos Não Tem Vez e o apelo clássico (de época, perfume literário, sotaques britânicos) de Desejo e Reparação. A ala jovem e os sobreviventes da geração-70 devem fechar com os Coens. A turma que adorou O Paciente Inglês vai pelo outro caminho.

OS ATOS DE BRAVURA _ Os atores, claramente, entenderam Na Natureza Selvagem como um show de bola da categoria. Sua chuva de indicações nos SAGs demonstra que um ator atrás da câmera confiando um filme quase mudo a um jovem talento (Emile Hirsch) atinge em cheio o coração do departamento mais numeroso da Academia. Idem, idem There Will be Blood _ as pessoas podem se sentir desconfortáveis com as ousadias de PTA, mas Daniel Day Lewis é uma unanimidade. Idem idem o Nikolai de Viggo Mortensen em Senhores do Crime.

AS REDES DE SEGURANÇA _ O Gângster é o filme mais mainstream deste lote e também o campeão de bilheteria: algo irresistível para o eleitor apressado. Conduta de Risco tem George Clooney e um tema de base ética e moral. É quase um filme que Alan Pakula ou Sidney Lumet fariam em, digamos, 1973.

OS RISCOS_ Se Sweeney Todd tivesse estreado antes e/ou lançado sua campanha de modo mais agressivo ele talvez não estivesse nesta categoria. Além disso é um musical estrelado por um não-cantor (mas que já deu suas voltinhas no gênero para John Waters, alguém se lembra de Cry Baby?), repleto de tripas e sangue… O Escafandro e a Borboleta é ainda mais arriscado _ um filme de arte, grandemente abstrato, e em francês! I’m Not There é o quindim dos independentes, e deve levar os Spirit Awards com tranquilidade.

O PEQUENO PORÉM GOSTOSO _ Todo ano há uma vaga para um pequeno filme charmoso _ e Juno agarrou-se a ela com tudo, em 2007. É o Pequena Miss Sunshine desta temporada.
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20/12/2007
SAG NA NATUREZA SELVAGEM

Na Natureza Selvagem é o líder de indicações para os prêmios do sindicato dos atores, a Screen Actors Guild. O filme de Sean Penn recebeu indicações para melhor ator (Emile Hirsch), melhor ator coadjuvante (Hal Holbrook), melhor atriz coadjuvante (Catherine Keener) e o que é o que equivalente a “melhor filme”, melhor desempenho de elenco.

Ausências notáveis nos SAGs: Johnny Depp, Sweeney Todd, Charlie Wilson’s War e Desejo e Reparação. Surpresas: 3:10 to Yuma (melhor desempenho de elenco), O Gângster (melhor desempenho de elnco, melhor atriz coadjuvante), e Ryan Gosling por Lars and the Real Girl.

Firmes na sela: Daniel Day Lewis, Marion Cotillard, Viggo Mortensen, Julie Christie e Cate Blanchett ( como rainha e Bob Dylan). Cada vez melhor posicionado: Onde os Fracos Não Tem Vez.

O que tudo isso quer dizer: esperem ver Na Natureza Selvagem ao lado de Onde os Fracos Não Tem Vez entre os indicados a melhor filme, ator e coadjuvantes. O departamento de atores é o mais numeroso da Academia, e todos eles são membros da SAG. Das cinco vagas disponíveis, essas duas já estão tomadas…

Os SAG Awards – único evento com permissão da WGA para usar roteiristas – serão entregues dia 27 de janeiro.
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19/12/2007
FIM DE FESTA?

As implicações do sonoro “não” que a Writers Guild deu aos produtores da entrega dos Globos de Ouro e do Oscar são maiores do que simplesmente ter um monte de apresentadores e ganhadores improvisando suas falas.

Para começo de conversa, atores solidários com a greve podem simplesmente se recusar a comparecer, alegando que o evento não tem o endosso da WGA e portanto alinha-se com os interesses dos estúdios e produtores. É a mesma lógica que tem levado caras muito conhecidas para as ruas, na frente dos estúdios, e não dentro deles. Muitos atores – entre eles Jodie Foster, George Clooney e Angelina Jolie – já manisfetaram seu desconforto em cruzar as linhas de piquete, mesmo e principalmente para um evento desses.

E there will be piquete: a WGA está “considerando seriamente” a organização de um mega-piquete bem aqui na esquina das avenidas Wilshire e Santa Monica, na entrada de carros e limousines dos Globos de Ouro, onde todo ano há um verdadeiro engarrafamento de celebridades. É para intimidar? É.

Compreende-se o esforço da WGA para capitalizar ao máximo um evento desses, na hora em que as negociações voltam à mesa, ainda que de forma hesitante. Mas será que o tiro não vai sair pela culatra, finalmente ferindo a apoio popular da greve?
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18/12/2007
UMA NOVA ESPERANÇA

Os primeiros sinais surgiram depois de uns dez dias de greve, quando os roteiristas começaram a perceber que a paralisação seria bem mais longa do que o previsto. Em blogs da classe as primeiras vozes lançaram a idéia: e se usássemos isso como uma oportunidade para revolucionar completamente a indústria, criar um novo modelo, um novo sistema que privilegie a criação, que elimine os intermediários?

Esses pioneiros foram inicialmente chamados de malucos ou coisa pior, sabotadores da causa. Mas, pensando bem, era inevitável: como o sagaz Marc Andreessen (o homem que inventou Netscape) apontou neste texto, refazer Hollywood à sombra (ou à luz) do Vale do Silício é o caminho natural no novo século. Os modelos atuais de produção e distribuição ainda são cópias da linha de montagem da Ford, coisas muito antigas e cada vez mais inúteis na era digital.

Agora, está tudo se tornando realidade. Já existem sete grupos de roteiristas negociando com investidores para criar versões digitais do velho sonho de controle criativo que Chaplin (através da United Artists) e Coppola (através da Zoetrope) perseguiram: a produtora inteiramente controlada pelas cabeças criadoras, dona de seu conteúdo do começo ao fim. Usande a rede como distribuidora, já estão está ativo o site MyDamnChannel.com, do ex- cabeça da MTV, Rob Barnett, que funciona como uma cooperativa de criadores. FunnyorDie.com, criado pelo ator (e roteirista) Will Ferrell mais um bando de escritores, deve ser o próximo.

Se a moda pega…
Vira essa arma pra lá: os roteiristas acham uma nova (e revolucionária) saída
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17/12/2007
A BRIGA DOS EFEITOS
Por estas e muitas outras cenas A Bússola de Ouro já saiu na frente entre os favoritos para o Oscar de Efeitos Visuais. A lista completa de filmes pré-selecionados foi anunciada hoje e inclui, entre outros e além da Bússola, 300, Ultimato Bourne, Ratatouille, Beowulf, Transformers e A Ordem da Fênix.

A escolha dos três indicados ao Oscar de Efeitos Visuais é um dos rituais mais bizarros da Academia. Estúdios e produtores encaminham ao Comitê de Efeitos Visuais – integrado somente por profissionais especializados da área - clips dos filmes que consideram com qualidade suficiente para serem considerados. O Comitê avalia os clipes e elabora era pré-lista de 15 títulos. Depois do Ano Novo, durante um ou dois dias, o Comitê se reúne a portas fechadíssimas na sala Samuel Goldwyn da Academia, padrão de projeção para todos os filmes concorrentes. E lá vêem continuamente os clipes dos 15 pré-selecionados, um depois do outro, sem parar, votando na hora.

Desse exaustivo ritual, conhecido como bake-off, saem os três indicados.Haja paciência, colírio e aspirina.
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16/12/2007
PARA DAR A LARGADA NA SEMANA



Os dois posters ultracool de Dark Knight que foram para as ruas e cinemas dos EUA neste final de semana.
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14/12/2007
RASGAÇÃO DE SEDA

Recebo emails de agradecimento, em penca: de Keira Knightley, de James McAvoy, de Ang Lee, de Joe Wright. É praxe,depois do anúncio das indicações.

Transcrevo aqui apenas dois que aceito de coração, porque tiveram meus votos com grande entusiasmo. David Cronenberg: “Para mim sempre houve apenas um ator que pudese transmitir com toda força as muitas sutilezas do personagem Nikolai em Senhores do Crime, e apenas um compositor que pudesse criar o contexto aural do mundo de Nikolai. Que Viggo Mortensen e Howard Shore estejam agora entre os indicados ao Globo de Ouro é perfeito e empolgante.” (Eu votei no senhor, Seu Cronenberg, e no roteiro também, mas infelizmente ….)

De Viggo Mortensen: “Obrigado por reconhecer nosso filme nas indicações aos prêmios Globo de Ouro. Tenho muito orgulho de Senhores do Crime que acredito ser um dos filmes mais criativos e provocadores lançados este ano. É uma honra ser incluiído na lista de atores escolhidos para a cerimônia de 2008. Nikolai é um personagem único, e serei sempre grato a David Cronenberg por me permitir interpretá-lo”.

E de fato _ não percam Senhores do Crime de jeito nenhum _ a estréia no Brasil é dia 8 de fevereiro de 2008.
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